As mudanças necessárias

POR GERSON NOGUEIRA

Em meio ao surto de gripe e dúvidas sobre o aproveitamento de Neymar mais à frente, Tite tem em mãos a oportunidade única de testar novos jogadores e avaliar caminhos para o duelo das oitavas de final. Já ficou claro, com a primeira fase recheada de zebras, que esta Copa pode reservar muitas surpresas nas etapas eliminatórias.

Com tempo restrito para treinar, Tite terá que buscar as saídas mais práticas dentro do universo de opções que tem no elenco. Por que não testar, pelo menos por um tempo, Everton Ribeiro no meio e Gabriel Martinelli e Anthony nas pontas? Para a Seleção, o jogo com Camarões oferece essa possibilidade preciosa.

Não que a partida seja amistosa. Estará em jogo também o primeiro lugar da chave G, determinando o caminho para o Brasil a partir das oitavas. Se ficar em segundo, provavelmente terá Portugal pela frente, um adversário obviamente mais indigesto que Uruguai, Gana e Coreia do Sul.

Quem vai a uma Copa com espírito de campeão não pode ficar escolhendo adversário, dizem os antigos, mas, se for possível, não custa buscar a rota menos pedregosa. De qualquer maneira, o único jeito possível de evitar uma eliminação precoce é ter um modelo de jogo definido, com organização e eficiência. Quando há pleno domínio dessas virtudes, uma equipe fica menos sujeita a eventuais falsetas do destino.

Os 45 minutos iniciais da partida com a Suíça assustaram o torcedor justamente porque a Seleção mostrou insegurança tática, sinalizando não saber o que fazer em campo. Os seguidos erros individuais de jogadores importantes, como Lucas Paquetá, acentuaram esse clima de pane, como se os jogadores tivessem se conhecido há uma semana.

Os ajustes feitos por Tite no segundo tempo corrigiram, em parte, os problemas. Ao mesmo tempo em que reordenou o time, o técnico incorreu na velha obsessão por Gabriel Jesus.

Bom jogador, em temporada satisfatória no Arsenal, não acerta o pé na Seleção. Um caso a ser estudado, tanto pelo baixo rendimento do jogador quanto pela teimosia do treinador. Segue dentro porque tem a preferência de Tite. Com outro técnico, provavelmente nem seria convocado,

Enfrentar Camarões sem a pressão do resultado a qualquer custo abre a chance de testar outros atletas, como Pedro, Fabinho e Everton Ribeiro. Ou variações de jogo, que podem incluir Anthony e Martinelli,

Tudo isso para evitar o chamado samba de uma nota só, aquele sistema repetitivo que favorece o trabalho dos adversários e não permite reações rápidas na hipótese de um confronto que se mostre desfavorável.

E há o fator Neymar. Sem ele, a necessidade de treinar alternativas táticas e criativas aumenta enormemente.

Casemiro: presença e ausência marcantes

Herói improvável do jogo com a Suíça, marcando o gol que determinou a vitória brasileira, com raro senso de oportunismo na área, o volante Casemiro é daqueles jogadores que parecem predestinados a ter passagem marcante pela Seleção Brasileira, até mesmo quando ausentes de um jogo.

Em 2018, na Copa da Rússia, a perda dele (por suspensão pelo terceiro cartão amarelo) foi decisiva para a derrota brasileira frente à Bélgica. Fernandinho, o substituto de Casemiro naquele jogo, jogou muito mal e ainda fez um gol contra. Até hoje, Tite admite que a falta do volante titular foi determinante para o resultado.

Amizade e respeito do lado esquerdo do peito

O gesto da mão direita espalmada à altura do coração é a saudação oficial do povo catariano aos milhares de forasteiros que estão aqui para acompanhar a Copa ou trabalhar. Em quase todos os lugares, o visitante é recebido dessa forma inteligente e afetuosa.

Simples e discreta, dispensa palavras, mas diz muito do respeito e da educação de um povo. Até aqui, apesar da pancadaria no jogo Argentina x México, a Copa tem sido um exemplo de confraternização e boas práticas desportivas. Que continue assim.

Rock na madrugada – Screaming Trees, “All I Know”

Primeira grande voz do movimento grunge, nos idos de 1980, à frente de Nirvana e Pearl Jam, Mark Lanegan transitou entre várias bandas, mas viveu seu momento mais criativo como compositor e vocalista do Screaming Trees. Poeta e escritor, teve muitos problemas com a dependência de drogas e morreu em fevereiro deste ano. Irlandês de nascimento, Lanegan influenciou muitos outros cantores da cena roqueira americana. Foi um dos destaques do mega projeto Mad Season. Tocou com vários artistas após deixar o Screaming Trees.

Com Equador eliminado, América do Sul fica perto de seu pior desempenho em mata-matas da Copa do Mundo

A América do Sul segue representada no Mundial do Qatar por apenas três seleções: Argentina, Brasil e Uruguai. O Equador foi eliminado ontem ao perder para Senegal. Apesar da classificação antecipada do Brasil, com duas vitórias e 100% de aproveitamento no Grupo G, os outros dois tradicionais times do continente correm sério risco de ficar de fora das próximas fases da competição.

Os argentinos têm uma decisão às 16h (de Brasília) desta quarta-feira (30) contra a Polônia, e precisam ganhar para continuar na Copa. Os uruguaios têm situação mais delicada. Na lanterna do Grupo H, precisam derrotar Gana às 12h de sexta (2) para avançar na competição e enfrentar provavelmente o Brasil nas oitavas.

Mesmo que Argentina e Uruguai se classifiquem, o continente igualará seu aproveitamento na Copa de 2006, na Alemanha, quando Brasil, Argentina e Equador continuaram na disputa depois da fase de grupos. Com dois classificados, a América do Sul repetiria o desempenho de 2002. Na Copa da Coreia do Japão, o Brasil e o surpreendente Paraguai seguiram para o mata-mata, enquanto Argentina e Uruguai deram adeus

No caso de classificação isolada do Brasil às oitavas, este seria o pior desempenho do continente desde a adoção do atual formato da Copa do Mundo, com 32 países, inaugurado no Mundial da França, em 1998.

Missão Qatar: especialistas criticam falta de testagem de Covid no Qatar e alertam para riscos

Milhares de torcedores de todas as partes do mundo foram para o Qatar para acompanhar os jogos da Copa do Mundo. Essa mistura de povos promove uma festa bonita, mas também aumenta a possibilidade de contaminação por covid-19 e outras doenças, até mesmo pela falta de protocolos específicos no país árabe.

Durante o Mundial, a Fifa não estabeleceu checagens de rotina nos jogadores e comissão técnica das seleções, assim como o Qatar não exige testes de torcedores, jornalistas e todo mundo que entra no país. Também não há obrigação de exibir o comprovante vacinal completo. Para especialistas, essa situação evidencia uma negligência das autoridades sanitárias.

Nas ruas e estádios, são poucas as pessoas usando máscaras de proteção. Segundo Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, a pandemia de covid-19 foi naturalizada. “Infelizmente a Copa do Mundo é o mais atual exemplo. O evento no Qatar é um convite às novas variantes, principalmente quando se acredita que vacina sozinha faz milagre”, afirmou.

Para o epidemiologista, já era esperada uma disseminação alta das novas cepas da Ômicron durante a competição, ainda mais em um cenário sem testagem obrigatória para entrar no país e para circular nos primeiros dias no Qatar, bem como a obrigatoriedade do comprovante vacinal atualizado, como foi feito no Japão para a Olimpíada de Tóquio.

“Justamente por isso que ninguém está testando ou seriam obrigados a desfalcar drasticamente os times, nas diferentes fases da competição, devido à necessidade de isolamento dos doentes/infectados”, disse.

“Se as delegações estivessem sendo rigorosas, com a mais absoluta certeza teriam aparecido muitos casos positivos. Ao contrário, não aparece ‘nenhum’, pois estão sendo ocultados. Com essas versões mais contagiosas da Ômicron é impossível não termos surtos no Mundial. E entre os torcedores, então, a farra do vírus deve ser ainda maior e fora de controle”, lamentou Jesem Orellana.

Segundo a plataforma Worlometers sobre casos de covid-19, o Qatar registrou 371 novos casos ontem (29). É um número bem abaixo de Japão (127.422 casos no dia) e Coreia do Sul (71.476), por exemplo, mas em cenários de grande testagem na população. E, durante a Copa, as preocupações locais com a pandemia ficaram em segundo plano.

A Seleção Brasileira optou por não testar jogadores do elenco que tiveram sintomas gripais recentemente. Neymar teve febre. Antony e Raphinha apresentaram rouquidão. Lucas Paquetá teve sintomas de gripe e Bruno Guimarães teve mal-estar e até vomitou. A CBF, no entanto, não vê relação viral entre os casos e optou por não testar atletas para a covid-19, decisão que o Qatar deixou a critério de cada delegação. “Na hora da avaliação médica não passou nem perto de fazer esse tipo de teste [covid]”, disse Juninho Paulista, coordenador da seleção.

(Com informações do UOL)