Um feito sem defeitos

POR GERSON NOGUEIRA

O hino do clube nunca foi tão certeiro. Acertou quanto à natureza da conquista e também naquele trecho que diz “quando perde é por descuido, mas depois vem a virada”. O PSC nunca foi tão PSC quanto neste sábado, no estádio Serra Dourada, quando transformou limão em limonada no confronto com o Vila Nova.

A festa era toda alvirrubra, com a torcida tomando conta dos espaços do estádio e avermelhando tudo. O gol de Matheuzinho, aos 25 minutos, tornou o carnaval goiano ainda mais animado. E estava tudo certo. O PSC havia sido melhor nos primeiros 15 minutos, mas foi apagando a chama e perdendo força à medida que o tempo avançava.

O meio-campo, depois dos primeiros movimentos, caiu na rotina dos piores momentos da Copa Verde, sem tino ou criatividade, tocando para o lado e com visível dificuldade para marcar os avanços em velocidade do Vila.

Com três zagueiros – Genilson, Naylhor e Lucas Costas – o PSC vivia um dilema. Defendia-se razoavelmente bem, mas não conseguia explorar um dos pontos fortes do time: a participação dos laterais.

Tiago Ennes, que teve um começo muito bom, finalizando duas vezes, não conseguia participar das ações ofensivas. Patrick Brey também se enroscou na marcação e raras vezes apareceu no campo adversário. Robinho, Marlon e José Aldo também ficaram apenas nas jogadas de aproximação.

Enquanto isso, o Vila Nova atacava e criava situações perigosas, com Neto Pessoa e Kaio Nunes bem adiantados, forçando jogadas em cima do trio defensor do PSC, ambos bem municiados por Matheuzinho. Aos 38 minutos, o meia Diego Tavares quase ampliou em chute cruzado.

Veio o segundo tempo e o abismo técnico se acentuou. O PSC não mostrava forças para reagir e buscar o empate. Do outro lado, o Vila intensificou os ataques. Quase marcou com Neto Pessoa, que bateu forte à esquerda de Thiago Coelho. Em cobrança de falta, aos 29’, Matheuzinho cobrou falta e Thiago espalmou.

Logo em seguida, o lance crítico do jogo evidenciou a categoria do goleiro alviceleste. Ele se desdobrou, sempre posicionado no chão, para evitar o segundo gol do Vila. Defendeu dois chutes de Wagner em sequência e à curta distância. O terceiro foi disparado por Mateus Souza.

Márcio Fernandes, sem alternativas, resolveu substituir por atacado. Botou Dioguinho, Ricardinho, Danrlei, Gabriel Davis e Batista. O problema é que o PSC empacava no momento de se organizar ofensivamente.

João Vieira foi jogar na lateral direita depois que Tiago Ennes saiu e a zaga voltou a funcionar no 4-4-2. Quando não havia mais expectativa, aos 48’, uma bola alçada na entrada da área resultou em falta sobre Marlon. Na cobrança, João Vieira pegou o goleiro no contrapé e encaixou a bola no canto esquerdo, empatando o jogo. Um verdadeiro milagre na Serra.

O gol calou a comemoração que a torcida do Vila já fazia nas arquibancadas. Mais que isso: encheu de entusiasmo e confiança o time paraense, que parecia entregue ao longo do segundo tempo. Na série de penalidades, o abalo emocional dos goianos se revelou nas cobranças.

Sousa e Diego Tavares erraram para o Tigre. Gabriel Davis, o único a desperdiçar cobrança pelo Papão, isolou com um chute forte sobre o travessão. Patrick Brey – como Luiz Fernando, em 2002, na Copa dos Campeões – fechou a série. A festa começava ali e veio se completar na recepção aos jogadores na manhã de ontem, em Val-de-Cans.

Copa tem bela cerimônia de abertura e futebol tosco

Quem se aboletou na frente da TV para ver a abertura da Copa do Mundo não deve ter notado muita diferença em relação a outros eventos grandiosos do gênero. Quase todos se parecem em suntuosidade e funcionam como aperitivo para o que realmente importa: o jogo inaugural do torneio.

Aí começam os problemas. Como vem acontecendo há pelo menos 40 anos, a partida que abre a Copa funciona quase sempre como um anticlímax. Jogos fracos envolvendo forças desiguais. Desta vez, a quase ingênua seleção do Qatar não foi páreo para o rádio time do Equador.

Valencia, com o 13 às costas, marcou três vezes, mas o VAR lhe tirou o primeiro gol. Depois faria os dois tentos que definiram o placar. Gols de atacante de área, oportunista e atento aos vacilos da zaga.

Apesar do placar, o confronto foi arrastado e feio, com excesso de chutões e economia de boas jogadas. Tudo, diga-se, por culpa do time catari, limitado em todos os setores e muito mal posicionado.

Caso forçasse ataques, o Equador teria goleado os donos da casa. Alguém deve ter alertado o time de Valencia e Caicedo a pisar no freio, evitando um vexame de grandes proporções logo na estreia.

As coisas começam a esquentar hoje, com jogos mais interessantes. Holanda e Senegal, no Grupo A, às 13h (de Brasília). Inglaterra e Irã, às 10h, e Estados Unidos e Gales, às 16h, estreiam pelo Grupo B. Será, enfim, o verdadeiro começo do Mundial.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 21)

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