Muitas feridas históricas foram fechadas sem limpar e agora inflamaram

“Eu acho tudo isso que está acontecendo positivo no macro, embora esteja sendo dificílimo no micro. Explico: todo esse ódio, toda essa ignorância, essa violência, isso tudo já existia ao nosso redor. Agora é como se tivessem tirado da gente a possibilidade de fingir que não viu. Caíram as máscaras. O Brasil é um país construído em bases violentas, mas que acreditou no mito do ‘brasileiro cordial’. Um país que deu anistia a torturadores e fingiu que a ditadura nunca aconteceu. Que não fez reparação pela escravidão e fala que é miscigenado e não é racista. Nós fechamos muitas feridas históricas sem limpar e agora elas inflamaram. Estamos sendo obrigados a ver que o Brasil é violento, racista, machista e homofóbico. Somos obrigados a falar sobre a ditadura ou talvez passar por ela de novo. Estamos olhando para as bases em que foram construídas nossas famílias e dizendo ‘Essa violência acaba em mim. Eu não vou passar isso adiante’. Como todo processo de cura emocional, esse também envolve olhar pras nossas sombras e é doloroso, sim, mas é o trabalho que calhou à nossa geração.
O lado positivo é que, agora que estamos todos fora dos armários, a gente acaba descobrindo alguns aliados inesperados. Percebemos que se há muito ódio, há ainda mais amor. Saber que não estamos sós e que somos muitos, nos deixa mais fortes. Precisamos nos fortalecer, amores. Essa luta não é dos próximos 15 dias, é dos próximos 15 anos. Mais: é a luta das nossas vidas. Não cedam ao desespero. Não entrem na vibe da raiva. Não vai ser com raiva que vamos vencer a violência. E se preparem, tem muito chão pela frente”.

(Autor desconhecido)

3 comentários em “Muitas feridas históricas foram fechadas sem limpar e agora inflamaram

  1. Peter Pál Pelbart desmentiu, ainda em 2019, a autoria desse texto. Hoje a N-1 Edições também republicou nota esclarecendo que a autoria não é do Peter e ele não assume essas palavras, discordando de posições como a fala inicial de “é positivo no Macro”. Abraços

  2. Muitas feridas históricas… este texto é de Peter Pál Pelbart – filósofo, tradutor, ensaísta, professor húngaro, residente no Brasil.

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