Sobre civilidade e afeto

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol não costuma ser ambiente propício a amabilidades. Competitivo por natureza e necessidade, o atleta tem pouco tempo para cultivar amizades sinceras. A convivência é intensa no dia a dia, com os treinos, concentrações e viagens, mas é improvável que isso permita descobrir afinidades e selar relacionamentos duradouros.

A constante mudança de camisas, com as transferências para outras equipes, faz do futebol um lugar de chegadas e partidas. Raro ver um grupo de jogadores que permaneça em contato após a aposentadoria. O normal é que cada um vá cuidar de sua vida, distanciando-se dos demais.

Por isso, reencontros festivos representam oportunidade valiosa para que antigos elos sejam retomados e fortalecidos, principalmente no futebol paraense, onde essas confraternizações são muito raras. A exceção é o trabalho solitário desenvolvido pelo ex-jogador Beto no PSC.

No Remo, não se tem muita notícia dessas aproximações, daí a agradável surpresa que vem junto com a notícia de que jogadores do grupo campeão dos anos 70 aproveitaram a semana do Círio de Nazaré para uma reunião que teve o ex-goleiro Dico como anfitrião.

Aderson Lobão, um dos melhores médios paraenses de todos os tempos e que pontificou na meiúca azulina sob a batuta de técnicos do calibre de Paulo Amaral e Joubert Meira, encarregou-se de reunir a tropa.

O time da época estava bem todo representado, com as presenças de Dico, Marinho, Dutra, Darinta, Aderson, Mego, Mesquita, Zezinho Macapá. Poucas ausências, dos que não estavam em Belém ou não puderam comparecer, caso de Júlio César ‘Uri Gheller’ – este, direto do Rio de Janeiro, fez questão de enviar mensagem aos companheiros recordando os bons momentos.

Ronaldo Passarinho, que foi gestor naquele Remo (e em outros também), se manifestou sobre as homenagens. “Meu agradecimento a todos, especialmente ao Dico e ao Aderson, este o grande receptáculo das gloriosas passagens pelo Filho da Glória e do Triunfo. No ocaso de minha vida recebi o melhor presente: a reafirmação da amizade que perdura imaculada há décadas”, relatou, emocionado.

Ronaldo foi saudado juntamente com Paulo Motta, que participou como médico do clube nas campanhas vitoriosas daquele time. Mestre de cerimônias, Aderson exibiu um vídeo com imagens nostálgicas, puxando um tributo especial aos companheiros que já partiram.

Uma curiosidade: o encontro teve a presença, muito festejada, do alviceleste Beto, que imortalizou a meia-cancha bicolor dos anos 60 ao lado de Quarenta. Nada mais simbólico do espírito de amizade e acima de rivalidades, afinal todos ali são essencialmente desportistas.

No sub-20, as expectativas sobre a nova safra

O Remo sub-20 encara o Real Ariquemes nesta segunda-feira, às 20h, no estádio Baenão, valendo pela segunda rodada da Copa do Brasil da categoria. No primeiro jogo, em Rondônia, houve empate em 1 a 1. Os azulinos tentam avançar à terceira fase e esperam contar com o apoio da torcida, convocada pela diretoria e atraída por bônus ao custo de R$ 10,00.

Oportunidade para o torcedor ver de perto jogadores que têm sido elogiados e citados como joias da base azulina. Parte da equipe é bem conhecida pelas boas atuações no Campeonato Paraense.

Coisa incomum nas categorias de base, a torcida sabe que o time conta com Juan, Jonilson, Davi, Henrique, Solano, Felipinho, Kanu, Tiago Mafra, Pepê e outros atletas. Esse conhecimento resulta do bom desempenho e do esmero que o Remo dedica aos times amadores.

Nem sempre esse esmero da gestão do clube resulta em efeito prático. Todos os anos, as divisões de base entregam pelo menos oito jogadores em condição de aproveitamento no elenco profissional. Os jogadores ascendem, mas poucas vezes são aproveitados.

Pelo contrário, recentemente, Tiago Miranda e Wallace foram liberados por decisão de um executivo de futebol e anuência do técnico Paulo Bonamigo, algo que conflita com a filosofia de valorizar a prata da casa. Até mesmo um jogador de grande utilidade, como Ronald, foi tratado com menosprezo em muitos momentos, desde a temporada passada.

Os garotos que disputam a Copa do Brasil serão os mesmos que irão representar o clube na Copa São Paulo de juniores, em janeiro de 2023. Todos têm condições de fazer boa figura, aproveitando a visibilidade e o intercâmbio que as duas competições oferecem.

É fundamental que o time avance e obtenha bons resultados, mas é mais importante ainda que os garotos não sejam esquecidos pelo caminho.

Firmino e Jesus em ação, com bom desempenho

No clássico inglês de domingo, entre Arsenal e Liverpool, Tite teve a chance de ver seu atacante favorito em ação. Gabriel Jesus foi dinâmico e participativo, sofreu pênalti e deu um susto ao desmaiar após um choque. Ajudou o Arsenal a vencer por 3 a 2.

O técnico deve ter gostado também de ver Firmino em ação. Habilidoso, não deixou a característica de voltar até a intermediária para iniciar jogadas. De quebra, marcou um gol tipicamente de centroavante.

Um jovem aprendiz de goleiro à espera de chances

A coluna abre um espaço especial para uma jovem promessa de goleiro para o futebol do Pará: Paulo-Daniel Dinelly (foto), com envergadura de gente grande – tem 1,85 e ainda está em fase de crescimento. Joga, por enquanto, nos times de futsal e futebol da escola, sempre fiel à preferência pela posição mais desafiadora do nobre esporte bretão.

Aos 16 anos, azulino como o pai, o experiente jornalista Douglas Dinelly, Paulo-Daniel tem planos de buscar espaço nas divisões de base do Leão ao término do ano letivo. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 10)

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