Modelo a ser aperfeiçoado

POR GERSON NOGUEIRA

A maneira como o Brasil dominou e venceu a Coreia do Sul, anteontem, chamou atenção pela agressividade de um ataque que tem quatro jogadores de grande habilidade, mas que não costuma ser tão intenso. A surpresa veio do apetite demonstrado, com a busca pelo gol desde os primeiros minutos, só tirando o pé quando a vitória estava assegurada.

Nas Eliminatórias Sul-Americanas, apesar da excelente campanha, o time de Tite não costumava ter essa postura. Ganhava seus jogos naturalmente, impondo sobre os adversários a força da qualidade técnica.

Diante dos sul-coreanos, a postura foi completamente nova. Vinícius Jr. e Raphinha partiram com tudo para cima da marcação e provocaram um clima de total insegurança para os defensores. Em função dessa blitz incessante, antes dos 30 minutos o jogo já estava decidido.

Não há muito mistério sobre o motivo dessa mudança de atitude. Está diretamente ligada ao mau resultado diante de Camarões, quando o Brasil jogou com o time reserva. A repercussão da derrota gerou críticas ao técnico Tite e teve forte impacto sobre os jogadores. O jogo contra a Coreia virou a oportunidade para uma resposta, e ela veio de forma contundente.

A partir da vitória redentora, a Seleção tende a evoluir, como normalmente ocorre a partir das oitavas de final, quando os times estão mais ambientados às condições da competição. O retorno de Alex Sandro, ainda não confirmado, poderá dar à defesa mais consistência diante dos croatas.

Em meio aos elogios à Seleção, apenas um comentário negativo. Partiu do ex-atacante Roy Keane, irlandês que foi ídolo do Manchester United, incomodado com a dança dos jogadores na comemoração dos gols do Brasil. Keane, um atacante limitado, jamais brilhou em Copas do Mundo. Isso talvez explique tanto azedume.

A coreografia de samba nos gols brasileiros é algo corriqueiro e natural. Deriva da cultura musical que temos, sem significar qualquer desrespeito aos adversários, como quis insinuar Keane. Azar o dele que jamais vai entender a grandeza e a importância do samba para a alma brasileira.  

Espírito democrático como critério de contratação

Rodrigo Santana, técnico da jovem geração, havia sido contratado para integrar a nova comissão técnica do Corinthians, mas sua contratação foi barrada depois que surgiu a informação de que ele participou dos atos antidemocráticos promovidos por bolsonaristas na frente dos quartéis. Golpista assumido, foi descartado pela direção do clube.

Decisão correta e coerente. Afinal, um time da grandeza do Corinthians, berço de um movimento democrático inédito e que teve Sócrates, Vladimir e outros bons atletas e cidadãos, não poderia aceitar em suas fileiras alguém que não respeita o resultado democrático das urnas.

O ato que teve a presença de Rodrigo Santana foi organizado três dias depois da eleição de Lula, na frente da Companhia de Comando da 4ª Região Militar, em Belo Horizonte. Ele também passou as últimas semanas compartilhando fake news nas redes sociais.

Santana chegou a ser anunciado pelo Corinthians, junto com o também auxiliar Thiago Larghi e o preparador físico Flávio de Oliveira.

Projeção das semifinais indica choque de gigantes

Com a definição ontem de outro cruzamento das quartas de final, entre Portugal e Marrocos, a projeção de semifinais envolvendo seleções tradicionais ganha consistência. São grandes as possibilidades do clássico Argentina x Brasil de um lado e entre Portugal x França do outro.

Marrocos faz história e Portugal atropela Suíça

Foi bonito. Marrocos fez história na Copa ao eliminar a Espanha na disputa de penalidades. É a primeira vez que a seleção marroquina se classifica para as quartas de final do Mundial. Um resultado surpreendente pelo desnível das equipes e porque o time de Luis Enrique era apontado como favorito depois de estrear com goleada de 7 a 0 sobre Costa Rica.  

Depois de sustentar bravamente o 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, Marrocos venceu nos pênaltis por 3 a 0. Uma emocionante festa em torno de Bono, o goleiro que defendeu duas penalidades, coroou o triunfo.

Na outra partida, Portugal se classificou para as quartas após atropelar a Suíça. A goleada de 6 a 1 poderia ter sido mais ampla, tal a superioridade lusitana em campo. Destaque para os três gols de Gonçalo Ramos, o atacante que barrou CR7.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 7) 

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