Estadão ilustra com foto de um negro a notícia do ataque de um nazista à escola de Aracruz

O Estado de S. Paulo, o popular Estadão, um dos jornais mais antigos e conservadores do país, não toma jeito. Em postagem nas redes sociais, o perfil do vetusto matutino paulistano se superou: repercutiu o ataque de um jovem neonazista utilizando como ilustração as mãos de um jovem negro. Só que o assassino da escola de Aracruz é branco, tem suástica tatuada no braço e é filho de um PM que recomenda nas redes sociais a leitura do livro “Mein Kampf”, de Adolf Hitler.

Uma absurda, racista e inaceitável distorção de narrativa. Horas depois, pressionado pela repercussão negativa, o jornal trocou a foto da ilustração (abaixo), admitindo que a imagem era inadequada, mas nem se deu ao trabalho de pedir desculpas pela postagem racista.

Raphinha se irrita com críticas a Neymar e Casão aconselha: “Estude a história do Brasil”

O ex-jogador Walter Casagrande está no Qatar para fazer a cobertura da Copa do Mundo e por meio de seu blog na internet, fez declarações fortes após Raphinha publicar uma foto na qual critica parte do povo brasileiro e diz que o “maior erro da carreira de Neymar é nascer brasileiro, esse país não merece seu talento e seu futebol”.

“Raphinha, minha recomendação é de que você estude a história do Brasil, para não compartilhar coisas absurdas como essa. Se ele tivesse apenas falado que é um absurdo que torcedores brasileiros torcem para o Neymar quebrar a perna, teria razão. Mas dizer que o povo brasileiro não merece Neymar, é um desrespeito a um povo sofrido como nosso”, escreveu Casagrande.

“Prefiro achar que você, Raphinha, não sabe o que está compartilhando na internet. Porque se você concorda com isso, de forma consciente, sinto muito. Talvez você também não mereça ser brasileiro”, rebateu o ex-jogador.

Ao mesmo tempo, Casagrande fez questão de afirmar que vai torcer pelo título da Seleção na Copa do Mundo. Mas, disse para Raphinha se explicar melhor depois e para se concentrar apenas em jogar bola. “Mesmo você desmerecendo o povo brasileiro ao concordar com essa fala arrogante, iremos torcer pelo título. Depois você se explica melhor. Por ora, jogue bola”, completou Casagrande.

Na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, Raphinha teve uma boa atuação, mas perdeu duas grandes chances de gol na partida contra a Sérvia. Por causa de uma lesão ligamentar no tornozelo direito, Neymar está fora dos próximos dois jogos da fase de grupos, contra Suíça, segunda-feira, e Camarões, sexta. O lateral-direito Danilo também lesionou o tornozelo (esquerdo) e será outro desfalque nesta primeira fase. (Com informações do Yahoo!)

Missão Qatar: pelos pés de Messi, Argentina vence e entra na briga pela classificação

POR GERSON NOGUEIRA

Doha, Qatar – Acabei de sair do estádio de Lusail, onde Argentina e México se enfrentaram numa batalha encarniçada, jogando futebol de altíssima intensidade. Aliás, quando usar essa palavra tão desgastada que respeite o que os dois times fizeram nesta noite de sábado em Doha. Desde o primeiro minuto, um duelo ferrenho pela posse da bola, palmo a palmo, sem concessões de espaço. A destacar, mais uma vez, a disposição de Messi em se colocar a serviço do time, que retribui jogando para ele também.

A Argentina, tecnicamente melhor, ditava o ritmo no início, mas quem mais levou perigo nos primeiros 20 minutos foi o time mexicano, empurrado por sua fanática torcida. Aos poucos, porém, Messi e Di María começaram a fazer triangulações e a se aproximar da área de Ochoa, mas sem acertar o gol.

O primeiro tem terminou com o jogo em total equilíbrio, embora com construções táticas diferentes. O México empenhado em se defender, neutralizar os talentos do adversários e à espera de um contra-ataque para resolver o jogo. A Argentina caprichando no toque de bola para tentar abrir os caminhos.

O placar da etapa inicial, 0 a 0, foi produto do esforço dos times em se sobrepor ao adversário. Mesmo sem técnica refinada, o jogo valeu pelo combate incessante, sem tréguas.

Veio o 2º tempo e a excepcional qualidade técnica do solista Messi fez a diferença logo no começo. No único momento em que foi deixado com um espaço mínimo para manobrar, ele encaixou a bola que abriu caminho para a importante vitória argentina. O chute saiu seco, preciso, milimétrico. Entre o poste esquerdo e os braços do goleiro, que inutilmente tentou interceptar a bola.

Uma catarse no estádio. A torcida vibrando e saudando seu ídolo. Messi festejado e festejando com os companheiros, depois erguendo as mãos para o alto, em agradecimento. Um alívio. A vitória se consumaria com o gol de Enzo Fernandes nos acréscimos, para fazer a hincha argentina explodir de contentamento.

A Argentina volta à competição, após afugentar o fantasma da eliminação na primeira fase. Messi & cia terão agora um outro desafio pela frente: a Polônia de Lewandowski, líder do grupo. Mas isso já é outra história. O importante é que uma das favoritas do torneio volta a ter chances de seguir na briga.

O aspecto lamentável do jogo foi a confusão envolvendo torcedores às proximidades do estádio. Argentinos e mexicanos promoveram brigas, dando imenso trabalho à polícia de Doha. Foi o primeiro registro de tumultos provocados por torcidas nesta Copa.

A frase do dia

“Acordem! Vivemos 300 anos de escravidão. O Brasil foi fundado no estupro. Somos recordistas em homicídios, feminicídios e desigualdade. Brasileiro cordial é uma enganação. Tanto que o apoiador de tortura (rato na vagina) teve apoio ativo do maior ídolo nacional!”.

Luiz Carlos Azenha, jornalista

Hermanos em situação de risco

POR GERSON NOGUEIRA

Um clássico entre países de língua espanhola movimenta a Copa do Mundo do Qatar, hoje. Tudo porque a Argentina, cotada para a disputa do título e que caiu logo na estreia diante da Arábia Saudita, corre o risco de ser eliminada logo na primeira fase. Terá pela frente o México, que tem suas pretensões também, embora não seja levado a sério.

O que mais chama atenção nesse aperreio argentino é o fato de que o time de Lionel Messi chegou ao Qatar com um cartel reluzente. Estava invicta há 36 partidas, com atuações convincentes sob a direção de Lionel Scaloni.

A zebra representada pelo triunfo saudita nem se compara com um eventual insucesso diante dos mexicanos. Em caso de derrota, a eliminação será imediata. Sem dúvida, um risco tremendo para a reputação do craque Messi, que veio para o Mundial em busca do único título importante que não conseguiu conquistar.

Em termos de jogo coletivo, a Argentina é hoje uma das equipes mais respeitadas do mundo. Até a fragilidade defensiva, característica que pesou na perda da Copa de 2014, foi corrigida por Scaloni.

Do meio para a frente, coadjuvantes de luxo – De Paul, Di María e Lautaro Martinez – se encarregaram de dar a Messi a tranquilidade para comandar o time com a maestria conhecida.

Os mexicanos são normalmente franco-atiradores em Copas do Mundo. Nunca tiveram maior destaque, mas chegam sempre fazendo barulho e botando fé. A situação imposta pelo mau passo da Argentina na estreia põe a seleção alviverde diante de um gostoso desafio.

Pode ser a senha para exorcizar um velho e cruel ditado sobre o México: o time que joga nunca e perde como sempre.

Já me credenciei para ver a partida, que tem tudo para ser uma das mais emocionantes deste início de Mundial.

Um confronto que ficou apenas na promessa

Como muita gente, fiquei atento ao jogo entre ingleses e americanos, considerado o mais esperado desta abertura do segundo giro da Copa. Foi uma decepção. Como se diz no meio da torcida, o jogo deu calo no olho.

Kane, Sterling e outros afamados do English Team sofreram para furar o bloqueio ianque no meio-de-campo. Pouco inspirado, o time inglês limitou-se ao tradicional chuveirinho, também chamado de Muricybol, sem o menor sucesso.

Do lado americano, algumas boas investidas, incluindo um disparo no travessão, que deixou a fanática torcida inglesa em suspense. No geral, o jogo bem organizado dos americanos mostrou mais eficiência que a propalada qualidade britânica.  

O empate em 0 a 0 foi daqueles que significam uma nota para o desempenho dos times do que demonstração de equilíbrio.

O papel de Givanildo na carreira de Richarlison

A notícia de que Richarlison surgiu para o futebol pelas mãos de Givanildo Oliveira, que treinava o América-MG em 2015 e bancou a escalação do jovem atacante. A aposta se revelou certeira, embora ninguém pudesse prever que chegaria aos nível de consagração atual.

Um gostinho especial para os torcedores de PSC e Remo, sempre ligados a personagens que passaram pelos dois clubes. Meticuloso e atento às divisões de base, Givanildo costumava descobrir talentos e também turbinar carreiras que pareciam sem futuro.

Fez isso, com saudável frequência, por todos os clubes em que trabalhou até optar pela aposentadoria, há cinco anos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado, 26)