A importância da primeira final

POR GERSON NOGUEIRA

O confronto de hoje contra o Vila Nova põe o PSC pela sexta vez na decisão do torneio inter-regional criado para benefício direto dos clubes do Pará. Nas cinco finais anteriores, o Papão levou duas e bateu na trave nas outras três, sendo a mais dolorosa a que deixou escapar para o Luverdense, que envolveu a célebre cobrança à la Michael Jackson de Caíque.

O Papão não participou com o time titular na competição de 2020 e voltou em 2021, quando foi eliminado pelo maior rival. Desta vez, sem o Remo pelo caminho, a caminhada se prenunciava mais tranquila. Os principais adversários seriam Tuna e São Raimundo. A Lusa ficou pelo caminho e o time amazonense foi o adversário das semifinais.

Com ampla vantagem técnica, o PSC passou sem problemas pelo São Raimundo no segundo confronto – no primeiro, um empate que teve os amazonenses como protagonistas. A vitória categórica no sábado deu ao Papão a tranquilidade que o time precisava para se sentir de fato empoderado dentro do torneio.

Conduzido pelas boas atuações do ponteiro Robinho, melhor jogador da equipe até agora, o PSC desembarca na final na condição de disputante respeitável, com histórico consistente na CV. Ao contrário do Vila Nova, cuja única final foi a do ano passado diante do Remo, o PSC está acostumado à disputa, sabe os caminhos e atalhos.

É justamente essa condição que embala os sonhos da torcida, que anda receosa quanto às ambições do time. Alguns jogadores renderam pouco até o momento – Marlon, José Aldo – e isso ligou os alertas. Robinho é a referência ofensiva, mostra desembaraço e exibe o desejo genuíno de levantar a taça. Quem busca quase sempre alcança.

Márcio Fernandes conhece bem o Vila Nova. Esteve lá há dois anos, sabe que o time goiano vem a Belém para um jogo pragmático, de forte marcação no meio e para evitar tomar gols. O Vila está com a cabeça na decisão marcada para o Serra Dourada, em Goiânia.

O PSC tem que fazer por onde construir um resultado que torne incômoda a tarefa do Tigrão goiano na partida da volta.

A contratação que divide os corações azulinos

Diego Ivo foi anunciado no sábado como reforço azulino para o setor de defesa. A contratação causou surpresa e certo estranhamento junto à torcida. Tudo porque o experiente beque de 33 anos passou uma temporada defendendo o maior rival – nem sempre de forma qualificada.

O zagueiro ficou conhecido pelas seguidas lesões, que desfalcaram o PSC em momentos importantes. Especulou-se a existência de um problema físico crônico, informação nunca confirmada.

Nos últimos anos, Diego Ivo apareceu bem como jogador do CRB, alcançando a titularidade em boa parte da recente Série B. Sua contratação pelo Remo aparentemente leva em conta o rendimento apresentado em 2022.

Marcelo Cabo avalizou a contratação, como a de Diego Guerra, outro zagueiro de perfil controverso (pelo extracampo) e Lucas Mendes, lateral direito que estava no Operário-PR.

As dúvidas que se avolumam na cabeça do torcedor em relação às escolhas são inteiramente naturais e próprias desse período inicial de formatação do elenco. Os primeiros treinos, já em dezembro, com o grupo completo, devem servir para acalmar os espíritos. Ou não.

O destaque de um punhado de jovens na Série A

O Brasileiro revelou novos talentos, apresentando bons jogadores, que devem explodir nas próximas temporadas e configurar moeda de troca para os clubes de origem. No gol, Bento (Atlético-PR) brilhou a partir da negociação de Santos com o Flamengo. Foi um dos destaques da equipe vice-campeã da Libertadores e 6ª colocada no Brasileiro. Tem 23 anos, o que faz de seu desempenho ainda mais relevante.

Na lateral direita, Khellven, também do Furacão, tem 21 anos e maturidade de veterano. É a prova viva de que o trabalho de prospecção de talentos do Atlético está funcionando bem. Estreou entre os profissionais aos 18 anos.

O Inter apresentou como uma das revelações da Série A o longilíneo Vitão, que se mostrou um dos melhores zagueiros do campeonato. Aos 22 anos, fechou a campanha com a melhor nota no site “Sofascore”.

Outro nome surpreendente integra a lista. É Joaquim, do Cuiabá, que aos 23 anos foi um dos principais nomes da equipe do Centro-Oeste, ajudando a manter seu time na Série A apenas na última rodada.

A máquina de talentos do Palmeiras gerou Vanderlan, 20 anos. Teve participação importante no elenco campeão brasileiro. Na escassez de bons laterais, mostrou potencial para brigar futuramente por uma vaga na Seleção.

André vem da base de Xerém. Volante, 21 anos, ele trata a bola como poucos e foi peça-chave para o estilo de jogo praticado pelo Flu. Destacou-se tanto que ganhou presença na lista de 55 jogadores de Tite para a Copa.

Único gringo da seleção de jovens, Fausto Vera foi uma contratação certeira do Corinthians, que buscou o volante de 22 anos no Argentinos Juniors. Firmou-se na meiúca do time paulista em meio a medalhões.

Maurício é mais um nome que brilhou no Internacional. Surgiu ainda novo, em 2019, com a camisa do Cruzeiro. No ano seguinte, foi para o Colorado. Meia de criação, artigo de luxo no mercado, deve se valorizar nos próximos anos.

Luiz Henrique foi outra revelação do Fluminense. Aos 21 anos, foi peça importante no começo da campanha tricolor no Brasileiro. Deixou as Laranjeiras em junho, rumo ao Bétis (Espanha).

Igor Paixão, arisco e driblador, despontou como revelação do Coritiba e passou a ser especulado em grandes times do Brasil e da Europa. Quando teve a chance de jogar sua primeira Série A, não chegou a terminá-la, sendo negociado com o Feyenoord, da Holanda.

Marcos Leonardo é menino da Vila, mantendo a tradição do Peixe. A campanha foi apagada, terminando em 12º, mas o brilho do atacante de 19 anos foi intenso. Marcou 13 gols, 5º maior goleador do Brasileirão.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 15)

Deixe uma resposta