A dois passos do paraíso

POR GERSON NOGUEIRA

Vinícius Jr., melhor jogador do Brasil na Copa, contou na entrevista que concedeu anteontem que aprendeu com Luka Modric a bater de trivela na bola. Um exemplo do refinamento do meia-armador croata, principal figura de sua seleção e mentor do atacante brasileiro no Real Madrid. A admiração de Vinícius por ele reforça a ideia de que é preciso estar atento aos vice-campeões do mundo.

É óbvio que a Croácia atual está muitos furos abaixo daquela que chegou à final na Rússia. Além de quatro anos e meio mais envelhecida, a seleção perdeu bons jogadores, o que a torna muito mais respeitada pelo passado vitorioso do que pelo presente sem brilho.

Da histórica campanha restou muito pouco. O elenco atual é produto de uma tentativa de renovação, que preservou Modric e Perisic. Dois grandes destaques da seleção vice-campeã, o meia Rakitic e o atacante Mandzukic, se aposentaram e não têm substitutos à altura.

A defesa croata é, junto com a do Brasil, a melhor da Copa. O time sai rápido em transição porque o meio-campo funciona bem, embora tenha se atrapalhado contra o Japão. E quase se complicou porque os japoneses buscaram sempre o ataque e fecharam a meia-cancha.

Ocorre que o Brasil ataca muito mais que o Japão e faz um jogo de imposição, com tentativas agudas pelas extremas. Esta pode ser justamente a chave para a vitória. Na entrevista de ontem, Tite evitou falar sobre estratégia. Mostrou-se otimista, mas sempre em tom respeitoso.

Nas avaliações de jornalistas estrangeiros aqui no Qatar, o Brasil é um dos favoritos nas quartas de final ao lado de Portugal, que enfrenta Marrocos amanhã. Com o futebol mostrado contra a Coreia do Sul, a Seleção resgatou as apostas de que pode chegar à semifinal após 20 anos.

Permanece, porém, a dúvida quanto ao aproveitamento de Alex Sandro na lateral esquerda. Depois de ter sua escalação praticamente confirmada na quarta-feira, o tom usado por Tite para falar sobre ele foi de cautela. Deixou no ar que não há total certeza de sua utilização na partida.

Caso o titular não possa jogar, Danilo voltará a atuar na esquerda e Éder Militão continuará na direita, como na vitória sobre os sul-coreanos.

Para os que receiam que ocorra a mesma situação vivida pelo Brasil frente à Bélgica em 2018, cabe um comparativo simples. A Croácia de hoje é muito inferior àquela seleção belga e à própria Croácia de 2018, enquanto a Seleção Brasileira atual tem mais qualidade que a de quatro anos atrás.  

Os conselhos de Ronaldo que Neymar deve acatar

Depois da péssima ideia de levar um grupo de jogadores da Seleção para experimentar o “bife de ouro”, em show de ostentação que virou alvo de muitas críticas, Ronaldo Nazário volta ao noticiário da Copa por motivos mais edificantes.

Aconselhou Neymar a reter menos a bola, a fim de evitar as botinadas dos zagueiros e garantir mais alguns anos de carreira. A sugestão parece óbvia e é sempre repetida por muita gente que acompanha a carreira do camisa 10 da Seleção.

Acontece que há uma abissal diferença entre a opinião de todo mundo e a palavra de Ronaldo, campeão mundial em 2002 e ídolo do próprio Neymar. Para o Fenômeno, Neymar tem que ajustar seu estilo às necessidades do time, como faz Messi na Argentina.

Messi costuma passar pelo meio de campo, mas logo avança em direção à área adversária. “A grande área é a maior defesa do atacante habilidoso. Se apanhar, sofre falta ou pênalti”, ensinou Ronaldo. Era assim que Nilton Santos orientava o jovem Jairzinho no Botafogo dos anos 60.

Mangueirão poderá receber Seleção nas Eliminatórias

O Pará poderá sediar um jogo da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias Sul-Americanas em 2023 ou 2024. As especulações circulam desde o começo da semana, mas aumentaram ontem, em meio ao evento da Fifa para homenagear a CBF. Não há, por enquanto, nenhuma confirmação oficial e muito menos qualquer orientação da entidade nesse sentido.

O presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, também presente ao evento da Fifa, adotou uma postura cautelosa. Segundo ele, nada foi tratado de maneira concreta. É aguardada uma reunião entre o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e o governador Helder Barbalho para garantir de fato a realização da partida no novo Mangueirão.

Não custa lembrar que a CBF cancelou em cima da hora a realização de um jogo da Seleção em Belém neste ano para reinaugurar o Mangueirão, conforme havia sido acertado com o governador. A crise na FPF, que ficou sem presidente por seis meses, foi a justificativa alegada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 09)

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