Futuro presidiário

“Bolsonaro disse um dia que só três alternativas o tirariam do Planalto: ser preso, ser morto ou perder a eleição. ‘A primeira alternativa não existe’, arrotou — frase que eu de vê-lo repetir agora. A terceira já se confirmou. E ninguém lhe deseja a segunda. Ao contrário, todos o querem vivo para pagar por seu legado. Pena Bolsonaro não ter tempo de vida para cumprir todas as sentenças que receber […]”.

Ruy Castro, jornalista e escritor

A vitória gigante de Lula e o papel de Helder nisso tudo

POR GERSON NOGUEIRA

Há uma semana, o Brasil foi às urnas votar para sepultar o fascismo e a destruição. Costuma-se dizer que a vitória tem vários pais, a derrota normalmente é órfã. Desta vez, além da fenomenal presença de Lula a unificar a luta, o triunfo foi de todos. Contribuição coligada contra o extermínio, o descalabro e a dor. Um conjunto excepcional de esforços empreendido em todas as regiões do país. A diferença final de 2.139.645 votos deu bem a dimensão da importância dramática do resultado final.

No Pará, Lula recebeu 2.509.084 votos, 435.189 a mais que o adversário. A Amazônia, como um todo, legou ao petista 4.590.184 votos, quantidade fundamental para alicerçar sua vitória. Mensurar esses números remete de imediato ao imenso papel de Helder Barbalho (MDB), governador do Pará, para arrebanhar tal universo de sufrágios numa região esquecida e maltratada ao longo do atual governo. Aliás, nunca o Estado havia sido tão decisivo numa eleição presidencial.

Quando Helder anunciou publicamente apoio a Lula, ao final do primeiro turno das eleições, não estava brincando. Prometeu ir à luta, percorrendo o Pará a fim de conquistar mais votos ainda para o ex-presidente. Quem conhece o estilo arrebatado e firme do governador sabia que ele falava sério. E foi o que se viu ao longo de toda a intensa e curta campanha do segundo turno.

Helder rodou o interiorzão do Pará, incansavelmente, levando a mensagem de Lula e pedindo engajamento de prefeitos, vereadores e deputados recém-eleitos no Estado. Arrebatado, cobrou responsabilidades e a busca incessante por mais votos em Lula. No twitter e demais redes sociais, era constante a publicação de comentários e gracejos sobre o fato de Helder ter “suado mais a camisa” por Lula do que pela própria reeleição.

A adesão funcionou. Lula manteve a ampla dianteira obtida no primeiro turno, já com a ajuda de Helder, embora ainda não formalizada. Com os votos arrebanhados no segundo turno, mais a conquista (por pequena margem) no Amazonas, Lula saiu vitorioso na região Norte, um dado importante no cenário do patrimônio de votos que o impulsionam ao terceiro mandato inédito.

O primeiro ato prático e público com a presença do presidente eleito ocorre nos próximos dias, no Egito. É a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas/COP-27 (de 6 a 18 de novembro). Na sexta-feira, Lula confirmou que participará como convidado do evento, integrado à comitiva do governador Helder Barbalho, em nome do Consórcio de Governadores da Amazônia Legal.

Alguém tem alguma dúvida do protagonismo que o Pará começa a ganhar no futuro governo?