“Fim da aposentadoria”, diz representante de sindicato sobre o plano de Paulo Guedes

Por Chico Alves, no UOL

O plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, para desvincular o salário mínimo e, consequentemente, a aposentadoria da inflação passada foi duramente criticado pelo presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), João Inocentini, de 72 anos. A intenção foi revelada ontem pelas jornalistas Idiana Tomazzelli e Julianna Sofia, na Folha de S. Paulo. A ideia é fazer indexação pela previsão de inflação futura.

“Se isso acontecer vai ser o fim da aposentadoria, vai chegar o tempo de não podermos comprar nem metade da cesta básica”, disse Inocentini à coluna. “Eles estão tentando fazer isso há tempos e nós estamos conseguindo segurar. Mas em um novo governo certamente vão querer botar em prática”.

Questionado sobre o assunto, Guedes confirmou que a desindexação está na pauta , mas disse que “não vai no meio do jogo mudar a regra” e afirmou ser “garantido que vai ser pelo menos a inflação passada”. Não explicou, porém, até quando o atual parâmetro será mantido.

“Isso vai levar todas as aposentadorias para um achatamento enorme”, lamenta Inconetini. “Seriam mais de 40 milhões de aposentados caindo na zona de miséria, de pobreza total”. Ele diz que o atual governo sempre quis fazer essa mudança, assim como a gestão de Michel Temer e até no governo Dilma Rousseff algumas pessoas defenderam a ideia.

“Antes de indexar à inflação, o salário mínimo era uma miséria. A gente já viveu essa história e não deu certo. Depois da vinculação, as pessoas passaram a ter um ganho melhor, a consumir mais e o país não quebrou, como disseram que iria quebrar”, diz o presidente do sindicato. O Sindnapi tem 400 mil filiados e representação em 24 estados.

“Se eles vencerem a eleição, vão implantar isso aí. Assim como não vão segurar o preço da gasolina”, alerta Inocentini. “O eleitor tem que pensar bem e decidir o que quer”.

Ao lado de Lula, Tebet diz que “lugar de pedófilo é na cadeia”

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) durante ato de campanha junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) hoje (21) em Minas Gerais. Em Teófilo Otoni (MG), a 490 km de Belo Horizonte, a candidata derrotada lembrou a fala do presidente sobre as adolescentes venezuelanas e disse que “lugar de pedófilo é na cadeia”.

Esta é a primeira grande agenda de Tebet com o ex-presidente. No evento, o petista recebeu também o apoio do vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant (PSDB), que já havia declarado voto em Lula após o primeiro turno, enquanto o governador reeleito Romeu Zema (Novo) apoiou oficialmente Bolsonaro, de quem foi próximo.

Lula cumpre agenda em três cidades de Minas, estado considerado crucial para a campanha, entre hoje e amanhã (22). O petista tem focado no Sudeste neste segundo turno para tentar manter a vantagem sobre Bolsonaro. Na caminhonete que levou o ex-presidente, também estava a deputada eleita Marina Silva (Rede-SP). O ex-presidente vai para Juiz de Fora (MG) ainda nesta tarde e, no sábado, faz caminhada em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. (Com informações do UOL)

É hora de virar voto pra Lula

Um grupo de artistas e jornalistas foi até a feira do Ver-o-Peso para um esforço de campanha junto aos trabalhadores do mercado de peixe e à multidão que frequenta diariamente o local. A atriz Dira Paes, o cantor Elói Iglesias e a jornalista Úrsula Vidal (ex-secretária de Cultura do Estado) participaram da mobilização.

Bolsonaro não tem onde buscar votos para virar eleição, afirma professor da UFMG

Da Revista Fórum

O professor Dawisson Belém Lopes, diretor-adjunto de Relações Internacionais da UFMG, afirmou nesta quinta-feira (20), em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia, que o estoque de votos disponíveis para serem conquistados à Presidência. “O estoque de votos disponíveis para os dois candidatos está acabando e a única alternativa para Bolsonaro é virar os votos de Lula, o que é muito difícil. Resta a Bolsonaro, que está em segundo, baixar o teto de Lula e, no limite, a coação”, disse.

Em um fio na sua conta do Twitter, Dawisson lembra que “entre as empresas que fizeram pesquisas no 1o turno, as seguintes mantiveram-se mais ou menos consistentes na direção/sentido: Atlas, Datafolha, FSB, MDA, Ideia, Ipec, Ipespe, PoderData, Quaest”.

“Entre elas”, prossegue, “a diferença entre Lula e Bolsonaro, em votos totais, varia, hoje, entre quatro e seis pontos percentuais. A dez dias da batalha final, ainda existe uma barreira de cinco milhões de votos, numa projeção conservadora, interpondo os dois”.

O professor afirma que, de fato, “as últimas pesquisas dão tendência, muito lenta e incremental, de redução da margem. Ela adverte, no entanto, que “na atual velocidade e escala, não haverá ultrapassagem. Bolsonaro teria de acelerar”.

“Aqui começa o problema: os votos que serviram para reduzir levemente a margem vieram, segundo as pesquisas, menos de Lula e mais de indecisos/brancos/nulos”, ressalta. Ele destaca que este estoque, que gira em torno de 5%, “não é suficiente para cacifar a virada”.

Ele lembra que “quem vota em Lula, não vota em Bolsonaro. E vice-versa. Há raríssimos casos de conversão”

“Se não há estoque de votos de indecisos, brancos e nulos, e se não há muita chance de viragem de voto, qual pode ser a carta na manga do bolsonarismo? As abstenções, claro. Mas notem, também, que aqui o jogo é menos simples para Bolsnaro do que parece”, alerta Dawisson.

O professor prossegue: “segundo simulação feita pela Quaest, a distorção, no primeiro turno, foi da ordem 6:4. Em números aproximados, cada ponto adicional de abstenção, a partir do patamar já alto de 21% (1o turno), tiraria 0.2 pontos percentuais da vantagem de Lula. Se bater em absurdos 25%, reduz 1 ponto na margem”.

“Há também atenuantes: não houve mobilização no 1o turno, do lado de Lula, contra a abstenção. Parece já ter havido do lado bolsonarista. Além disso, há a dificuldade imposta pelo feriado de 2 de novembro. Não creio em impacto significativo, mas, se houver, é contra Bolsonaro”, destaca.

“Ou seja: ainda que seja incrível que estejamos, a esta altura do campeonato, ainda considerando a real hipótese de vitória de Bolsonaro (e é incrível mesmo), as chances de Lula seguem altas. Consideravelmente mais altas”, afirma.

E finaliza: “a 10 dias do fim de um longo ciclo, há que seguir fazendo campanha. Mas é FUNDAMENTAL cuidar da logística antiabstenção. De aspectos institucionais (prefeituras) a caronas solidárias a parentes/amigos (sociedade civil), esta será a última fronteira da disputa”, encerra.

A comichão irrestível

POR GERSON NOGUEIRA

Os clubes de massa têm extrema dificuldade em lidar com as pressões das torcidas, que cobram títulos a cada ano. Em situação de dívida com a Fiel, após passar em branco nas competições de 2022, o PSC não conseguiu suportar um mês de inatividade sem anunciar uma nova contratação. Mateus Batista, atacante de 27 anos, com passagem pelo Grêmio (RS), é o reforço trazido para a Copa Verde.

Vem como aposta, não como candidato a titular. Os nomes do ataque são, em tese, Robinho, Danrlei e Marlon. Para uma competição de tiro curto, como a Copa Verde, com duração máxima de 20 dias para o PSC, a despesa com um novo jogador não deixa de ser extravagante.

Mais ainda porque, logo depois da eliminação na Série C, o presidente do clube, Maurício Ettinger, garantiu que o elenco seria enxugado, a partir da liberação de atletas que não interessavam mais. Seis foram dispensados e dois pediram para sair – Marcelo Toscano e Igor Carvalho.

O elenco foi recomposto com seis atletas oriundos da base alviceleste. No total, 26 jogadores treinam há duas semanas para os jogos do torneio interestadual. A estreia do Papão está programada para 29 de outubro e, até lá, todos imaginavam que o grupo de jogadores estava fechado.

A aquisição de mais um jogador quebra a programação anunciada, embora possa ser justificada pela reposição no ataque, após a saída de Toscano. O certo é que o PSC, que arca com despesas pesadas – acima de R$ 2 milhões, segundo a diretoria – no período de inatividade, terá que firmar contrato mínimo de três meses com um jogador ainda não testado.

Depois de defender o Grêmio até 2018, com passagem pelo Tondela de Portugal em 2017, Mateus jogou pelo Atlético Tubarão e depois se transferiu para o futebol finlandês. Voltou ao Brasil em 2020 para defender Novorizontino e Marcílio Dias. No ano passado, jogou pelo Esportivo na Série D. Em 2022, esteve no Caxias, onde marcou sete gols na temporada.

O impulso de contratar sem critérios (e sem necessidade) é, provavelmente, o ponto mais impactante na vida dos clubes paraenses, especificamente PSC e Remo. As gestões mudam, mas o hábito se mantém. Em 2022, o PSC trouxe mais de 30 jogadores, com resultados pífios. Agora, antes mesmo do fim da temporada, só para não perder o costume, já engata a primeira contratação de 2023.

Neymar: antes da Copa, o desafio nos tribunais

A festança da Bola de Ouro corria solta em Paris na premiação dos melhores do mundo, mas o principal jogador brasileiro da década estava às voltas com um problema chato e de alto risco: responder ao processo no qual é acusado de fraude e corrupção ainda pela transferência do Santos para o Barcelona, há nove anos.

Na audiência realizada em um tribunal de Barcelona, Neymar afirmou em depoimento que só fazia assinar os documentos que seu pai recomendava. Foi a estratégia encontrada por seus advogados para abrandar uma possível pena e evitar que o camisa 10 da Seleção acabe preso. 

O problema, segundo a imprensa espanhola, é que essa argumentação dificilmente encontra acolhida nos tribunais europeus. De tão repetida por astros milionários do futebol, a desculpa não comove os juízes.

Prevalece, tanto lá como cá, o princípio romano de que ninguém pode alegar desconhecimento a respeito daquilo que se assina, desde que a pessoa seja maior e mentalmente capaz. O menino Ney corre ainda o risco de ser tomado como exemplo, afinal a Fifa vem insistindo em dar mais transparência às robustas transações financeiras do futebol.

Leão se movimenta, mas adota a lei do sigilo

O Remo não está parado. Busca alternativas para os cargos de executivo e de técnico para 2023. Nas últimas semanas, alguns nomes foram analisados e até discretamente sondados. Alguns destes movimentos acabaram vazando e quebrando o sigilo imposto pela diretoria.

Tiago Gasparino (ex-Novo Horizontino) e Alarcon Pacheco (ex-Chapecoense) são os nomes mais especulados para a função de executivo de futebol, mas um terceiro nome não está descartado.

Já sobre o técnico reina uma indefinição maior. O presidente Fábio Bentes deu a letra sobre o perfil desejado: o clube busca um profissional que tenha características mais propositivas. Os reativos, como Paulo Bonamigo e Gerson Gusmão, deixaram lembranças negativas e dolorosas.

O potiguar Luizinho Lopes, que dirigiu Manaus e Confiança, é o mais lembrado. Passou pelo Baenão, em 2014, como auxiliar de Roberto Fernandes. O fato de ser um técnico da nova geração (41 anos) não ajuda muito a essa altura do pagode.  

Ao mesmo tempo, se há dúvida sobre quem virá, já existe uma certeza sobre quem está fora dos planos: Hélio dos Anjos, antigo sonho da diretoria, renovou contrato com a Ponte Preta para a próxima temporada.

Bagunçada, Segundinha vira uma usina de problemas

Os jogos das quartas de final da Segundinha do Campeonato Paraense finalmente irão prosseguir no final de semana, depois que o TJD deu ganho de causa ao União Paraense em processo que envolvia o Clube Atlético Paraense (CAP). O risco de nova interrupção está no recurso que o CAP interpôs, buscando retornar à competição – o julgamento será na segunda-feira, 24. Há, ainda, recurso do Paragominas para ser julgado no STJD.

Na mesma proporção em que é desinteressante e deficitária, a Segundinha é rica em problemas. Tudo começa obviamente pela quantidade obscena de times participantes (24). O número ideal seria a metade, o que serviria para reduzir os prejuízos e a possibilidade de encrencas judiciais.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 20)