Missão Qatar: com embaraços, Seleção mata no final e garante classificação antecipada

POR GERSON NOGUEIRA

Não foi a atuação esperada. O time parecia sem pegada, cercando a área suíça de longe, o que dificultava ataques contundentes. Teve uma boa chance no primeiro tempo com Vinícius Jr. Passou um ligeiro aperto no início da segunda etapa, mas começou a se erguer quando Vinícius Jr. balançou as redes. O gol acabaria anulado pelo VAR, mas teve o efeito positivo de fazer o time despertar da sonolência. Já na reta final do jogo veio a jogada com Rodrygo, Vinícius e Casemiro, culminando com o disparo forte do volante para o fundo das redes.

É importante observar que a Seleção, mesmo sem jogar bem, foi superior ao time da Suíça, armado claramente para buscar o empate. A vitória adquire contornos mais expressivos porque significa uma evolução em relação a 2018, quando na segunda rodada o Brasil tinha conquistado apenas 4 pontos. Desta vez, já soma 6 pontos, está garantido nas oitavas e pode fazer um jogo de experimentações contra Camarões.

Depois disso, Rodrygo recebeu assistência perfeita de Vinícius, mas a zaga suíça interceptou o chute. O Brasil terminou o jogo em alta, com o time agressivo e insinuante, como é a vocação natural dos garotos que Tite tem à disposição para o ataque. Anthony entrou muito bem na direita, fazendo com que Militão entrasse no jogo ofensivo também.

Neymar fez falta? Claro que sim. Um jogador do nível dele sempre faz falta a qualquer equipe. Mais ainda na Seleção, onde ele concentra as jogadas no meio e sai com a bola, tentando abrir caminho entre os marcadores. Esse estilo, criticado pelos excessos costumeiros, tem o mérito de forçar as equipes adversárias a usarem dois, às vezes três, jogadores para tentar anular o camisa 10. Ao agir assim, sobra espaço para os demais atacantes brasileiros. Isso ficou patente na partida de ontem.

Há uma alternativa óbvia para substituir Neymar com um mínimo de conhecimento sobre a função. Everton Ribeiro comeu a bola na temporada, conduzindo o Flamengo a grandes vitórias. Dificilmente, porém, será aproveitado porque o técnico não confia em jogadores que não passaram pelo crivo técnico das competições europeias. Por esse critério, Everton e Pedro – outro que podia ter entrado – não têm grandes perspectivas de entrar em campo.

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Alguns outros aspectos da noite no 974 me chamaram atenção.

Primeiro, o silêncio angustiante da torcida nos momentos difíceis vividos pela Seleção no primeiro tempo, quando a insistência não era suficientemente forte para superar a forte marcação suíça. Confirma a velha tese de que torcedor brasileiro em Copas do Mundo não é o mesmo que frequenta estádios no país, apoiando seus times. No Qatar, é pior. Só estão aqui os abonados, que não sabem como torcer direito. Isso faz uma enorme diferença, pois futebol exige interação entre campo e plateia. Os argentinos, sábado, em Lusail, fizeram um carnaval nas arquibancadas; os mexicanos também. Não temos torcida que saiba incentivar quando é necessário segurar a onda. A explosão só vem com o gol.

Outra curiosidade: que estádio diferente, inteligente e bem idealizado é este 974. Todo construído com contêineres, é uma verdadeira obra de arte, uma instalação gigante. O problema, que já tinha se manifestado na África do Sul (em 2010) é as superdimensionadas distâncias entre rampas de acesso e portões de entrada. Cerca de 12 quilômetros entre o estacionamento e a primeira guarita de acesso. Penei para chegar aos portais que levam à tribuna de honra, suando como um maratonista.

(Ah, pela primeira vez em Copas, o Brasil venceu a Suíça. Antes, em 1950 e 2018, s jogos terminaram empatados. Não é nada, não é nada…)

Crédito de imagem: Robert Cianflone/Getty Images

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