Os primeiros passos do Leão

POR GERSON NOGUEIRA

O processo de retomada que o Remo tenta estruturar para 2023 teve um importante ponto de impacto nesta semana. Depois de dias de uma aparente paralisia, a diretoria do clube começou a agir. Anunciou o novo executivo de futebol, Tiago Gasparino, e logo em seguida soltou as duas primeiras contratações para a próxima temporada: os volantes Anderson Uchoa e Franco, ex-Náutico.

É incerto dizer, como tudo em futebol, que os planos estão ajustados e prontos a dar certo, mas é inegável que um começo consistente é a base de tudo. A escolha do executivo contemplou o perfil buscado pelo clube para a função, com maior participação do profissional e envolvimento com os projetos internos, não apenas a contratação de atletas.

Ao mesmo tempo, concilia estilos, pois Gasparino tem a ver com a forma de trabalho do técnico Marcelo Cabo. É certo que ambos têm muito a contribuir para o estabelecimento de um novo sistema dentro do futebol do Remo, com ênfase na busca de qualidade e no aproveitamento de valores formados pelo próprio clube.

É uma tentativa pensada a partir dos muitos erros cometidos em 2021 na Série B e neste ano ao longo da campanha no Brasileiro da Série C. Quase sempre atrelada a uma política confusa e errática de contratações, a gestão do futebol tornou-se o calcanhar-de-aquiles da atual administração.

Mesmo com índices altíssimos de aproveitamento junto ao torcedor pelo trabalho fora de campo, o Remo de Fábio Bentes ficou a dever quanto a êxitos e metas no futebol profissional. Um sinal de que essa situação foi bem observada veio da decisão de mudar por completo a estrutura do futebol logo após a eliminação na Série C.

Um golpe de sorte, incomum no futebol brasileiro de hoje, propiciou a contratação de um técnico de renome na Série B para comandar o time. Marcelo Cabelo abraçou a causa, iniciou trabalhos e agora vai se juntar ao executivo Tiago Gasparino para fechar a montagem do elenco para 2023.

Obs.: neste sábado, 12, o clube anunciou a renovação do contrato do lateral esquerdo Leonam (foto) e a contratação do experiente zagueiro Diogo Ivo, que estava no CRB e já defendeu o rival PSC.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, hoje excepcionalmente mais cedo, às 19h30, em função da transmissão da NBA. Em pauta, as semifinais da Copa Verde e as finais da Segundinha Paraense. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Edição é de Lourdes Cezar.

Guinada no ranking da CBF favorece o Leão

A CBF anunciou na sexta-feira uma mudança importante no ranking de clubes do Brasil. Entre os 40 primeiros, surge o Remo, depois de longo inverno. Está lá por força do acesso à Série B 2021 e a conquista da Copa Verde e do Parazão 2022. Pela primeira vez, o Leão supera o tradicional rival desde que a CBF mudou critérios e sistemas de ranqueamento.

O Remo galgou quatro posições e aparece em 38º lugar, com 3.424 pontos. Já o PSC despencou três posições e surge na 43ª posição, com 3.054 pontos.

De desagrados e desconfianças vive o Brasil de Tite

As seleções se preparam para invadir o Catar com seus melhores valores, em tese. A Copa do Mundo é movida basicamente por confiança cega, mesmo que isso colida acintosamente com a realidade. Das 32 equipes, oito no máximo – Alemanha, Inglaterra, França, Brasil, Argentina, Holanda e Bélgica – têm chances de levantar o troféu na final de 18 de dezembro.

Japão e Estados Unidos, figurantes de luxo em todos os mundiais, chegaram antes. Já treinam no país que é a joia do Oriente Médio. O Brasil será o último país a se apresentar, talvez pela velha marra de pentacampeão do mundo.

Não faz diferença. Chegar cedo ou tarde não muda os primados básicos do jogo. Vai levar a melhor quem tiver os jogadores mais qualificados e o esquema tático mais condizente com a realidade do torneio.

O Brasil de Tite, como é tradição, chega sob a aura de favorito. Nas bancas de apostas, é cotadíssimo como campeão. Quase todas as Copas mostraram isso em seu início. A sorte, porém, nem sempre encontra correspondência no jogo que é jogado nas quatro linhas.

Como de hábito também, a Seleção Brasileira tem lá seus caroços difíceis de engolir. Fred, meio-campista do Manchester United, é um caso típico de antipatia nacional. Ficou marcado como jogador “de confiança” de Tite em 2018. Foi peça irrelevante nas partidas.

O próprio Paquetá, revelado pelo Flamengo e hoje no futebol europeu, é pouco admirado. Há sempre um porém em relação à sua performance no escrete. Mostra-se bem ajustado com Neymar, o que explica sua sobrevivência no time.

E há Gabriel Jesus, que provavelmente nem será titular de cara, mas cujo desempenho na Copa da Rússia provoca alergia nos torcedores mais arrebatados. Como o notório Daniel Alves, Jesus está na cota da “família Tite”.

Que nenhum desses ‘parentes’ tenha que pegar em armas, é o que esperamos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 13)

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