Golpe nas estradas: PRF faz abordagens para impedir que eleitores cheguem às seções eleitorais

Em um movimento de sabotagem eleitoral, a Polícia Rodoviária Federal do governo de Jair Bolsonaro (PL) descumpriu uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibia operações envolvendo transporte de eleitores neste domingo (30) e já realizou 514 abordagens em ônibus até 12h35 de hoje, informa a Folha de S. Paulo.

Tais abordagens estão dificultando a locomoção de eleitores do ex-presidente Lula (PT), especialmente no Nordeste. Somente no Alagoas, foram 82 abordagens a ônibus feitas pela PRF. O número total de abordagens no país já é 70% maior em relação ao primeiro turno.

A reportagem da Folha teve acesso a documentos da PRF do Paraná que orientavam foco das abordagens policiais em transportes de passageiros: “A fiscalização deverá ser focada nos veículos transportadores de passageiros, com o intuito de prevenir acidentes de trânsito nesse período que há um incremento de movimentação de passageiros, e de verificar possíveis crimes eleitorais, especialmente transporte irregular de passageiros ou dinheiro”.

PLANEJAMENTO NO ALVORADA

Segundo a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, a ação protagonizada hoje pela Polícia Rodoviária Federal que acontece nas estradas brasileiras com ações que dificultam o transporte de eleitores começou a ser articulada na noite do dia 19 de outubro. Naquela quarta-feira, o núcleo duro da campanha de Jair Bolsonaro se reuniu no Palácio da Alvorada e traçou as ações fundamentais que deveriam ser tomadas na reta final do segundo turno.

Uma delas era justamente a operação que está sendo empreendida desde esta madrugada: os chefes dos órgãos que auxiliam a Justiça Eleitoral, como as Forças Armadas, PF e Polícia Rodoviária Federal, seriam instruídos para que os seus comandados ficassem atentos ao transporte irregular de eleitores, sobretudo no Nordeste. Obviamente, nunca se tratou de uma preocupação com a marca da imparcialidade.

Desde sempre, a expectativa do comando bolsonarista é que fossem barradas, impedidas ou dificultadas apenas eventuais locomoções irregulares de eleitores de Lula. Segundo a coluna, um integrante da campanha disse: “Nem seria preciso dar uma ordem explícita para nada. Como o efetivo dessas forças policiais é basicamente composto de simpatizantes do presidente, a consequência de uma operação como essa é óbvia”.

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