O ensaio da orquestra

POR GERSON NOGUEIRA

O técnico Tite concedeu ontem uma entrevista a jornalistas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste para falar sobre o atual estágio da preparação do Brasil para a Copa do Catar, que começa daqui a 36 dias. O tema central foi, obviamente, o processo de escolha dos jogadores para o Mundial, com ênfase na composição do grupo de ataque.

Roberto Firmino, Richarlison, Gabriel Jesus, Pedro, Gabriel Martinelli, Mateus Cunha, Vinícius Jr., Anthony e Raphinha foram os nomes mais comentados, deixando no ar a impressão de que depois de muito tempo a Seleção Brasileira terá prevalência numérica de jogadores de frente. Um bom sinal.

Com a oratória habitual, Tite demonstra até no semblante estar mais leve e menos tenso em comparação com 2018. Ali, havia a cobrança generalizada do hexa a partir da estupenda campanha do Brasil nas Eliminatórias. A trajetória da fase seletiva foi igualmente admirável, mas as expectativas não são as mesmas.

Tite anunciou há meses que a Copa do Catar será sua última como treinador da Seleção. Isso tirou uma tonelada de pressão dos seus ombros. Como se sabe, a cobrança que atormenta técnicos do escrete está diretamente associada ao risco de demissão. Tite eliminou essa possibilidade ao demarcar o tempo de permanência no cargo.

Perguntei sobre o impacto que a data da Copa terá sobre os seus jogadores em relação aos europeus, pois, pela primeira vez, o mundial vai acontecer no meio da temporada europeia e no fim do calendário brasileiro.

Com argumentos parecidos, Tite, Cezar Sampaio e o filho Mateus consideram que a coincidência é desvantajosa para o Brasil, pois os principais jogadores adversários estão voando e em grande forma.

Sobre os atacantes, tema recorrente na coletiva, Tite preferiu ficar na retranca. Chegou a citar um grupo até maior de jogadores observados nas convocações, mas ficou óbvio que Firmino, Jesus, Martinelli e Gabriel estarão no voo definitivo para o Catar.

Revista apronta novo disparate contra o Rei do Futebol

Os ingleses costumam fazer listas – de qualquer coisa – e, de vez em quando, surgem com escolhas estapafúrdias sobre futebol. Desta vez, a revista FourFourTwo sai como um disparate de grande magnitude: elegeu Lionel Messi como o melhor jogador de todos os tempos e reservou a Pelé um modesto e obsceno 4º lugar, sendo que o Rei venceu três Copas e é autor de mais de 1000 gols na carreira.

Óbvio que a publicação organiza o esquisito ranking ciente da polêmica que iria desencadear. Em sã consciência, nem analfabetos em futebol cometeriam tal extravagância. Mesmo quem não foi contemporâneo do Rei, sabe das diabruras que ele aprontou pelos gramados do mundo.

Em tempos de mídia digital ao alcance de todos, dá para pesquisar em poucos cliques suas jogadas espetaculares nas Copas de 1958 e 1970. O drible da vaca em Mazurkiewicz (Uruguai) e o chute que passou beijando a trave da Tchecoslováquia, lances eternizados no Mundial do México e que causam assombro pelo que poderiam ter sido.

A história registra lances absolutamente de outra galáxia nos jogos contra País de Gales e Suécia em 1958 e participação genial diante de Inglaterra, Uruguai e Itália na conquista do tricampeonato mundial em 1970. Fora dos holofotes das Copas, a galeria de preciosidades do Rei com a camisa do Santos é igualmente inesgotável.

Messi, que não tem culpa de nada, é um anão diante da grandeza de Pelé. Aliás, não há como compará-los. Messi jamais ganhou Copas do Mundo.

Em 2017, a revista já havia dado a outro argentino, Diego Maradona, o galardão maior. Na edição atual, Dieguito cai para o 2º lugar e Cristiano Ronaldo aparece em 3º. Pelé foi gigante, bem maior que todos os que estão à sua frente no levantamento da revista mais sem noção do mundo.

Com “poupança” milionária, Daniel jura amor ao S. Paulo

Em plena campanha midiática para ir à Copa, o ala Daniel Alves deu uma entrevista nesta semana capaz de deixar são-paulinos de cabelo em pé. Fez um balanço extremamente generoso de sua passagem pelo clube e, com a modéstia habitual, avaliou que contribuiu bastante para o crescimento e evolução do Tricolor paulista.

A passagem pelo São Paulo ocorreu em agosto de 2019, saindo dois anos depois e deixando um rastro de prejuízo que até hoje traz consequências para o clube – cerca de R$ 400 mil mensais até 2024. Com juras de amor eterno, Dani festeja o único título conquistado, o Paulistão 2021, suficiente para fazer com que se sinta “realizado”.

É quase que um aleijão: boleiros costumam ter avaliações positivas sobre suas performances, conflitando com o que o torcedor retém na memória. Os Tricolores certamente não concordam com o “legado” de Dani no clube.

Pará quer o pódio no festival Norte-Nordeste de natação

Com apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), 12 nadadores paraenses participam de 14 a 16 de outubro, nas águas do Parque Aquático do Santos Dumont, em Recife (PE), do Festival CBDA Norte/Nordeste Clubes Mirim/Petiz 2° – Troféu Kako Caminha. Com histórico de vitórias, a equipe tenta se classificar entre os três melhores do Norte e Nordeste.

Na categoria Mirim 1 estão Daniel Lima, Ariela Pina, Anna Pimentel, Pietra Figueiredo e Maria Eduarda Abreu. No Mirim 2, Rafael Dutra, Bianca Bevilaqua, Sophie Albim, Jônatas Pereira, Antonieta Manrique e Maria Luísa Reis. Já na categoria petiz, o inscrito é Kimay Brandão.

O festival tem quatro etapas e os atletas paraenses, logo no primeiro dia, irão disputar as provas de 50 metros livre, 50 metros borboleta e revezamento 4×50 medley. No segundo dia, 100 metros livre e revezamento 4×50 medley misto. Na 3ª etapa, 50 metros costas e 200 metros livre. No último dia de competição, o desafio será nos 50 metros peito revezamento, 4×50 medley masculino e 4×50 medley feminino.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 14)

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