A saída dos que não chegaram

POR GERSON NOGUEIRA

O gigante colombiano Salazar foi o último dos moicanos na lista de liberados pelo PSC após a Série C. Foi dispensado na semana passada sem que ninguém entendesse o que levou o clube a contratá-lo, já que não precisava de mais um zagueiro. Trazido por indicação da comissão técnica, o zagueiro se insere na galeria folclórica dos reforços que chegam a Belém, ficam aqui meses e não jogam. Resumo da ópera: contratações equivocadas, dinheiro jogado pela janela.

Salazar não entrou em campo com a camisa do PSC. Desde que desembarcou, dedicou-se aos treinos e a reserva não permitiu que o torcedor soubesse se ele tem ou não qualidades. Presume-se que tenha recursos, afinal quem indicou tem experiência no futebol. Aliás, é sempre bom lembrar que a culpa pelo mau negócio para o clube não é do jogador.

Seguramente, ele não se ofereceu para vir jogar. Foi convidado e aceitou a oferta. Desde que foi contratado para compor a área central da defesa, o PSC realizou pelo menos 10 partidas na Série C. Aconteceram jogos nos quais o time tinha controle absoluto. Contra Campinense e Altos do Piauí, por exemplo, a vitória estava desenhada já no primeiro tempo.

Até como forma de colocar o jogador em atividade, prevendo alguma necessidade futura, cabia uma experiência naquele momento em que os técnicos costumam fazer substituições por atacado, quase sempre apenas para renovar o fôlego da equipe. Por caprichos que os técnicos costumam ter, Salazar foi deixado de lado e sua vinda só gerou despesas para o PSC.

Quando defendo a profissionalização da gestão do futebol é justamente pela observação de disparates desse tipo. Um gestor tem a incumbência de planejar o futebol e dar a palavra final em contratações, além de outras atribuições.

Em tempo: por justiça, registre-se que outros “reforços” que passaram pelo PSC nesta temporada também não jogaram de verdade – casos de Pipico, João Paulo, Henan, Marcelinho.

Brasil vai se conformando em ser coadjuvante

Faz muito tempo que o Brasil não tem um jogador premiado com a Bola de Ouro, promoção tradicionalíssima da revista France Football, entregue ontem, em Paris. Desde que Kaká levou a premiação, há 15 anos, o país pentacampeão do mundo não teve ninguém digno de brilhar na festa de premiação e passou a se acostumar com o papel de coadjuvante na grande festa.

Karim Benzema, goleador do Real Madrid, era o destacado favorito para levar o troféu de melhor da temporada. Marcou gols de todo jeito e distância, liderando o time espanhol em conquistas importantes. Todo mundo previa que a festa seria dele, e realmente foi. Com justiça.

Sobrou para o Brasil o carinhoso e justo tributo prestado por Benzema a Ronaldo Fenômeno, que estava nas primeiras filas. O centroavante disse que só aceitaria ficar na reserva para o super craque brasileiro e para o cerebral Zidane, seu compatriota.

O brasileiro melhor aquinhoado foi Vinícius Jr., que ficou em oitavo lugar. Parece pouco, mas é expressivo para um jogador tão jovem. Neymar, com toda a mídia que arrasta atrás de si, não chegou nem perto. Aliás, a fase pouco brilhante do principal jogador brasileiro não estimula esperar qualquer premiação a essa altura.

A Copa do Mundo vem aí, daqui a um mês, oferecendo a Neymar e outros astros – Messi, CR7, Lewandowski – a grande chance de levar o troféu maior, o The Best da Fifa. Desde já, porém, Benzema é também candidato destacado a conquistar mais esse laurel.

De positivo, para nós, a homenagem ao Dr. Sócrates, que dá nome ao troféu concedido ao senegalês Sadio Mané, pelo trabalho social desenvolvido em seu país natal. Grandiosas foram as palavras de Raí, dignas da voz militante e progressista do irmão, ao defender um futuro melhor para o Brasil.

Truculência e arruaça empobrecem o futebol no Brasil

Acompanhei, consternado, o quebra-pau no estádio da Ilha do Retiro durante o jogo Sport x Vasco, domingo. Um gol nos acréscimos desencadeou a fúria dos baderneiros rubro-negros e a partida quase se transformou em tragédia. É bem verdade que os vascaínos atiçaram os truculentos, comemorando e fazendo dancinha diante da torcida.

Pedras e outros artefatos se tornaram armas e, em poucos minutos, a turba conseguiu derrubar um portão para invadir o gramado. Os atletas se escafederam, mas os bombeiros estavam ali na primeira trincheira e não tiveram tempo de escapar de chutes e socos. Cenas dantescas e covardes, como costuma ser esse tipo de agressão.

Quase na mesma hora, em Fortaleza, um conflito que estourou nas arquibancadas da Arena Castelão teve até tiros e causou correria e desespero. Cenas de pânico. Crianças foram as principais vítimas, algumas chegaram a desmaiar.

Tudo porque as torcidas organizadas do Ceará se revoltaram com o time, que perdia para o Cuiabá e só conseguiu empatar nos minutos finais. Daí para o pandemônio foi apenas um pulo. Sem nenhuma responsabilidade com a segurança das muitas famílias presentes, os valentões começaram a brigar e a fazer disparos.Que o STJD seja firme, como poucas vezes foi – o histórico é de condescendência com infratores. Sport e Ceará devem ser responsabilizados criminalmente pelas ocorrências, sob pena de a impunidade prevalecer e provocar mais descalabro.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 18)

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