Grande glória botafoguense

POR GERSON NOGUEIRA

Como é normal em ano de Copa do Mundo, a expectativa da torcida está na divulgação da lista final de convocados para defender a Seleção Brasileira no mundial do Catar. Nesta segunda-feira, 7, o mistério em torno dos 26 nomes escolhidos por Tite será finalmente desfeito. Em meio às especulações e palpites, há um fato de forte valor simbólico: que clube mais contribuiu com jogadores para as participações brasileiras em Copas?

O Botafogo lidera amplamente essa estatística há décadas, com 47 convocações desde o Mundial de 1920, quando a Fifa passou a organizar a Copa do Mundo. Mas, em consequência dos maus pedaços vividos pelo clube nos últimos anos, o último jogador botafoguense que chegou a uma Copa foi o goleiro Jefferson, reserva de Júlio César em 2014.

O domínio botafoguense tem a ver com os anos de apogeu vividos entre 1950 e 1970. Duas décadas fundamentais para a história botafoguense e para o futebol do Brasil. Foi nesse período que o Brasil, em boa parte por contribuição alvinegra, conquistou as três Copas (1958, 1962 e 1970) que moldaram em definitivo nossa imagem de país do futebol. E isso se deve grandemente – os números não mentem – à mítica Estrela Solitária.

Na história dos mundiais, algumas agremiações ficaram marcadas por ceder grande quantidade de jogadores para a Seleção. Nos últimos anos, a expansão das carreiras rumo ao primeiro mundo da bola reduziu a contribuição dos clubes nacionais. Ocorre que, historicamente, são os times nacionais que dominam a lista dos mais chamados.

Para a Copa 2022, nenhum atleta da equipe carioca estará na lista definitiva do técnico Tite, mas o Botafogo não corre o risco de ter sua marca igualada, pois o São Paulo (2º colocado, com 46 convocações) também não deverá ter atletas listados para ir ao Catar.

Os últimos jogadores do Tricolor do Morumbi chamados foram Rogério Ceni e Mineiro, em 2006. O Vasco, com 35 representantes em Copas, é o terceiro clube que mais colaborou com o escrete.

Completam o Top 10 dos grandes fornecedores de jogadores para a Seleção os seguintes clubes: Flamengo, 33 jogadores; Fluminense, 32 jogadores; Santos, 24 jogadores; Corinthians, 23 jogadores. Palmeiras, 23 jogadores; Atlético-MG, 12 jogadores; e o Cruzeiro, com 11 jogadores.

Após o anúncio oficial dos convocados, amanhã, um clube estrangeiro entrará na lista seleta. O Real Madrid, da Espanha, que atualmente soma dez jogadores convocados, deve ultrapassar o Cruzeiro, que ocupa o 11º lugar, devido à presença certa de Vinícius Junior e Eder Militão na lista, além da provável convocação de Rodrygo.

A entrada de times estrangeiros na contagem ocorre pelo crescimento galopante da migração de atletas brasileiros para o exterior nos últimos 30 anos, a partir do caminho aberto pela Lei Bosman, que facilitou o acesso de estrangeiros aos clubes europeus nos anos 1990.

Em 1986, segundo levantamento do site Sambafoot, foram chamados para a Copa da França 20 jogadores de times brasileiros e apenas dois que estavam atuando em outros países. Quatro anos depois, para a disputa da Copa da Itália, o cenário começou a se inverter, com 12 jogadores atuando no exterior e 10 no Brasil.

Assim, a Copa do Mundo no Catar será, muito provavelmente, a quinta seguida em que o Brasil tem menos de cinco jogadores atuando nacionalmente. Até o momento, todas as vezes em que o Brasil ganhou, a Seleção tinha mais convocados jogando dentro do país – caso o hexa seja conquistado este ano, este será um novo marco.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, às 22h30, na RBATV, com as presenças de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a Copa Verde e a movimentação do Remo para formação de um novo elenco. A edição é de Lourdes Cezar.

Intolerância: uma chaga a ser contida a todo custo

Atos de xenofobia explícita, preconceitos aflorados pela recente disputa presidencial, escancaram uma cultura de intolerância que parece não ter mais freios no Brasil. O último disparate vem da diretora de responsabilidade social do Flamengo, que compartilhou na internet agressões gratuitas ao povo do Nordeste, onde Lula recebeu sua votação mais expressiva. Importante: a diretora de um clube que tem na região um gigantesco nicho de torcedores.

A raiva incontida, causada pela democracia em alguns setores da sociedade brasileira, está no fato de que o voto da favela tem o mesmo peso do voto do condomínio. As regras são essas, não há como subverter. Daí nasce a intolerância em relação ao diferente.

Como é próprio dos que adotam a ignorância e a desfaçatez como estilo de vida, Ângela Machado, que é casada com o presidente do clube, Rodolfo Landim, recuou cinco dias depois, sob pressão de críticas da própria torcida rubro-negra. Afinal, como nordestina que é, soa absolutamente insano o ataque pesado à região. Sem convencer, ela pediu desculpas aos conterrâneos, embora não assumindo ter escrito os desaforos.

“Peço desculpas pelo meu erro, reconheço e respeito o processo democrático e o resultado das urnas. E torço para que o próximo governo tenha êxito pelo bem do nosso país, independente (sic) de qualquer ideologia. Peço desculpas também ao povo nordestino, aos sergipanos e a todos que, de alguma forma, feri com meus atos. E, inclusive minha família, com quem me desculpei diretamente”, escreveu, lembrando que sente orgulho de ser nordestina de nascimento.

Na segunda-feira, 31, Ângela havia compartilhado o seguinte texto em seu Instagram. “Ganhamos onde se produz, perdemos onde se passa férias. Bora trabalhar porque se o gado morrer, o carrapato passa fome”. A frase faz referência óbvia à vantagem que Lula obteve na região Nordeste. Foram 69,34% dos votos sobre Jair Bolsonaro.

Mesmo que a dirigente flamenguista não tenha sido absolutamente sincera ao se desculpar, que a lição seja aprendida. Respeito é fundamental sempre, sob qualquer circunstância, fora ou dentro de período eleitoral.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 05)

Derrota imposta à maquina fascista torna vitória de Lula um acontecimento épico

Por Jeferson Miola, no Brasil247

Bolsonaro não aceitaria a vitória eleitoral do Lula em nenhuma hipótese; ele é, como sempre foi, uma pessoa incompatível com a democracia e com a civilização. Além disso, a deslegitimação do resultado eleitoral é uma estratégia da extrema-direita para a mobilização e engajamento permanente da matilha fascista “contra o sistema”.

O despeito do Bolsonaro com o fracasso é ainda maior porque ele não acredita que não tenha conseguido se reeleger mesmo tendo montado a mais poderosa e corrupta máquina de guerra contra a democracia. Uma estrutura ilegal e criminosa nunca antes vista.

Bolsonaro só foi eleito em 2018 porque Lula foi ilegalmente impedido de concorrer. Naquela eleição, a triangulação envolvendo o Alto Comando do Exército, a gangue da Lava Jato e setores do judiciário entregou de mão beijada a condição ideal para ele ser eleito.

Para a eleição deste ano, contudo, depois da desmoralização da monstruosa farsa da Lava Jato, ficou impossível interditar Lula eleitoralmente por meio de qualquer artifício do estilo.

Bolsonaro e os militares ficaram, então, com duas opções para tentarem continuar o projeto de poder autoritário, reacionário e ultraliberal: ou providenciavam a eliminação física do Lula, o que seria um tiro pela culatra; ou montavam a máquina do crime que efetivamente montaram.

Ainda estamos longe de apreender e contabilizar a dimensão plena do que foi feito pela campanha fascista nos grotões de todo país. O saldo líquido da montanha de dinheiro usado neste esquema criminoso e corrupto, segundo as informações preliminares, indicam um rombo de R$ 400 bilhões nas finanças do país.

A reportagem do jornalista Caco Barcellos, da TV Globo, é uma amostra representativa do método de cabresto e de compra de votos que o governo militar empregou em mais de cinco mil municípios. Este esquema envolveu bilhões em benefícios sociais direcionados de modo clientelístico.

A CODEVASF [Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba] foi um entreposto na região nordeste do esquema bilionário e corrupto do orçamento secreto.

Reportagem do jornal Folha de São Paulo apurou que a Companhia chegou a liberar verbas para corrupção eleitoral e clientelismo a um ritmo alucinante de R$ 100 mil por hora – sim, R$ 100 mil por hora! – em redutos controlados por políticos e militantes da extrema-direita.

Patrões inescrupulosos da escória empresarial [industrial, comercial, do setor de serviços, financeiro e agropecuário], além de financiarem a campanha do Bolsonaro com mais de R$ 100 milhões, coagiram e ameaçavam de demissão trabalhadores caso não votassem no candidato fascista.

Charlatães religiosos se jogaram na guerra religiosa e promoveram terrorismo informacional com imundícies e mentiras sobre Lula, o PT e a esquerda nos templos caça-níquel e nas redes sociais.

Suspeita-se que a articulação internacional da extrema-direita coordenada por Steve Bannon tenha aportado outros 40 milhões de dólares para a campanha do Bolsonaro por vias ilegais e clandestinas, insuscetíveis de controle pela justiça eleitoral.

Foi desenvolvida uma guerra cibernética devastadora e arrasadora com recursos, tecnologias, dispositivos e estratégica militar – financiada pela lúmpem-burguesia e com dinheiro público e comandada desde o Palácio do Planalto, ministérios e órgãos militares, de inteligência e espionagem do governo.

Apesar disso tudo e do poder avassalador desta máquina fascista de guerra contra a democracia, Lula venceu. Só ele, e nenhum outro político brasileiro conseguiria derrotar o fascismo, menos ainda neste contexto de roubo, fraude, manipulação e corrupção eleitoral da extrema-direita.

Lula era a única e, ao mesmo tempo, a última trincheira de resistência da democracia para deter o avanço fascista-militar. Só Lula conseguiria catalisar a gigantesca mobilização do povo brasileiro que lhe permitiu protagonizar esta conquista histórica e decisiva para o Brasil e para todo o planeta.

A vitória do Lula é superlativa e, também, marcada por recordes. Com 60.345.999 votos, ele gravou a maior votação já obtida por um candidato. E Lula é também o primeiro presidente da história republicana a ser eleito democraticamente três vezes para governar o país.

A derrota imposta à máquina de guerra fascista torna a vitória do Lula um acontecimento épico. O mundo inteiro, e não só o Brasil, respira aliviado com esta vitória memorável do Lula. Afinal, ele quebrou um dos principais elos da engrenagem da extrema-direita internacional.

No próximo período, Lula será fundamental para a desfascistização do Brasil e terá uma contribuição fundamental no combate internacional ao fascismo. Seu governo poderá avançar nesta direção por meio de uma diplomacia antifascista e construtora de um mundo plural, democrático, de respeito humano e de preservação das conquistas civilizatórias da humanidade.

Localizado, “Patriota do caminhão” está chateado por ter sido “muito exposto”

O comerciante Junior Cesar Peixoto falou finalmente na tarde desta sexta-feira (4) após virar o personagem maior das manifestações bolsonaristas pregando golpe de Estado no país. Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram o apoiador de Jair Bolsonaro (PL) agarrado a um caminhão em plena rodovia. A cena bizarra virou de imediato memes por toda a internet. O blog foi atrás de registros, rastros e sinais de fumaça sobre o inusitado personagem.

O defensor do presidente Jair Bolsonaro (PL) que foi gravado enquanto estava pendurado a um caminhão em Caruaru, no agreste de Pernambuco, disse ao g1 que foi “muito exposto” nas redes sociais. Vídeos do momento viralizaram nas redes sociais e Junior Cesar Peixoto já é conhecido como “patriota do caminhão”. “Eu não queria conversar porque já fui muito exposto”, disse o comerciante Junior Cesar Peixoto em uma breve conversa por telefone.

Na ligação, o comerciante evitou responder outras perguntas sobre o caso e preferiu encerrar a conversa sem dar mais detalhes do ocorrido ou da repercussão do caso. Peixoto compartilha em suas redes sociais mensagens de apoio ao atual presidente.

Os vídeos em que o bolsonarista é flagrado pendurado em um caminhão durante as manifestações em Caruaru, no início da semana, viralizaram nas redes sociais e geraram uma infinidade de memes.

Segundo testemunhas, o motorista teria furado um bloqueio feito pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) na altura do km 130 da BR-232. Um dos bolsonaristas subiu na frente do caminhão e ficou pendurado tentando impedir a passagem do veículo, que anda alguns quilômetros com o homem no para-brisa.

O bolsonarista então faz um sinal com a cabeça para o motorista parar. “Vou parar ali para você descer, você desce, beleza? Não quero confusão, velho, tô trabalhando. Saí da minha casa… tenho três filhos”, disse o caminhoneiro.

A Polícia Rodoviária Federal não foi notificada oficialmente do episódio. Os bloqueios ilegais são feitos por bolsonaristas contrários ao resultado das eleições. Lula (PT) foi eleito presidente, derrotando Bolsonaro (PL). O atual presidente foi o primeiro mandatário a tentar e não conseguir um segundo mandato.

Na extensa lista de montagens feitas a partir do episódio e compartilhadas nas redes sociais, destaques para vários memes sobre a passagem do “patriota” por pontos turísticos mundiais e do Pará. Entre os memes, há uma montagem do caminhão com a narração histórica de uma corrida de Ayrton Senna na voz de Galvão Bueno.

Em outra, o bolsonarista agarrado no caminhão decola para chegar a Marte.

No Twitter, um usuário fez uma comparação da imagem do manifestante pendurado no para-brisa do caminhão com a foto de divulgação da música “Girl from Rio”, da cantora Anitta, na qual ela posa em frente a um ônibus. “Gado from protesto”, diz a imagem.

(Com informações de g1, Terra, Extra e Folha SP)