Zaga completa, ataque mais forte

POR GERSON NOGUEIRA

O primeiro dia de pausa nos jogos da Copa trouxe uma grande notícia para a Seleção. A zaga titular idealizada por Tite estará recomposta diante da Croácia, amanhã. Após o treino fechado da tarde de ontem, em Hamad (Doha), o lateral esquerdo Alex Sandro teve confirmada sua volta ao time, após ficar de fora de dois jogos.

É um reforço importante para o esquema que Tite armou para a Seleção. Com os laterais titulares, o ataque ganha em consistência e apoio. Danilo dá suporte a Raphinha e Alex Sandro a Vinícius Jr. Isso funcionou bem durante as eliminatórias e tem tudo para dar certo na reta final da Copa.

Sem a presença dos laterais titulares, a Seleção venceu duas partidas e perdeu uma. É notório que o ataque poderia ter sido mais efetivo com o apoio de ambos. Os efeitos benéficos da recomposição dos corredores laterais poderão ser observados diante dos croatas.

A investida forte pelos dois lados do ataque é o principal trunfo ofensivo do Brasil, motivo do temor dos adversários. Fechar a passagem de Vinícius Jr. e Raphinha com marcação forte é quase inútil pela facilidade que ambos têm para dribles em velocidade. Resta tentar povoar o meio, impedindo a ação dos laterais que dão sustentação aos pontas.

Com Danilo e Alex Sandro, que jogam há tempos com ambos, fica mais difícil interromper a conexão. Vale lembrar que, dos sete gols marcados pelo Brasil no Mundial, cinco nasceram de jogadas construídas pelos lados do campo.

Foi assim contra a Sérvia, com gols nascidos de lances puxados por Vinícius Jr.; o gol contra a Suíça, também iniciado na esquerda; e dois contra a Coreia do Sul, o primeiro (em jogada de Raphinha para Vinícius) e o quarto, após passe preciso de Vinícius para Paquetá.

Aliás, a revisão desses lances confirma porque Vinícius Jr. é considerado por todos como o principal jogador da Seleção até o momento, pela participação em todos os lances decisivos, seguido de Casemiro, um primor de estabilidade no meio-de-campo.

Eliminações provocam debandada de torcidas

A capital do Qatar, que viveu um período de invasão de torcidas até a semana passada, começa a ganhar ares de normalidade. Metrô, shoppings e pontos turísticos não apresentam mais as aglomerações do começo da Copa. O processo é normal, pois 24 seleções já foram eliminadas e levaram junto os seus torcedores.

O México, por exemplo, dono de uma das mais ruidosas torcidas, caiu logo na primeira fase. Alemanha, Bélgica e Gales também. Já a Espanha dançou nas oitavas, arrastando seus muitos adeptos.  

Nota-se esse esvaziamento também nos centros de imprensa, antes povoado de jornalistas de várias partes do mundo, dividindo espaço e contribuindo para essa espécie de babel que se forma sempre que gente do mundo inteiro se reúne em espaços fechados.

Ao mesmo tempo, torcedores do Brasil, Inglaterra, Argentina e Portugal seguem desembarcando em grandes grupos, confiantes no avanço de suas seleções às semifinais. São os mais notados pelas camisas e pela barulheira que fazem em toda parte.

Todo mundo querendo pegar carona na Seleção

A cartolagem não se emenda. Sempre está fazendo das suas. Chega a notícia de que o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, receberá homenagem da Fifa, pelos esforços da entidade na formação acadêmica de técnicos. Não era para tanto. Na verdade, parece mais um esforço para aparecer no noticiário, pegando carona na campanha da Seleção.

Desde os primórdios do futebol no Brasil, os dirigentes tentam dividir holofotes com os artistas do espetáculo. Como se sabe, esse combo nunca terminou bem. O exemplo cabal é 1950, quando até comício aconteceu na concentração do escrete horas antes do desastre frente ao Uruguai.

Em 1966, 2006 e 2010, o excesso de licenciosidade dos cartolas e seus apaniguados também prejudicou as campanhas e atrapalhou a Seleção.

Que o regabofe em torno do presidente da CBF, tendo a reboque os presidentes das federações aqui presentes como convidados, às expensas da entidade-mãe, não tenha consequências funestas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 08)

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