Chance de reposicionar o Brasil no rumo da ciência, da saúde, da educação e da paz

Por Claudio Salgado (*)

O que fazia o Presidente da República do Brasil na periferia de Brasília, “pintando um clima” com crianças de 14-15 anos, “todas lindas”? Na própria confissão, diz o presidente que pediu para entrar na casa delas. E finaliza inferindo que estariam se aprontando para a prostituição ou para “ganhar a vida”, como dito por ele mesmo. E diz isso poucos dias depois da sua ex-ministra dos direitos humanos expor verdadeiras atrocidades sobre supostos atos de pedofilia na ilha do Marajó, até o momento não confirmados, e que nada teria feito para resolver. Aliás, tudo isso exposto e relatado na frente de outras crianças, em um culto!

O que fez mesmo o Presidente desta República para resolver aquela situação de meninas supostamente em situação de risco? NADA!

Nos capítulos seguintes, a Venezuela se manifesta dizendo que a referida casa é uma casa de apoio aos migrantes no Brasil e, em seguida, o Presidente da República reclama… adivinhem… do PT (!!!) pela suposta divulgação do referido vídeo da confissão.

Não sei se foi o PT, e isso pouco importa. Mais uma vez, se vê muito claramente a face do atual presidente, com mais uma de suas “qualidades”, para além da misoginia, do racismo, de todas as vertentes do autoritarismo, e de tudo mais que temos acompanhado nesses últimos 4 anos de surgimento desta figura, até então apagada nos seus 27 anos de congresso nacional.

Ainda me impressiona colegas da academia, das universidades, de institutos de pesquisa, que continuam insistentemente votando nisso aí. Está além da minha compreensão. Onde pretendem chegar?

Obviamente, é um claro retrocesso a manutenção dessa situação, um claro atraso para o Brasil. Há 4 anos era “contra o PT”. Relevamos e tentamos compreender. E agora, é contra quem ou contra o quê? Contra a humanidade? Contra a Amazônia, o meio ambiente e a biodiversidade? Contra mais equidade? Continuo incrédulo com as pessoas que se mantém votantes nisso aí. É muito retrocesso. Em poucos dias teremos a chance de reposicionar o Brasil no rumo que precisa, da ciência, da saúde, da educação e da paz. Que assim seja!

(*) Médico

O mais corrupto dos presidentes brasileiros

A coluna eletrônica Meio, do jornalista Pedro Dória, analisa detidamente um fenômeno brasileiro: as afirmações repetidas – pelos apoiadores, principalmente – de que Jair Bolsonaro não é ladrão ou corrupto. De quebra, explica o funcionamento e as origens do famigerado “orçamento secreto”.

A hora e a vez dos garotos

POR GERSON NOGUEIRA

Os atletas das divisões de base só são lembrados em momentos de intertemporada do futebol profissional, mais ou menos como agora, quando o Remo está sem atividades e só voltará a jogar em 2023. Como em 2013, o sub-20 aparece justamente em momentos de baixa do elenco principal. Naquela ocasião, os meninos aproveitaram muito bem a oportunidade e realizaram uma campanha brilhante, apoiada maciçamente pela torcida azulina.

Desta vez, ainda sem a presença mais intensa dos torcedores, o time faz uma caminhada até agora invicta na Copa do Brasil. Venceu dois jogos e empatou um, fora de casa. Marcou sete gols e sofreu quatro.

Naquele elenco de nove anos atrás, alguns jogadores se destacaram e ganharam espaço no próprio Remo e em clubes de fora do Estado, casos de Alex Ruan, Ameixa, Yan, Sílvio e Rodrigo.

Talvez daqui a alguns anos possamos falar, com igual ou mais ênfase, de Ruan, Davi, Jonilson, PP, Kanu, Filipinho e Henrique. Contra o Internacional, neste domingo, às 16h, os garotos começam a mostrar de verdade se estão prontos para desafios maiores.

Os gaúchos têm tradição na formação de jogadores e participam das principais competições nacionais da categoria. São vantagens consideráveis no confronto com o Remo, que disputa um campeonato estadual fraco e tem pouco intercâmbio na temporada.

Justamente por isso, mesmo que não consiga passar pelo Inter, o Leão sub-20 já terá muito a comemorar nesta Copa do Brasil. O time teve a chance de quebrar a rotina de treinos – que ocupam 10 meses do ano – com a participação num torneio de envergadura nacional.

Brasil vai ao Catar com um timaço de atacantes

As semanas que antecedem a Copa do Mundo certamente são as de maior atividade para assessores e lobistas de jogadores de primeiro escalão no Brasil. Todos tentam de alguma forma impressionar o técnico da Seleção, mesmo sabendo que poucas vagas seguem pendentes. Dos 26 nomes que Tite vai levar para o Catar especula-se que, no mínimo, 22 já estão certos e o ataque terá, pela primeira vez, um grupo de 10 ou 11 jogadores.

Na entrevista de quinta-feira, o técnico tentou convencer de que suas últimas dúvidas estão no ataque, embora provavelmente tenha alguma coisa a definir no meio-campo e na lateral direita. Difícil acreditar que exista vaga aberta para atacantes.

Apesar do lobby e da presença na mídia, o que conta é a produção em campo. Os quatro têm aparecido bem. Nesta semana, Martinelli (Arsenal) e Firmino (Liverpool) praticamente garantiram o passaporte.

Firmino fez gols importantes contra o Arsenal e diante do Rangers pela Liga dos Campeões. Contra os escoceses, fez dois e ainda deu passe de letra na goleada de 7 a 1. Martinelli confirmou a fama, fazendo gol contra o Liverpool, deu assistência e jogou muito pela faixa esquerda.

Como Richarlison também vem colecionando boas atuações e Jesus é um nome que agrada a Tite, ambos têm excelentes chances. Pedro vai à Copa, pelos gols marcados desde que Dorival Júnior assumiu o Flamengo e porque Tite não vai contrariar a torcida rubro-negra. Vinícius, Anthony, Raphinha e Rodrygo são indiscutíveis, juntamente com Neymar.

O grupo de ataque está fechado. Mateus Cunha, Hulk e até Pedro Raul, artilheiro da Série A, correm por fora, praticamente sem chances.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa na RBATV, neste domingo, a partir das 23h, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, os preparativos de PSC e Tuna para a Copa Verde e a expectativa pela montagem do novo Leão para 2023. A edição é de Lourdes Cezar.

Camisa preta como alternativa à rejeição da amarelinha

O negócio futebol envolve várias frentes de atuação, superdimensionadas nos dias de hoje pelo volume gigantesco de venda de material esportivo – camisas, bolas, chuteiras – e todo tipo de quinquilharias. Atentos a isso, os fabricantes não brincam em serviço e identificam, ao longe, qualquer coisa que possa ameaçar as gordas verbas de faturamento, ainda mais a semanas da Copa do Mundo.

No Brasil, cuja paixão pelo futebol e o forte engajamento dos jovens transformam em grande cliente dentro do mercado planetário, a percepção de que a tradicional camisa amarela – aquela que Zagallo vivia santificando nas entrevistas – deixou de ser unanimidade forçou a criação de um antídoto: uma camisa preta, a salvo de qualquer identificação com grupos políticos.  

Por sorte, o uniforme ficou esteticamente até muito atraente. A inédita negritude do uniforme abre um filão inteiramente novo na faixa de torcedores que não simpatizavam com a canarinho, desde que foi sequestrada por determinado segmento partidário, e nem com a azul, pouco afirmativa.

O único senão é o preço, quase R$ 400,00, salgadíssimo em todas as cores.   

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 16)

Bolsonarismo pressiona indígenas por votos na Amazônia

Por Carlos Madeiro, no UOL

Na noite do dia 8 de outubro, um sábado, fazendeiros e empresários convocaram moradores e se reuniram para um evento que tinha como objetivo conquistar votos para o presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. O encontro, que reuniu cerca de cem pessoas, ocorreu no Parque de Exposição de São Francisco do Guaporé (RO). Sobre a mesa principal, uma bandeira do Brasil dava o tom do cenário. “Essas cores mostram que o patriotismo voltou”, disse um dos fazendeiros que fez uso da palavra.

Foi parte de uma intensa campanha que o poder econômico e político local tem feito para conseguir mais votos para a reeleição do presidente, usando como tática o medo de moradores e agricultores locais perderem suas terras para os indígenas em caso da derrota de Bolsonaro. Nos últimos dias, um vídeo com um minuto de duração começou a circular no WhatsApp dos moradores locais. Com uma música ao fundo como se fosse um filme de horror, mostra um mapa com uma área gigante e anuncia em letras vermelhas.

“Você sabia que a maioria de vocês estão [sic] dentro dessa área que é de interesse da Funai que a esquerda promete virar reserva indígena”, afirma.

Em outro trecho, ameaça ao dizer que não serão apenas aqueles que têm terras no território reivindicado que perderão suas propriedades. “Você paga para ver?”

A área apontada é o Vale do Guaporé, que abrange os municípios de São Miguel, Seringueiras, São Francisco e Costa Marques e onde há mais de duas décadas três povos indígenas lutam pela demarcação de seus territórios. O vídeo tenta atingir diretamente quem vive na comunidade de Porto Murtinho, no município de São Francisco do Guaporé.

Após essa ação orquestrada, um indígena da região afirmou à coluna que muitos deles passaram a sofrer ameaças. “Depois que ele começou a circular, os indígenas começaram a sofrer intimidações, já que o mapa apresentado se refere a territórios reivindicados pelos povos Migueleno e Puruborá”, conta.

Diante do medo, os indígenas fizeram uma denúncia ao MPF (Ministério Público Federal) de Ji-Paraná, para que a campanha feita com ameaças seja investigada.

Outra indígena explicou que a reunião do último dia 8 foi mais uma forma de pressionar e pôr medo aos moradores após uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Foi uma reunião de cunho político realizada por empresários e fazendeiros do município de São Francisco, onde nós não temos terra demarcada. Eles demonstraram seu apoio ao Bolsonaro nesse segundo turno”, conta ela, que, por temor de represálias, pediu para não ter a identidade revelada.

Segundo apurou o UOL, o receio dos moradores é que os processos de demarcação de terras avancem e retirem a posse das propriedades de quem ocupa o entorno do território. Todas as terras requisitadas pelos três povos ainda estão em fase inicial do processo de demarcação. Dessas, só duas têm GTs (grupos de trabalho) criados para estudo de áreas etno-histórica, antropológica, cartográfica e ambiental: os povos Migueleno e Puruborá.

Ambos só tiveram grupos criados recentemente pela Funai (Fundação Nacional do Índio) por determinação judicial, após ações civis públicas do MPF em Rondônia pedindo o andamento dos processos. Já os Kujubim, que vivem em Costa Marques, ainda aguardam a publicação do GT.

PROBLEMA ANTIGO

Apesar de o problema ter se acentuado nestas eleições, indígenas contam que a batalha para ter direito a suas terras é antiga.

“Desde que começou a luta, começou essa briga com fazendeiros desses municípios. A grande maioria deles têm pedaço de terra na BR-419. Mas no momento são as eleições que estão causando tudo isso”, afirma uma líder local. Entre abril e maio, mais de 80 lideranças dos três povos realizaram um encontro na aldeia Aperoí, em Seringueiras (RO), para discutir a demarcação de seus territórios.

Após o evento, eles lançaram um documento em que reforçaram a necessidade da união para fortalecer a luta pela demarcação. Eles alegam que a área é ocupada indevidamente principalmente para o plantio de soja e para a agropecuária.

“É necessário e urgente que os estudos antropológicos e de delimitação fundiária sejam retomados e concluídos pela Funai. Durante esses dois anos de pandemia, houve muitas perdas de integrantes dos povos indígenas Puruborá, Kujubim e Migueleno, que estão partindo sem ver o seu território demarcado e sem poder descansar juntos aos seus ancestrais em seus territórios sagrados”, afirmam os povos na carta.

Eles temem que o STF (Supremo Tribunal Federal) decida a favor do marco temporal, que poderia fazer com que eles perdessem o direito de reivindicar pelos territórios. Segundo essa tese, só poderia reivindicar direito sobre uma terra o povo indígena que já estivesse nela no momento da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

“Nossa história não começa em 1988. Para nós, povos indígenas Puruborá, Kujubim e Migueleno, até a escrita sobre a presença de nossos povos nos nossos territórios tradicionais é anterior à chegada do Marechal Candido Rondon nessa região.”

Carta de povos Puruborá, Kujubim e Migueleno.