A hora e a vez dos garotos

POR GERSON NOGUEIRA

Os atletas das divisões de base só são lembrados em momentos de intertemporada do futebol profissional, mais ou menos como agora, quando o Remo está sem atividades e só voltará a jogar em 2023. Como em 2013, o sub-20 aparece justamente em momentos de baixa do elenco principal. Naquela ocasião, os meninos aproveitaram muito bem a oportunidade e realizaram uma campanha brilhante, apoiada maciçamente pela torcida azulina.

Desta vez, ainda sem a presença mais intensa dos torcedores, o time faz uma caminhada até agora invicta na Copa do Brasil. Venceu dois jogos e empatou um, fora de casa. Marcou sete gols e sofreu quatro.

Naquele elenco de nove anos atrás, alguns jogadores se destacaram e ganharam espaço no próprio Remo e em clubes de fora do Estado, casos de Alex Ruan, Ameixa, Yan, Sílvio e Rodrigo.

Talvez daqui a alguns anos possamos falar, com igual ou mais ênfase, de Ruan, Davi, Jonilson, PP, Kanu, Filipinho e Henrique. Contra o Internacional, neste domingo, às 16h, os garotos começam a mostrar de verdade se estão prontos para desafios maiores.

Os gaúchos têm tradição na formação de jogadores e participam das principais competições nacionais da categoria. São vantagens consideráveis no confronto com o Remo, que disputa um campeonato estadual fraco e tem pouco intercâmbio na temporada.

Justamente por isso, mesmo que não consiga passar pelo Inter, o Leão sub-20 já terá muito a comemorar nesta Copa do Brasil. O time teve a chance de quebrar a rotina de treinos – que ocupam 10 meses do ano – com a participação num torneio de envergadura nacional.

Brasil vai ao Catar com um timaço de atacantes

As semanas que antecedem a Copa do Mundo certamente são as de maior atividade para assessores e lobistas de jogadores de primeiro escalão no Brasil. Todos tentam de alguma forma impressionar o técnico da Seleção, mesmo sabendo que poucas vagas seguem pendentes. Dos 26 nomes que Tite vai levar para o Catar especula-se que, no mínimo, 22 já estão certos e o ataque terá, pela primeira vez, um grupo de 10 ou 11 jogadores.

Na entrevista de quinta-feira, o técnico tentou convencer de que suas últimas dúvidas estão no ataque, embora provavelmente tenha alguma coisa a definir no meio-campo e na lateral direita. Difícil acreditar que exista vaga aberta para atacantes.

Apesar do lobby e da presença na mídia, o que conta é a produção em campo. Os quatro têm aparecido bem. Nesta semana, Martinelli (Arsenal) e Firmino (Liverpool) praticamente garantiram o passaporte.

Firmino fez gols importantes contra o Arsenal e diante do Rangers pela Liga dos Campeões. Contra os escoceses, fez dois e ainda deu passe de letra na goleada de 7 a 1. Martinelli confirmou a fama, fazendo gol contra o Liverpool, deu assistência e jogou muito pela faixa esquerda.

Como Richarlison também vem colecionando boas atuações e Jesus é um nome que agrada a Tite, ambos têm excelentes chances. Pedro vai à Copa, pelos gols marcados desde que Dorival Júnior assumiu o Flamengo e porque Tite não vai contrariar a torcida rubro-negra. Vinícius, Anthony, Raphinha e Rodrygo são indiscutíveis, juntamente com Neymar.

O grupo de ataque está fechado. Mateus Cunha, Hulk e até Pedro Raul, artilheiro da Série A, correm por fora, praticamente sem chances.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa na RBATV, neste domingo, a partir das 23h, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, os preparativos de PSC e Tuna para a Copa Verde e a expectativa pela montagem do novo Leão para 2023. A edição é de Lourdes Cezar.

Camisa preta como alternativa à rejeição da amarelinha

O negócio futebol envolve várias frentes de atuação, superdimensionadas nos dias de hoje pelo volume gigantesco de venda de material esportivo – camisas, bolas, chuteiras – e todo tipo de quinquilharias. Atentos a isso, os fabricantes não brincam em serviço e identificam, ao longe, qualquer coisa que possa ameaçar as gordas verbas de faturamento, ainda mais a semanas da Copa do Mundo.

No Brasil, cuja paixão pelo futebol e o forte engajamento dos jovens transformam em grande cliente dentro do mercado planetário, a percepção de que a tradicional camisa amarela – aquela que Zagallo vivia santificando nas entrevistas – deixou de ser unanimidade forçou a criação de um antídoto: uma camisa preta, a salvo de qualquer identificação com grupos políticos.  

Por sorte, o uniforme ficou esteticamente até muito atraente. A inédita negritude do uniforme abre um filão inteiramente novo na faixa de torcedores que não simpatizavam com a canarinho, desde que foi sequestrada por determinado segmento partidário, e nem com a azul, pouco afirmativa.

O único senão é o preço, quase R$ 400,00, salgadíssimo em todas as cores.   

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 16)

Deixe uma resposta