Derrota brasileira começou na ideia torta de lançar um time reserva

POR GERSON NOGUEIRA

Para começo de conversa, até gostei da movimentação inicial do time B do Brasil. Foi bem no primeiro tempo, faltou apenas o gol. Mais de 20 tentativas de ataque, metade delas bem organizada, mas o excesso de firulas e toques desnecessários não permitiu abrir vantagem. Gabriel Martinelli foi disparadamente o melhor. Objetivo, tentou o gol duas vezes e quase acertou.

Rodrygo também jogou a sério, sempre buscando partir em direção à área. Antony dribla como poucos, mas por vezes se excede. No meio-campo, Fred e Fabinho funcionaram a contento, embora a responsabilidade pela criação de jogadas tenha atrapalhado a movimentação de Rodrygo. O resto do time disfarçou o desentrosamento com manobras rápidas e tentativas de triangulação. Quase deu certo.

Camarões só apareceu no ataque uma vez e deu um susto, com um cabeceio que tocou no chão e obrigou Ederson a uma defesa arrojada. Do lado brasileiro, Gabriel Jesus ficava sempre na intenção de ir, mas nunca completava jogadas.

Veio o segundo tempo e o cenário permaneceu favorável ao Brasil. Afinal, era o único time que atacava e propunha jogo. Camarões rebatia bolas e raramente arriscava um cruzamento na área. Nas mudanças, Tite resolveu atender a torcida e botou Pedro e Everton Ribeiro no time, junto com Bruno Guimarães e Raphinha. Everton foi razoável, mas Pedro se perdeu na afoiteza e na preocupação em acertar.

Ele e Bruno Guimarães acabaram desperdiçando boas chances, assim como Martinelli, que perdeu o tempo da bola na hora de finalizar para as redes por volta dos 40 minutos. De tanto insistir, o Brasil acabou afrouxando a marcação, mesmo com a vigilância de Marquinhos, que substituiu

Apareceu então a estrela de Aboubakar, aos 47 minutos. Ele desviou de cabeça um cruzamento para as redes de Ederson já nos acréscimos. Foi a única finalização correta de Camarões no segundo tempo. Por tirar a camisa na comemoração, ele recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Depois do gol, o Brasil ainda teve duas boas chances, mas o nervosismo e a afobação atrapalharam Pedro e Bruno Guimarães.

O Brasil não perdia na fase de grupos há 24 anos. Perdeu por 2 a 1 para a Noruega em 1998, na França. A partir daí, o Brasil não perdeu mais um jogo na fase de grupos da Copa. Apesar do placar, a Seleção ficou em 1º lugar no Grupo G, com 6 pontos, e se classificou para enfrentar a Coreia do Sul, segunda-feira, 5, às 16h (de Brasília), valendo pelas oitavas de final.

A Seleção jamais jogou contra o rival asiático em eliminatórias da Copa. A Coreia derrotou Portugal, de virada, e conseguiu a segunda vaga no Grupo H. É um azarão, mas ganha confiança com a vitória e com o insucesso do Brasil frente a Camarões.

Tite terá dois dias para rearrumar o time titular, ainda sem Neymar e Danilo. Alguns dos reservas que estiveram em campo nesta sexta-feira podem ter chances. Casos específicos de Martinelli, Militão e Antony.

A ideia de poupar oos titulares se mostrou contraproducente. Ao prestigiar os reservas, Tite desperdiçou a oportunidade de fazer ajustes na Seleção principal, entrosar a equipe e aproveitar o jogo para testar alternativas emergenciais para o mata-mata.

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