Lula no Flow: “Bolsonaro tem uma rede de robôs e mente descaradamente”

Ex-presidente disse que existem políticos sérios em todos os campos ideológicos, da direita à esquerda, e que não é necessário mentir para fazer política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a fábrica de notícias falsas que tomou conta da política com a ascensão do bolsonarismo. Ao comentar o formato do primeiro debate no segundo turno, durante entrevista no Flow Podcast nesta terça-feira (18/10), ele afirmou que a campanha de Jair Bolsonaro é uma fábrica de mentiras e que seu adversário é um mentiroso compulsivo.

“Todo segundo turno o debate é mais flexível. Eu já tive com o Alckmin, eu já tive com o Serra, é um quase melhor que você tem uma hora e meia, você e seu adversário. O problema de debater com o ‘Bozo’ é que ele é um mentiroso compulsivo”, declarou Lula.

As notícias falsas, explicou o ex-presidente, estão ajudando pessoas que não prestam. “O Bolsonaro mente descaradamente de coisas mais absurdas que acontecem e ele tenta passar aquilo como se fosse verdade. Ele tem uma rede poderosa de robôs em que ele consegue fazer que essas mentiras cheguem a todo mundo em tempo real. É uma verdadeira fábrica de mentir a campanha do Bolsonaro”, afirmou.

Por outro lado, Lula falou que existem políticos sérios em todos os campos ideológicos, da direita à esquerda, e que não é necessário mentir para fazer política, pois mesmo que demore, a verdade prevalece.

“Eu estava vendo um vídeo do Bozo esses dias, naquele vídeo que ele está falando das meninas venezuelanas, ele fala textualmente ‘tenho que mentir, é preciso mentir, o político tem que mentir’. Porque sempre é mais fácil acreditar em uma mentira. Uma mentira, dizia minha mãe, ela voa. A verdade engatinha”, completou.

O deputado federal André Janones (Avante-MG) ironizou bolsonaristas nas redes sociais após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva bater o recorde de audiência em acessos simultâneos registrado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), ao participar de entrevista no Flow Podcast, no YouTube.

“Eu planejei fazer um vídeo todo emocionado comemorando, mas foi tão fácil que nem teve graça! Chupa, @CarlosBolsonaro”, ironizou o deputado, que está ajudando na campanha de Lula.

O político também comemorou a audiência de mais de um milhão de espectadores simultâneos na transmissão ao vivo. Janones se candidatou à presidência, mas em agosto oficializou que saiu da disputa para apoiar o petista.

“1 MILHÃO DE PESSOAS! Quebramos a internet! Que venham os robôs, porque do lado de cá tem um exército de gente de verdade! ESSE É O TAMANHO DA DEMOCRACIA DO NOSSO PAÍS!”, tuitou.

Respondendo a um tuíte do UOL sobre a reportagem da audiência do petista no podcast, Janones voltou a provocar os filhos de Bolsonaro e a deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP).

Ontem, Janones convocou os eleitores de Lula para assistir à participação do petista no podcast “Flow” para conseguir quebrar o recorde de audiência obtido pelo candidato à reeleição, quando ele esteve no mesmo programa em agosto.

“Conforme anunciei ontem, está confirmada a ida de Lula no ‘Flow’ amanhã [terça-feira], às 19h. Bora quebrar o recorde de audiência? Quem topa o desafio?”, publicou o deputado mineiro no Twitter.

Nas redes sociais, o “Flow”, um dos maiores podcasts do país, com mais de quatro milhões de inscritos. Jair Bolsonaro esteve no “Flow” em agosto, durante o período de pré-campanha. Na ocasião, ele conseguiu mobilizar mais de 550 mil pessoas nas redes sociais.

(Com informações do UOL, Folha de SP e Comunicação do PT; fotos: Ricardo Stuckert)

Marinor Brito encaminha notícia-crime pedindo punição a Damares por fala sobre crianças do Marajó

A deputada estadual Marinor Brito, do PSOL-PA, requereu, através de notícia-crime encaminhada ao Ministério Público Federal Eleitoral, instauração de procedimento competente para apuração e punição da ex-ministra e senadora eleita Damares Alves, pela prática de violência política, crime eleitoral, prevaricação, e submissão de menores ao constrangimento.

A reunião teve a participação do promotor Felipe Moura Palha, do Ministério Público Federal; procurador José Augusto Torres Potiguar, do Ministério Público Eleitoral; irmã Henriqueta Cavalcante, do Instituto Dom Azcona; Maria Torres, do CRESS-PA, e Angélica Gonçalves, da ONG Só Direitos.

A notícia-crime tem como alvo as declarações da ex-ministra, proferidas durante um culto em Goiânia (GO), onde, sem apresentar provas, Damares denunciou a suposta realização de abusos e tortura contra menores no Marajó, além da existência de uma organização criminosa para estupro de bebês recém-nascidos no arquipélago.

Segundo o Ministério Público Federal no Pará, nos últimos 30 anos nenhuma denúncia foi registrada no MPF sobre tráfico de crianças no Marajó, nem sobre a prática de tortura citada por Damares. Além disso, a Polícia Civil do Pará também informou que não existem investigações relacionadas às denúncias apresentadas por Damares.

“Diante destes crimes flagrantemente cometidos pela ex-ministra Damares Alves em suas declarações, é preciso que se apure o quanto antes, para que ela seja devidamente responsabilizada o quanto antes por suas declarações irresponsáveis e desumanas”, declarou Marinor.

Os crimes apontados pela representação da deputada do PSOL estão tipificados nos artigos 359-P e 319, ambos do Código Penal; no artigo 299, do Código Eleitoral, e no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente. (Com informações da assessoria da deputada)

O passado é uma parada

Estreia do Brasil na Copa do Mundo de 1970, no México. Excelente atuação do Rei Pelé e de Rivelino. Assim como Gerson, Pelé era remanescente do fiasco de 1966 e entrou no torneio disposto a mostrar do que era capaz. A goleada funcionou como aperitivo do que viria a seguir. O Brasil conquistaria o tricampeonato mundial de futebol naquela que é considerada a maior campanha de uma Seleção nacional na história das Copas.

Bolsonaro riu das mortes por Covid e agora, com medo da derrota, mente que não tinha vacina para comprar

Das tantas inverdades propagadas por Jair Bolsonaro e integrantes de seu governo, uma das mais nefastas e trágicas é a de que não houve atraso na compra das vacinas contra a Covid-19. Não é verdade! Mais de 40 países começaram a vacinar ainda em 2020, antecipando-se à fase mais aguda da pandemia. Enquanto isso, o governo brasileiro tentava pechinchar valor de propina para adquirir o imunizante.

O próprio Bolsonaro agiu como linha auxiliar do vírus ao inicialmente negar a gravidade da doença (“uma gripezinha, um resfriadinho”) e combateu duramente as medidas protetivas recomendas pelos especialistas – foi contra o uso de máscaras, defendeu a tesse (infundada) da “imunidade de rebanho” se insurgiu contra o lockdown como forma de reduzir o contágio nas grandes cidades.

Mais grave ainda: autorizou a fabricação em massa de cloroquina nos laboratórios do Exército, mesmo com as reiteradas orientações da OMS contra o uso do medicamento. Enquanto assumiu essa atitude anticiência, o Brasil se tornou um país na contramão da luta contra a pandemia e vacinou menos que Argentina, Portugal e Cuba.

O total de quase 700 mil vítimas da Covid é um triste resumo da política genocida conduzida por Bolsonaro e seus ministros da Saúde, entre os quais o inacreditável general Pazuello (especialista em logística nas Forças Armadas), responsável direto pela criminosa falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, segundo relatórios da CPI da Pandemia, no Senado.

A saída dos que não chegaram

POR GERSON NOGUEIRA

O gigante colombiano Salazar foi o último dos moicanos na lista de liberados pelo PSC após a Série C. Foi dispensado na semana passada sem que ninguém entendesse o que levou o clube a contratá-lo, já que não precisava de mais um zagueiro. Trazido por indicação da comissão técnica, o zagueiro se insere na galeria folclórica dos reforços que chegam a Belém, ficam aqui meses e não jogam. Resumo da ópera: contratações equivocadas, dinheiro jogado pela janela.

Salazar não entrou em campo com a camisa do PSC. Desde que desembarcou, dedicou-se aos treinos e a reserva não permitiu que o torcedor soubesse se ele tem ou não qualidades. Presume-se que tenha recursos, afinal quem indicou tem experiência no futebol. Aliás, é sempre bom lembrar que a culpa pelo mau negócio para o clube não é do jogador.

Seguramente, ele não se ofereceu para vir jogar. Foi convidado e aceitou a oferta. Desde que foi contratado para compor a área central da defesa, o PSC realizou pelo menos 10 partidas na Série C. Aconteceram jogos nos quais o time tinha controle absoluto. Contra Campinense e Altos do Piauí, por exemplo, a vitória estava desenhada já no primeiro tempo.

Até como forma de colocar o jogador em atividade, prevendo alguma necessidade futura, cabia uma experiência naquele momento em que os técnicos costumam fazer substituições por atacado, quase sempre apenas para renovar o fôlego da equipe. Por caprichos que os técnicos costumam ter, Salazar foi deixado de lado e sua vinda só gerou despesas para o PSC.

Quando defendo a profissionalização da gestão do futebol é justamente pela observação de disparates desse tipo. Um gestor tem a incumbência de planejar o futebol e dar a palavra final em contratações, além de outras atribuições.

Em tempo: por justiça, registre-se que outros “reforços” que passaram pelo PSC nesta temporada também não jogaram de verdade – casos de Pipico, João Paulo, Henan, Marcelinho.

Brasil vai se conformando em ser coadjuvante

Faz muito tempo que o Brasil não tem um jogador premiado com a Bola de Ouro, promoção tradicionalíssima da revista France Football, entregue ontem, em Paris. Desde que Kaká levou a premiação, há 15 anos, o país pentacampeão do mundo não teve ninguém digno de brilhar na festa de premiação e passou a se acostumar com o papel de coadjuvante na grande festa.

Karim Benzema, goleador do Real Madrid, era o destacado favorito para levar o troféu de melhor da temporada. Marcou gols de todo jeito e distância, liderando o time espanhol em conquistas importantes. Todo mundo previa que a festa seria dele, e realmente foi. Com justiça.

Sobrou para o Brasil o carinhoso e justo tributo prestado por Benzema a Ronaldo Fenômeno, que estava nas primeiras filas. O centroavante disse que só aceitaria ficar na reserva para o super craque brasileiro e para o cerebral Zidane, seu compatriota.

O brasileiro melhor aquinhoado foi Vinícius Jr., que ficou em oitavo lugar. Parece pouco, mas é expressivo para um jogador tão jovem. Neymar, com toda a mídia que arrasta atrás de si, não chegou nem perto. Aliás, a fase pouco brilhante do principal jogador brasileiro não estimula esperar qualquer premiação a essa altura.

A Copa do Mundo vem aí, daqui a um mês, oferecendo a Neymar e outros astros – Messi, CR7, Lewandowski – a grande chance de levar o troféu maior, o The Best da Fifa. Desde já, porém, Benzema é também candidato destacado a conquistar mais esse laurel.

De positivo, para nós, a homenagem ao Dr. Sócrates, que dá nome ao troféu concedido ao senegalês Sadio Mané, pelo trabalho social desenvolvido em seu país natal. Grandiosas foram as palavras de Raí, dignas da voz militante e progressista do irmão, ao defender um futuro melhor para o Brasil.

Truculência e arruaça empobrecem o futebol no Brasil

Acompanhei, consternado, o quebra-pau no estádio da Ilha do Retiro durante o jogo Sport x Vasco, domingo. Um gol nos acréscimos desencadeou a fúria dos baderneiros rubro-negros e a partida quase se transformou em tragédia. É bem verdade que os vascaínos atiçaram os truculentos, comemorando e fazendo dancinha diante da torcida.

Pedras e outros artefatos se tornaram armas e, em poucos minutos, a turba conseguiu derrubar um portão para invadir o gramado. Os atletas se escafederam, mas os bombeiros estavam ali na primeira trincheira e não tiveram tempo de escapar de chutes e socos. Cenas dantescas e covardes, como costuma ser esse tipo de agressão.

Quase na mesma hora, em Fortaleza, um conflito que estourou nas arquibancadas da Arena Castelão teve até tiros e causou correria e desespero. Cenas de pânico. Crianças foram as principais vítimas, algumas chegaram a desmaiar.

Tudo porque as torcidas organizadas do Ceará se revoltaram com o time, que perdia para o Cuiabá e só conseguiu empatar nos minutos finais. Daí para o pandemônio foi apenas um pulo. Sem nenhuma responsabilidade com a segurança das muitas famílias presentes, os valentões começaram a brigar e a fazer disparos.Que o STJD seja firme, como poucas vezes foi – o histórico é de condescendência com infratores. Sport e Ceará devem ser responsabilizados criminalmente pelas ocorrências, sob pena de a impunidade prevalecer e provocar mais descalabro.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 18)