Por que tudo que falo ou escrevo vira uma polêmica?

Por Walter Casagrande Jr., no UOL

Simples. Sou totalmente independente, não devo favores a ninguém, principalmente do meio do futebol. Sou direto nas minhas opiniões e a grande maioria dos ex-jogadores são mimados e acostumados a serem paparicados, e comigo não tem essa.

Ser campeão do mundo, como todos que venceram uma Copa pelo Brasil ao longo do tempo, é motivo de orgulho mesmo. Mas isso não significa que viraram pessoas intocáveis, e que podem fazer ou deixar de fazer qualquer coisa e tudo bem. Também não significa que sejam melhores ou piores que as outras pessoas.

A avaliação de como é um cidadão vem por meio do comportamento e do comprometimento com a sociedade a que pertence e não a que vive. Fico impressionado com a união dos jogadores em se defender quando são criticados por alguém, mais especificamente quando sou eu o crítico.

Por um lado, até acho graça da ignorância de acharem que união é para isso. Todos esses jogadores, sem exceção, que se “unirão” para me atacar não se uniram para cobrar as vacinas, para incentivar a vacinação, nem contra o desmatamento. Muito menos se uniram em movimentos antirracistas, contra a homofobia, contra a violência sofrida pelas mulheres.

Para eles, não são motivos fortes o suficiente para se unirem. Mas quando alguém toca na ferida deles, aí eles se unem.

Gostaria de saber do ex-goleiro e pentacampeão do mundo Marcos o que ele acha do Robinho, condenado na Itália a 9 anos de prisão por estupro de vulnerável, estar passeando livremente pelas praias de São Paulo.

Isso não te incomoda, Marcos?

Bom, não deve incomodar mesmo, porque foi um “bobo da corte” do “reinado” do perverso Bolsonaro. E hoje, com a queda do seu “rei”, só sobrou ser “bobo sem corte”.

Piores são os covardes que curtem os ataques porque não têm personalidade e, muito menos, coragem de assumir uma própria opinião.

Acho interessante quando se une a eles um jornalista esportivo que representa a burguesia reacionária que se impõe através de carteirada.

Estou falando do Tiago Leifert, que tentou me prejudicar, e existem provas sobre isso, até em vídeo na internet.

Ele tentou me ridicularizar algumas vezes ao vivo, na TV Globo, para favorecer comentaristas amigos. Ele desrespeitava superiores na frente de todos por ser filho de diretor.

Sem contar que, quando escreveu um texto para a revista GQ dizendo que futebol e política não poderiam se misturar, eu escrevi um outro texto completamente ao contrário (nós dois erámos colunistas no mesmo veículo). Ele não gostou, pediu ao diretor para que eu fosse demitido. No “eu” ou “ele”, foi Tiago quem saiu.

Bom, não vou falar de todos os “mosqueteiros” do penta porque não vale a pena. Até porque Rivaldo, Marcos e Kaká apoiam um golpe porque também não aceitaram a derrota democrática do “minto” nas urnas.

Se bobear, se disfarçaram como o Robinho e foram cantar o hino para os pneus de caminhão.

Isso é um esclarecimento de que não fico quieto quando covardes se unem contra mim, mas fiquei muito feliz de ver jornalistas como Menon, André Rocha e Marília Ruiz, por exemplo, ficarem do meu lado. E também o apoio de pessoas nas redes sociais que se posicionaram concordando comigo.

Pensei que teria mais pessoas envolvidas com o futebol achando uma covardia essa união contra mim, mas o apoio vem às vezes de onde a gente menos espera.

Fico fortalecido, porque não mudo uma vírgula do que escrevi sobre o tal churrasco folheado a ouro e a diferença entre os ex-ídolos argentinos e brasileiros.

Para terminar: estar recebendo para estar lá sentado como papagaio de pirata dos dirigentes da Fifa e do Qatar num país que não respeita os direitos humanos, trata a mulher como um ser inferior, e defende a homofobia, é mais deprimente do que ir de graça.

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