Enfim, um bom negócio

POR GERSON NOGUEIRA

Foi a mais vultosa transação feita pelo PSC em toda sua história. Conseguiu vender o atacante Marlon com o Gil Vicente, de Portugal, por algo em torno de 350 mil euros, quase R$ 2 milhões. Posicionando-se no mercado nos últimos anos como ponte para atacantes goleadores, o clube negociou pelo menos cinco atletas desde o início deste século, mas nenhum deles pelo valor obtido agora.

O primeiro foi o centroavante Lima, que caiu em desgraça junto à torcida pelo pênalti desperdiçado diante do Brasília na decisão da primeira Copa Verde. O clube obteve algum dinheiro com a saída do jogador, mas nada tão lucrativo como agora.

Depois disso, negociou Cassiano, Bergson e Nicolas, com resultados financeiros progressivamente melhores. Nicolas, cedido ao Goiás, garantiu quase R$ 1 milhão aos cofres bicolores. Uma situação que tem semelhança com a de Marlon. Nicolas chegou a Belém sem maiores credenciais, como um meia-atacante quase desconhecido.

Na Curuzu, transformou-se em goleador e ídolo da torcida por duas temporadas. A quantidade de gols marcados e a regularidade de suas atuações alavancaram a saída. Chegou a estar nos planos do Vasco, mas terminou negociado com o Goiás.

O anúncio da venda de Marlon é também uma confirmação do acerto do negócio que o clube fez há três anos com o modesto Porto, de Sergipe. À época, um contrato surpreendentemente longo (até 2024) gerou críticas. Marlon tinha se saído bem nos primeiros jogos com a camisa do PSC, mas depois disso experimentou um período de queda de rendimento.

Quase ninguém, há dois anos, acreditava que ele geraria algum lucro para o PSC. Parecia um caso perdido, fadado a prejuízo. A virada aconteceu no Brasileiro da Série C deste ano, quando ele virou protagonista – coincidência ou não, após a saída do ídolo Nicolas.

Marcou 10 gols no Brasileiro e ganhou destaque, embora tenha travado na reta final da competição, o que contribuiu para o fracasso do Papão na tentativa de conquistar o acesso à Série B. A recompensa viria com o interesse do Gil Vicente, clube português de pequeno porte, conhecido por ser porta de entrada para jogadores contratados no futebol brasileiro.

O jornal A Bola, de Lisboa, deu números à transação, apesar do mistério criado pela diretoria do PSC. O Gil Vicente comprou 50% dos direitos econômicos e 100% dos direitos federativos de Marlon. Ao PSC cabem ainda 30%, enquanto o Porto mantém 20%. Bom para todo mundo, principalmente para Marlon, que tem a chance de engatar uma carreira internacional.

Com uma passagem cheia de altos e baixos, o atacante jogou 90 partidas pelo PSC, fazendo 25 gols – 16 só na atual temporada.

Qatar não pretende deixar o assunto Copa esfriar

O governo do Qatar, satisfeitíssimo com os dividendos políticos da Copa para a imagem do país, fez chegar à imprensa internacional a notícia de que o quarto onde Lionel Messi dormiu durante sua permanência em Doha irá se tornar um museu em sua homenagem. Para quem estranhou o exagero da iniciativa, embora o camisa 10 argentino seja digno de todos os rapapés, é importante lembrar o esforço catariano para explorar ao máximo os efeitos midiáticos da competição.

Há uma óbvia pressa em não deixar o assunto morrer e Messi, como astro maior do futebol atual, é o nome a ser explorado. Dois dias depois do término da Copa, Doha amanheceu cheia de estandartes e cartazes homenageando a Argentina e seu principal jogador. Nas ruas, nos prédios e no aeroporto de Hamad, onde a todo instante painéis eletrônicos saudavam os campeões do mundo.

Passada a primeira semana pós-Copa, as autoridades catarianas devem ter percebido que o massivo noticiário sobre a competição desde novembro começou a perder espaço para outros temas. Tratou, então, de reavivar as coisas. O quarto de Messi não é lá uma senhora atração, mas, a essa altura, vale tudo para manter a chama acesa.

Não é só futebol. É, acima de tudo, marketing político, pois o Qatar anseia ocupar papel mais destacado no Oriente Médio. Não basta as montanhas de dinheiro que fazem do país proporcionalmente o mais rico do mundo. Eles querem mais, muito mais. A suntuosidade dos prédios, viadutos e algumas construções espalhafatosas são apenas um indício visível dessa megalomania da monarquia absolutista que reina no pequeno país.

Ao mesmo tempo, o culto em torno da figura de Messi certamente não se restringe ao gesto do governo catariano. A Fifa já arma suas garras para explorar o super craque argentino até virar suco. Os lucros que não conseguiu auferir, pelas razões óbvias, com o indomável Diego Maradona serão resgatados com a marca Messi. Diferente de Dieguito, que se posicionava como crítico implacável de Havelange & gang, La Pulga parece bem mais afeito a salamaleques oficiais. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 28)

Um comentário em “Enfim, um bom negócio

  1. Importante ressaltar que, nesta negociação do Marlon, talvez o melhor para o clube paraense foi de ter permanecido com 30% dos direitos federativos do atleta, que – em tendência – deve se valorizar, já que se trata de um bom jogador e está em um mercado mais forte que o paraense.

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