Com discurso confuso, presidente da Fifa se manifesta em defesa da Copa no Qatar

Na véspera da Copa do Mundo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, concedeu uma entrevista coletiva, na manhã deste sábado, em Doha, e rebateu as críticas que o Mundial no Qatar vem sofrendo nos últimos dias. O mandatário da entidade máxima do futebol discursou em prol das minorias e mandou um recado para quem é contra a realização da Copa no país árabe.

“Não assista. É como essas pesquisas que mostram alguns candidatos na frente, e depois eles não ganham. Pega bem para alguns dizer que não vão assistir, porque o Qatar isso, porque a Fifa aquilo… mas a gente sabe que essas pessoas vão assistir, talvez escondidos. Porque nada é maior do que a Copa do Mundo. Para estas pessoas, as que vão ver escondidas, eu digo que vai ser a melhor Copa do Mundo da história” “, disse Gianni.

Em uma de suas falas, Infantino tentou se aproximar das pessoas que enfrentam dificuldades no Catar, principalmente pelo histórico de direitos humanos do país do Oriente Médio. “Hoje estou com sentimentos muito fortes. Hoje me sinto catari. Hoje me sinto árabe. Hoje me sinto africano. Hoje me sinto gay. Hoje me sinto deficiente. Hoje me sinto como um trabalhador imigrante”, afirmou.

O presidente da Fifa também expôs sua experiência pessoal para dizer que compreende as dificuldades enfrentadas pelas minorias. Infantino, que é suíço-italiano, lembrou da sua infância na Suíça e diz ter enfrentando discriminação por ser estrangeiro, ter cabelo ruivo e sardas.

“Claro que eu não catari, nem árabe, nem africano, nem gay, nem deficiente, nem um trabalhador imigrante. Mas eu sinto, eu sei como é ser discriminado, como é ser tratado como um estrangeiro. Como criança na escola eu sofria bullying, porque eu tinha cabelo ruivo e sardas. Eu era italiano, então imagine, eu não falava bom alemão. O que você faz? Você vai para o seu quarto, fica mal, chora. E então tenta fazer amigos, tenta convencer os amigos a se relacionar com outros e outros. Não acusa, não insulta. Você começa a se engajar. E isso é o que nós deveríamos fazer”, disse.

O tratamento dos trabalhadores imigrantes também foi uma pauta abordada pelo dirigente da Fifa.

“Quem está realmente se importando com os trabalhadores? A FIFA se importa, o futebol se importa, a Copa do Mundo se importa e, para ser justo com eles, o Catar também. Eu estive em um evento alguns dias atrás, onde explicamos o que estávamos fazendo nesta Copa para pessoas com deficiência… 400 jornalistas estão aqui (na coletiva de hoje) aquele evento foi coberto por 4 jornalistas. Há 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo. Ninguém se importa. Ninguém se importa. Quatro jornalistas “, concluiu o presidente da Fifa.

O governo do Catar vem sendo criticado por questões políticas e culturais contra os direitos humanos, principalmente das mulheres e dos LGBTQIA+. O Código Penal do país do Oriente Médio proíbe a atividade homossexual para homens e mulheres e ainda prevê, como pena máxima, até mesmo o apedrejamento.

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