Bolsonaro não tem onde buscar votos para virar eleição, afirma professor da UFMG

Da Revista Fórum

O professor Dawisson Belém Lopes, diretor-adjunto de Relações Internacionais da UFMG, afirmou nesta quinta-feira (20), em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, que o estoque de votos disponíveis para serem conquistados à Presidência. “O estoque de votos disponíveis para os dois candidatos está acabando e a única alternativa para Bolsonaro é virar os votos de Lula, o que é muito difícil. Resta a Bolsonaro, que está em segundo, baixar o teto de Lula e, no limite, a coação”, disse.

Em um fio na sua conta do Twitter, Dawisson lembra que “entre as empresas que fizeram pesquisas no 1o turno, as seguintes mantiveram-se mais ou menos consistentes na direção/sentido: Atlas, Datafolha, FSB, MDA, Ideia, Ipec, Ipespe, PoderData, Quaest”.

“Entre elas”, prossegue, “a diferença entre Lula e Bolsonaro, em votos totais, varia, hoje, entre quatro e seis pontos percentuais. A dez dias da batalha final, ainda existe uma barreira de cinco milhões de votos, numa projeção conservadora, interpondo os dois”.

O professor afirma que, de fato, “as últimas pesquisas dão tendência, muito lenta e incremental, de redução da margem. Ela adverte, no entanto, que “na atual velocidade e escala, não haverá ultrapassagem. Bolsonaro teria de acelerar”.

“Aqui começa o problema: os votos que serviram para reduzir levemente a margem vieram, segundo as pesquisas, menos de Lula e mais de indecisos/brancos/nulos”, ressalta. Ele destaca que este estoque, que gira em torno de 5%, “não é suficiente para cacifar a virada”.

Ele lembra que “quem vota em Lula, não vota em Bolsonaro. E vice-versa. Há raríssimos casos de conversão”

“Se não há estoque de votos de indecisos, brancos e nulos, e se não há muita chance de viragem de voto, qual pode ser a carta na manga do bolsonarismo? As abstenções, claro. Mas notem, também, que aqui o jogo é menos simples para Bolsnaro do que parece”, alerta Dawisson.

O professor prossegue: “segundo simulação feita pela Quaest, a distorção, no primeiro turno, foi da ordem 6:4. Em números aproximados, cada ponto adicional de abstenção, a partir do patamar já alto de 21% (1o turno), tiraria 0.2 pontos percentuais da vantagem de Lula. Se bater em absurdos 25%, reduz 1 ponto na margem”.

“Há também atenuantes: não houve mobilização no 1o turno, do lado de Lula, contra a abstenção. Parece já ter havido do lado bolsonarista. Além disso, há a dificuldade imposta pelo feriado de 2 de novembro. Não creio em impacto significativo, mas, se houver, é contra Bolsonaro”, destaca.

“Ou seja: ainda que seja incrível que estejamos, a esta altura do campeonato, ainda considerando a real hipótese de vitória de Bolsonaro (e é incrível mesmo), as chances de Lula seguem altas. Consideravelmente mais altas”, afirma.

E finaliza: “a 10 dias do fim de um longo ciclo, há que seguir fazendo campanha. Mas é FUNDAMENTAL cuidar da logística antiabstenção. De aspectos institucionais (prefeituras) a caronas solidárias a parentes/amigos (sociedade civil), esta será a última fronteira da disputa”, encerra.

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