O tamanho do prejuízo

POR GERSON NOGUEIRA

Ninguém tinha dúvida quanto às dificuldades que o PSC teria pela frente na decisão da Copa Verde diante do Vila Nova (GO). A moleza das três primeiras fases acabaria no confronto pelo título. O favoritismo na chave nortista não existe em relação à chave do Centro-Oeste. A força do adversário, com boa campanha na Série B deste ano, torna tudo ainda mais difícil.

Para piorar, o PSC encarou a primeira partida da final de forma pouco arrojada. Até começou bem o jogo, pressionando com jogadas pelos lados e utilizando João Vieira e José Aldo para confundir a marcação. O chute de Vieira, bem defendido por Tony, poderia ter mudado a história do jogo.

Depois disso, porém, o PSC arrefeceu. Pressionou menos do que se esperava. É verdade que houve a falta que quase entrou, mas o mandante tem obrigações maiores numa decisão. O time de Márcio Fernandes podia ter sido mais ousado, no limite da segurança.

Jogadores como Danrlei, que tiveram um bom começo, precisam ser municiados. Se a bola não chega, não participam do jogo. Já Marlon e José Aldo seguem travados, muito abaixo do que mostraram na fase inicial da Série C.

Sem a presença efetiva desses jogadores para controlar o jogo e propor alternativas, o PSC fica limitado. O que é sempre grave diante de um time de Série B, com elenco melhor e proposta melhor definida de jogo.

Ao final, o técnico Márcio Fernandes reclamou da arbitragem. Um equívoco sério. O árbitro não penalizou o PSC. A expulsão de Leandro Silva foi correta e justa. Com um cartão amarelo nas costas, ele teve a pachorra de arrumar confusão com Wagner.

Todos que viram o bolinho formado, com empurrões e xingamentos, sabiam que o árbitro iria aplicar o cartão. Aplicou e Leandro foi excluído do jogo. Era o único atleta em campo que devia passar longe de tumulto.

O comportamento remete às atitudes destrambelhadas de Mikael na Série C, prejudicando o time diante do Vitória ao ser expulso aos 7 minutos e depois tirando o zagueiro Genilson do decisivo jogo contra o ABC.

É necessário que o clube comece a cuidar da saúde mental de seus atletas. Distúrbios de comportamento revelam problemas internos e devem ser enfrentados cientificamente, com tratamento clínico, se for o caso.

Sem Leandro, o PSC ficou à mercê do Vila. Mesmo visivelmente disposto a segurar o empate, o time goiano foi ao ataque para explorar a vantagem numérica. Quase conseguiu chegar ao gol. Kaio Nunes teve a chance de definir a partida, mas Tiago Coelho fez uma defesa excepcional.

O Vila ainda perdeu duas outras oportunidades, enquanto o PSC teve que se resguardar para evitar o pior. Um tremendo prejuízo, levando em conta que a volta será em Goiânia, no Serra Dourada lotado, contra um time que mostra apetite de campeão – item que o Papão nem sempre tem exibido.

Olho nos hermanos: eles chegam fortes, de novo

Em 2014, no Brasil, acompanhei a Argentina, paralelamente ao trabalho de cobertura da Seleção de Felipão. Começaram discretamente, foram ganhando musculatura ao longo das etapas do Mundial. Até que na reta final aceleraram e quase puseram a mão no caneco.

Nem era ainda um time bem entrosado. Nada a ver com o jogo centrado, que valoriza a posse de bola, da atual formação, comandada por Lionel Scaloni. São 33 jogos de invencibilidade, com feitos importantes pelo caminho – como a conquista da Copa América no Brasil.

O time segue jogando em função de Messi, o que é absolutamente natural, mas tem artimanhas para vencer quando ele não joga ou é muito marcado. A amplitude, buscada sempre pelos argentinos através de pontas e laterais,é mais bem sucedida do que a praticada pelo Brasil.

Ontem, em amistoso contra os Emirados Árabes, no Qatar, o time deitou e rolou. Os cinco gols foram todos em jogadas bem elaboradas. Destaque para a finalização espetacular de Di Maria no segundo e no golaço de Messi fazendo 4 a 0.

Atacar o espaço, balançar o jogo entre meio e ataque e o cerco final, antes de acionar Messi ou outro finalizador. É claro que o adversário não tinha como fazer frente, mas é fundamental observar a segurança e a estabilidade do jogo praticado pelos vizinhos. Olho neles!

Tributo especial a Isabel Salgado, musa e rainha

O vôlei estourou no Brasil com a geração masculina de Bernard, William, Montanaro e outros. A modalidade feminina veio com Isabel, Jaqueline e Vera Mossa. Furacões em quadra, magnetizando o esporte e furando a bolha do futebol.

Ficamos impressionados com as façanhas da geração feminina. Ficaríamos ainda mais maravilhados, tempos depois, com a postura cidadã de Isabel, libertária ao extremo e gigante nos posicionamentos.

Uma desbravadora. Jogando com a barriga saliente de gestante, desafiando a cartolagem e assumindo uma liderança no esporte em tempos de Brasil democrático. Quando veio o neofascismo, ela também se mostrou firme.

Revelou voto, fez campanha em 2018, alertando para o abismo que se aproximava. Não foi ouvida, como se sabe. Mas estava certíssima, como sempre. A ela, todo respeito e admiração pelos anos maravilhosos de sucesso nas quadras e de exemplo na vida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)

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