Uma referência de respeito

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo, que estreia no Parazão a 21 de janeiro, já tem um modelo a ser seguido na próxima temporada. As atuações empolgantes do Marrocos na Copa do Mundo, fazendo da intensidade na marcação seu principal trunfo para chegar à quarta colocação no Qatar, são as fontes inspiradoras do técnico Marcelo Cabo, segundo suas palavras em entrevistas recentes – a última concedida ao programa Bola na Torre, domingo, na RBATV.

É importante ressaltar que Marrocos chegou longe no Mundial sem estar entre os times mais cotados. O trabalho desenvolvido no país tinha menos de seis meses e a campanha tornou-se, por isso mesmo, espantosa. A ausência de destaques individuais acentuou os méritos do sistema baseado no esforço coletivo. É nessa direção que o técnico remista aponta.

Cabo, que muitos consideram a principal contratação do Remo para 2023, tem crédito. Seus times, principalmente na Série B, sempre foram adeptos do jogo de marcação incessante e a busca pelo controle da posse de bola. Acima de tudo, é adepto do futebol ofensivo e propositivo. Esse perfil agradou em cheio ao torcedor azulino, sem paciência para técnicos excessivamente cautelosos, como Gerson Gusmão na última Série C.

Da teoria à prática, porém, há uma distância considerável. Para colocar em execução esse projeto de ofensividade, Cabo vai precisar de um time dinâmico e de forte movimentação. Os jogadores indicados por ele estão dentro desse critério, embora alguns gerem desconfiança pela idade.

Diego Ivo e Muriqui talvez sejam os nomes mais questionados. Sobre eles, Cabo não faz projeções, mas quem o conhece sabe que aposta alto no rendimento de ambos. O Campeonato Paraense vai ser o primeiro cenário de teste para esses jogadores, principalmente pela maratona de jogos disputados sob muita chuva e em gramados encharcados. Quase ao mesmo tempo, vai acontecer a Copa Verde, objeto de cobiça dos azulinos.

Nas primeiras práticas com o elenco, o técnico priorizou os trabalhos físicos e exercícios táticos, atento às necessidades defensivas e ofensivas que o time terá pela frente nas quatro competições da próxima temporada.

Cabo não parece preocupado. Aposta no médio prazo, certo de que a prioridade é mesmo o Brasileiro. Sobre a competição, ele não admite menos que a conquista do acesso à Série B. Discurso afinado com os sonhos da torcida azulina, até hoje agastada com o vexame de subida e queda em 2021. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Copa do Brasil passa a valorizar mais os estaduais

A CBF anunciou ontem mudanças expressivas na definição de participantes da Copa do Brasil de 2024, dando prioridade às vagas conquistadas nos estaduais do próximo ano. Sai de cena o ranking nacional de clubes, que sempre pautou as escolhas de clubes, para valorizar os regionais. Dos 92 times, 80 sairão diretamente das campanhas nos estaduais.

Rio de Janeiro e São Paulo terão direito a mais vagas, seis cada um. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná terão cinco clubes na Copa. Ao Pará caberá indicar três times com base na classificação do campeonato. Nenhum Estado terá menos que dois participantes, o que dá à competição um perfil mais equilibrado.

Os outros 12 clubes sairão da disputa da Taça Libertadores, da Copa do Nordeste, Copa Verde e Série B. São clubes que só entram na terceira fase.

Fim da Copa não encerra a confusão francesa

O quiproquó envolvendo Benzema e Didier Deschamps na Copa do Qatar está com jeito de pinimba eterna. O treinador sempre teve fama de invocado, o jogador não fica atrás. Se a França tivesse levantado a taça, é provável que o problema caísse no esquecimento. Como perdeu, a própria torcida francesa faz questão de manter vivo o debate.

Depois de especulações sobre inimizades com companheiros de elenco, surgidas às vésperas da final contra a Argentina, jornalistas parisienses asseguram que estrelas como Griezmann e Lloris teriam comemorado o afastamento do centroavante dias antes do início dos jogos em Doha.

E aí, para jogar mais gasolina na fogueira, o agente pessoal de Benzema, Karim Djaziri, questionou ontem o fato do camisa 9 ter sido descartado por Deschamps. Exibiu cópias de exames do jogador e disse que Benzema poderia jogar já a partir das oitavas de final da Copa.

A dispensa ocorreu no dia 19 de novembro, às vésperas da abertura do torneio. A Federação Francesa entendeu que seria necessário um período de três semanas para a recuperação, mas o jogador voltou a treinar com bola no Real Madrid apenas dez dias depois. Dirigindo-se a Deschamps, o agente cobrou: “Por que você pediu a ele para sair tão rapidamente?”

O maior jornal esportivo da França, L’Équipe, noticiou que a rusga surgiu porque o técnico e seus auxiliares achavam que Benzema estava mentindo sobre o seu estado físico, talvez escondendo uma lesão mais séria.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 27)

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