Ministério Público exige apuração das declarações de Damares sobre crianças do Marajó

Com base em declarações da ex-ministra Damares Alves com relatos sobre criancinhas e sexo oral na região do Marajó, a equipe do Centro de Apoio Operacional da Infância e Adolescência (CAOIJ) do Ministério Público do Pará pede providências à Promotoria de Justiça Eleitoral quanto às afirmações da recém-eleita senadora pelo Distrito Federal. O vídeo tem finalidade eleitoral e nele Damares diz, sem apresentar provas, ter conhecido no Marajó crianças com dentes arrancados e desnutridas para fins de exploração sexual, quando era ministra do governo Bolsonaro.

O dado mais grave é que as declarações de Damares, diante de uma plateia de evangélicos em Goiânia neste fim de semana, omitem o fato de que ela tinha autoridade para denunciar e adotar medidas contra a suposta ocorrência abusiva. O fato revoltou ainda mais a população marajoara, que já havia se manifestado contra a ausência de políticas públicas do ministério de Damares, apesar das muitas promessas feitas pela então ministra.

REAÇÃO DO MPF

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício nesta segunda-feira (10) à secretária executiva do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Tatiana Barbosa de Alvarenga, com solicitação de informações sobre supostos crimes contra crianças que a ex-titular do ministério, Damares Alves, anunciou ter descoberto em visita ao arquipélago do Marajó (PA).

Membros do MPF no Pará pedem à Secretaria-executiva do MMFDH que apresente os supostos casos descobertos pelo ministério, indicando todos os detalhes que a pasta possua, para que sejam tomadas as providências cabíveis. O MPF também pede que o MMFDH informe quais providências tomou ao descobrir os casos e se houve representação (denúncia) ao Ministério Público ou à Polícia.

O anúncio da ex-ministra foi feito no sábado, em discurso em Goiânia (GO). Segundo ela, crianças do Marajó são traficadas para o exterior e são submetidas a mutilações corporais e a regimes alimentares que facilitam abusos sexuais. Ela afirmou, ainda, que “explodiu o número de estupros de recém-nascidos” e que no MMFDH há imagens de crianças de oito dias de vida sendo estupradas. Segundo Damares, um vídeo de estupro de crianças seria vendido por preços entre R$ 50 e R$ 100 mil.

OPERAÇÃO ABAFA

Nesta segunda-feira, 10, Damares esteve em Belém acompanhando a primeira dama Michelle Bolsonaro em ato da campanha bolsonarista, na aparente tentativa de melhorar a imagem do presidente da República, bastante arranhada após a tentativa de se apropriar eleitoralmente do Círio de Nazaré. As intenções de Damares e Michelle podem ter sido infrutíferas, pois o vídeo da declaração sobre o Marajó vazou no momento em que elas estavam reunidas com grupos evangélicos no distrito de Icoaraci.

Abaixo, o ofício enviado pelo CAOIJ à Promotoria de Justiça Eleitoral, enfatizando que o Ministério Público do Estado desconhece os fatos narrados pela ex-ministra de Bolsonaro.

(Com informações do MPPA e MPF)

Um comentário em “Ministério Público exige apuração das declarações de Damares sobre crianças do Marajó

  1. Se dessa patife é verdadeiro, ela como ministra já deveria ter tomado providências. Mas se não tomou, ela é omissa e negligente quanto a sua pasta.

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