Hermanos em situação de risco

POR GERSON NOGUEIRA

Um clássico entre países de língua espanhola movimenta a Copa do Mundo do Qatar, hoje. Tudo porque a Argentina, cotada para a disputa do título e que caiu logo na estreia diante da Arábia Saudita, corre o risco de ser eliminada logo na primeira fase. Terá pela frente o México, que tem suas pretensões também, embora não seja levado a sério.

O que mais chama atenção nesse aperreio argentino é o fato de que o time de Lionel Messi chegou ao Qatar com um cartel reluzente. Estava invicta há 36 partidas, com atuações convincentes sob a direção de Lionel Scaloni.

A zebra representada pelo triunfo saudita nem se compara com um eventual insucesso diante dos mexicanos. Em caso de derrota, a eliminação será imediata. Sem dúvida, um risco tremendo para a reputação do craque Messi, que veio para o Mundial em busca do único título importante que não conseguiu conquistar.

Em termos de jogo coletivo, a Argentina é hoje uma das equipes mais respeitadas do mundo. Até a fragilidade defensiva, característica que pesou na perda da Copa de 2014, foi corrigida por Scaloni.

Do meio para a frente, coadjuvantes de luxo – De Paul, Di María e Lautaro Martinez – se encarregaram de dar a Messi a tranquilidade para comandar o time com a maestria conhecida.

Os mexicanos são normalmente franco-atiradores em Copas do Mundo. Nunca tiveram maior destaque, mas chegam sempre fazendo barulho e botando fé. A situação imposta pelo mau passo da Argentina na estreia põe a seleção alviverde diante de um gostoso desafio.

Pode ser a senha para exorcizar um velho e cruel ditado sobre o México: o time que joga nunca e perde como sempre.

Já me credenciei para ver a partida, que tem tudo para ser uma das mais emocionantes deste início de Mundial.

Um confronto que ficou apenas na promessa

Como muita gente, fiquei atento ao jogo entre ingleses e americanos, considerado o mais esperado desta abertura do segundo giro da Copa. Foi uma decepção. Como se diz no meio da torcida, o jogo deu calo no olho.

Kane, Sterling e outros afamados do English Team sofreram para furar o bloqueio ianque no meio-de-campo. Pouco inspirado, o time inglês limitou-se ao tradicional chuveirinho, também chamado de Muricybol, sem o menor sucesso.

Do lado americano, algumas boas investidas, incluindo um disparo no travessão, que deixou a fanática torcida inglesa em suspense. No geral, o jogo bem organizado dos americanos mostrou mais eficiência que a propalada qualidade britânica.  

O empate em 0 a 0 foi daqueles que significam uma nota para o desempenho dos times do que demonstração de equilíbrio.

O papel de Givanildo na carreira de Richarlison

A notícia de que Richarlison surgiu para o futebol pelas mãos de Givanildo Oliveira, que treinava o América-MG em 2015 e bancou a escalação do jovem atacante. A aposta se revelou certeira, embora ninguém pudesse prever que chegaria aos nível de consagração atual.

Um gostinho especial para os torcedores de PSC e Remo, sempre ligados a personagens que passaram pelos dois clubes. Meticuloso e atento às divisões de base, Givanildo costumava descobrir talentos e também turbinar carreiras que pareciam sem futuro.

Fez isso, com saudável frequência, por todos os clubes em que trabalhou até optar pela aposentadoria, há cinco anos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado, 26)

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