Missão Qatar: especialistas criticam falta de testagem de Covid no Qatar e alertam para riscos

Milhares de torcedores de todas as partes do mundo foram para o Qatar para acompanhar os jogos da Copa do Mundo. Essa mistura de povos promove uma festa bonita, mas também aumenta a possibilidade de contaminação por covid-19 e outras doenças, até mesmo pela falta de protocolos específicos no país árabe.

Durante o Mundial, a Fifa não estabeleceu checagens de rotina nos jogadores e comissão técnica das seleções, assim como o Qatar não exige testes de torcedores, jornalistas e todo mundo que entra no país. Também não há obrigação de exibir o comprovante vacinal completo. Para especialistas, essa situação evidencia uma negligência das autoridades sanitárias.

Nas ruas e estádios, são poucas as pessoas usando máscaras de proteção. Segundo Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, a pandemia de covid-19 foi naturalizada. “Infelizmente a Copa do Mundo é o mais atual exemplo. O evento no Qatar é um convite às novas variantes, principalmente quando se acredita que vacina sozinha faz milagre”, afirmou.

Para o epidemiologista, já era esperada uma disseminação alta das novas cepas da Ômicron durante a competição, ainda mais em um cenário sem testagem obrigatória para entrar no país e para circular nos primeiros dias no Qatar, bem como a obrigatoriedade do comprovante vacinal atualizado, como foi feito no Japão para a Olimpíada de Tóquio.

“Justamente por isso que ninguém está testando ou seriam obrigados a desfalcar drasticamente os times, nas diferentes fases da competição, devido à necessidade de isolamento dos doentes/infectados”, disse.

“Se as delegações estivessem sendo rigorosas, com a mais absoluta certeza teriam aparecido muitos casos positivos. Ao contrário, não aparece ‘nenhum’, pois estão sendo ocultados. Com essas versões mais contagiosas da Ômicron é impossível não termos surtos no Mundial. E entre os torcedores, então, a farra do vírus deve ser ainda maior e fora de controle”, lamentou Jesem Orellana.

Segundo a plataforma Worlometers sobre casos de covid-19, o Qatar registrou 371 novos casos ontem (29). É um número bem abaixo de Japão (127.422 casos no dia) e Coreia do Sul (71.476), por exemplo, mas em cenários de grande testagem na população. E, durante a Copa, as preocupações locais com a pandemia ficaram em segundo plano.

A Seleção Brasileira optou por não testar jogadores do elenco que tiveram sintomas gripais recentemente. Neymar teve febre. Antony e Raphinha apresentaram rouquidão. Lucas Paquetá teve sintomas de gripe e Bruno Guimarães teve mal-estar e até vomitou. A CBF, no entanto, não vê relação viral entre os casos e optou por não testar atletas para a covid-19, decisão que o Qatar deixou a critério de cada delegação. “Na hora da avaliação médica não passou nem perto de fazer esse tipo de teste [covid]”, disse Juninho Paulista, coordenador da seleção.

(Com informações do UOL)

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