Para recobrar a confiança

POR GERSON NOGUEIRA

Com Neymar confirmado pelo técnico Tite, o Brasil marcha hoje (16h, de Brasília) para seu primeiro desafio de grande monta na Copa do Mundo. Terá que superar a entusiasmada Coreia do Sul para avançar às quartas de final. Em situação normal, o adversário não seria um problema. Tudo mudou após a derrota para Camarões, que semeou dúvidas sobre o verdadeiro poder de fogo da Seleção.

É curioso como um jogo de cumprimento de tabela virou fonte de desgaste para a Seleção e seu treinador. A decisão de escalar um time reserva colocou em risco todo o planejamento da campanha no Qatar. O revés frustrou a meta de fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento e abalou a confiança do grupo.

A notícia de que Neymar volta ao time foi confirmada pelo próprio Tite, logo depois que o jogador treinou normalmente com os companheiros. É um reforço fundamental, que vem em boa hora. Sem ele no time, o Brasil perdeu ofensividade e capacidade de confundir a marcação.

O time contará também com o lateral Danilo, mas pelo lado esquerdo (onde já atuou pela Juventus), com Militão novamente na direita. O ataque deve ser mantido com Raphinha, Richarlison e Vinícius Jr., para tentar melhorar a pífia marca de três gols marcados – a pior entre os times das oitavas.

Curiosamente, as estatísticas da Fifa mostram que a Seleção é a que mais chuta em gol: 19 finalizações por jogo. O problema é a pontaria.

França vence Polônia, com show de Mbappé

Fui ver a França jogar e não perdi a viagem. O imponente estádio Al Thumama, nos arredores de Doha, foi palco de um jogo interessante pela exibição solo de um jogador. Mbappé. Está cada vez mais difícil arranjar adjetivos para definir as atuações do camisa 10. Diante de uma Polônia esforçada, mas confusa, ele brilhou intensamente.

Deu o passe para Giroud abrir o placar no final do primeiro tempo e fez mais dois gols no segundo tempo, ambos de bela feitura, com finalização certeira. Mbappé não é de ficar nas firulas. É objetivo, parte em velocidade, dribla e abre espaço para o chute.

A atuação de gala na partida de ontem veio coroar uma participação até aqui impecável na Copa do Qatar. Chegou aos 5 gols e assumiu a artilharia isolada do torneio. Mais que isso: já dispara nas avaliações sobre o craque do Mundial. Ninguém foi melhor que ele até aqui.

Aos 23 anos, Mbappé encaminha também uma sólida candidatura ao Prêmio de Melhor do Mundo da Fifa. A Copa vai decidir quem leva o troféu. Messi faz boa figura, conduzindo a Argentina até às quartas de final. Cristiano Ronaldo também tem pretensões, embora correndo por fora.

Qualquer um que quiser levantar a taça no Qatar e a premiação da Fifa terá que jogar mais bola que Mbappé. 

O camisa 10 não desperdiça tempo com jogadas desnecessárias. Parece antever quando o lance pode resultar positivo para o time. Esse amadurecimento na leitura do jogo é excepcional para um atacante de apenas 23 anos. E pensar que ele ainda tem três Copas pela frente.

Messi lidera Argentina rumo às quartas de final

Ainda se espera pela grande exibição de Lionel Messi na Copa, mas na vitória sobre a Austrália ele fez uma brutal diferença. Acionou os companheiros, trabalhou a bola com a maestria habitual e ainda deu um jeito de fazer seu gol.

Naquela que pode ser sua última Copa, Messi vem se comportando como o protagonista que sempre foi, mas que em muitos momentos parecia abrir mão desse papel. No time atual, com visíveis limitações, ele torna tudo mais simples e fácil quando toca na bola.

A torcida, maravilhada com o ídolo, devota a ele os hinos mais carinhosos. Vibrante, confiante do princípio ao fim, a massa alviceleste já tributa Messi como tratava Maradona, apesar das óbvias diferenças.

A dúvida que se impõe é: depois de vitórias sobre adversários fracos (México, Polônia e Austrália), a Argentina terá forças para superar a renovada Holanda?  

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 05)

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