O tri da Copa Verde é logo ali

POR GERSON NOGUEIRA

Em 90 minutos, o PSC resolveu um problema de identidade e afirmação na Copa Verde. Vinha atuando mal, sem convencer nos primeiros jogos do torneio, embora vencendo e avançando sempre. O jogo com o São Raimundo, na ida em Manaus, acendeu todas as luzes de alerta. O empate chocho mostrou que o time precisava acordar. Sábado, na Curuzu, aconteceu o despertar.

Logo aos 10 minutos, o jogo começou a ser decidido. Bola na área, par zagueiro Naylhor desviar para Marlon, que fechava pela direita. O atacante deu um passe rasteiro na direção da pequena área, onde o zagueiro Genilson esperava, pronto para desviar a bola para o fundo das redes. E assim foi.

Um pouco antes, aos 6’, Marlon havia acertado um cabeceio à queima-roupa, que o goleiro Jonathan conseguiu desviar com a ponta dos dedos. Na verdade, só o PSC jogava, buscava o ataque e fazia variação de jogadas.

O São Raimundo, cuja correria constante é a única estratégia, não teve força e nem repertório para tentar pelo menos equilibrar o confronto. Ainda no primeiro tempo ficou evidente a fragilidade do conjunto e as poucas opções de ataque.

Como o técnico Márcio Fernandes cuidou de fechar os corredores laterais, com Leandro Silva na direita e Mikael na esquerda (Patrick Brey foi deslocado para atuar na construção de jogadas pelo meio), providência que anulou por completo as chances do São Raimundo.

Ainda na primeira etapa, o PSC chegou ao segundo gol. João Vieira lançou Robinho na área, este driblou o goleiro Jonathan e mais dois zagueiros que corriam em linha. Em seguida, equilibrou o corpo e mandou para o fundo das redes. Golaço. A jogada mais bonita da noite, pelos pés do melhor jogador do PSC no torneio.

Robinho tem sido o diferencial do time. Foi o jogador que melhor entendeu a importância da conquista da Copa Verde para o PSC. Tomou a dianteira e carregou a equipe rumo a um empate em Manaus quando várias peças pareciam desinteressadas, dispersas e apáticas.

Voltou a aparecer com destaque, não só pelo golaço, mas pela disposição para ir ao ataque o tempo todo. Contagiou alguns companheiros. Marlon, por exemplo, esteve mais perto do que em outras jornadas. A defesa jogou firme e sério. José Aldo, porém, seguiu errático e sem inspiração.

A exceção, no caso de Zé Aldo, foi o passe primoroso para Marlon fazer o terceiro gol, logo aos 5 minutos do segundo tempo. Um toque na diagonal, pegando a zaga completamente desarrumada. Com categoria, Marlon dominou e bateu rasteiro para sacudir o barbante.

Depois disso, o PSC continuou melhor, mas o ritmo caiu drasticamente. Ricardinho, Dioguinho e Danrlei entraram na metade do segundo período e contribuíram para dar mais qualidade ofensiva ao time. O problema é que, a essa altura, os demais setores já pareciam cansados, o que arrefeceu a busca por mais gols.

Mesmo assim, Danrlei ainda teve uma boa oportunidade. João Vieira e Ricardinho mandaram uma bola na trave. Cinco a zero talvez fosse um placar mais ajustado à realidade, mas a vitória significa muito: o PSC chega à sexta final da Copa Verde, com chances de levantar o tricampeonato.

Um argentino que sai quase campeão do Brasileiro

O argentino Juan Pablo Vojvoda Rizzo, 47 anos, terminou o Campeonato Brasileiro como o mais valorizado (e cobiçado) técnico do mercado. Comandante do Fortaleza em empolgante campanha de recuperação, após ficar 14 rodadas na lanterna da competição, ele terá nas próximas horas a difícil tarefa de avaliar propostas e definir seu futuro.

Competente, disciplinado e sério, Vojvoda já disse que não tem nada firmado com ninguém. O Fortaleza terminou o Brasileiro no 8° lugar, com 54 pontos. Pela primeira vez um time que virou o primeiro turno no Z-4 conseguiu a façanha de escapar do rebaixamento.

Vojvoda conta que sofria com algumas derrotas que ocorreram nos minutos finais, mas o abatimento não superou a convicção de que era possível reverter a situação. O Tricolor fecha o ano com os títulos do Cearense e da Copa do Nordeste, além da vaga na pré-Libertadores.

O clube vai disputar o torneio continental novamente em 2023 depois de ter avançado até às oitavas de final neste ano. Tudo obra de Vojvoda.

A partida do ‘Seu Colega’ Joaquim Antunes

Joaquim Antunes, o popular Seu Colega (chamava todo mundo assim, até quem acabava de conhecer), nos deixou ontem. Partiu num domingo, na paz dos homens de bem. Trabalhei, honrosamente, ao lado dele no começo dos anos 1980 cobrindo o dia a dia da Assembleia Legislativa. Tive sorte. Era época de uma das mais férteis safras de parlamentares paraenses.

Estavam lá Paulo Fontelles, João Batista, Zeno Veloso, Ronaldo Passarinho, Ademir Andrade, Nícias Ribeiro, Mário Chermont, Everaldo Martins, Álvaro Japirica Freitas, dentre outros, pontificavam naquela legislatura. Antunes formava uma bancada de imprensa da pesada, junto com Doró, veterano de A Província do Pará, Tadeu Telles e eu, um foca.

Aprendi muito com sua técnica impecável de abordagem a políticos em busca de notícias. Ele engrenava um papo divertido, dava voltas, tomava um cafezinho, contava piadas, fazia trocadilhos (muitos, sempre, aos borbotões) até obter o que buscava.

Tricolor de carteirinha, ele ficou famoso pelo quadro “Bolso do Repórter” que fez muito sucesso na TV Marajoara e na Rádio Clube. Sempre envergando um terno impecável de linho, bigodinho à la Zé Trindade, munido de uma simpatia irresistível, Antunes abria portas sem bater ou empurrar.

Um grande profissional do jornalismo intuitivo, pré-acadêmico, que honrou a arte da reportagem política. Um fazedor de amigos, acolhedor e afetuoso. Imenso privilégio tê-lo conhecido. Que descanse em paz!

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 14)

2 comentários em “O tri da Copa Verde é logo ali

  1. Se tudo sair como planejado pelo presidente da FPF, o time do qual ele veste a camisa por debaixo do paletó de mandatário da federação paraense de futebol será o campeão da mais insosa edição da insosa Copa Verde. Ao assumir o cargo de mandatário do futebol papa-açaí, não mediu esforços junto a CBF para que tal copa se realizasse, mesmo que de forma mambembe, pois essa seria a garantia que o clube dele, de forma fácil, poderia poderia por a mão na taça e na grana concedidas ao campeão. Calculista, sabia que as forças do Centro-Oeste participantes da Série A do Brasileirão não se interessariam em participar nem com times B e o grande rival local estava fora de combate com a eliminação na Série C e elenco desfeito. Então, no caminho do clube do cartola da FPF ficaram somente clubes regionais de segundo e terceiro escalão, uma baba pra quem tinha preservado a espinha dorsal do elenco que disputou a Série C. Mas, como o futebol é esporte de pregar peças, o tiro pode sair pela culatra, pois o adversário que surgiu para disputar a final é o calejado Vila Nova. Muito se fala da decadência do futebol paraense, e as causas apontadas são muitas. Destaco aqui uma delas: a esperteza de dirigentes que, em busca de migalhas, são capazes de tudo.

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