Ipec: Lula impõe vantagem de 10 pontos no segundo turno

O levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Ipec mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 55% dos votos válidos contra 45%. E manteve o percentual em relação à pesquisa anterior na votação estimulada, com 51% das intenções de voto. Já o candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), oscilou um ponto para baixo e agora tem 42%.

Votos brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% dos entrevistados não responderam. Foram entrevistadas 2.000 pessoas, entre os dias 8 e 10 de outubro, em 130 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Ministério Público exige apuração das declarações de Damares sobre crianças do Marajó

Com base em declarações da ex-ministra Damares Alves com relatos sobre criancinhas e sexo oral na região do Marajó, a equipe do Centro de Apoio Operacional da Infância e Adolescência (CAOIJ) do Ministério Público do Pará pede providências à Promotoria de Justiça Eleitoral quanto às afirmações da recém-eleita senadora pelo Distrito Federal. O vídeo tem finalidade eleitoral e nele Damares diz, sem apresentar provas, ter conhecido no Marajó crianças com dentes arrancados e desnutridas para fins de exploração sexual, quando era ministra do governo Bolsonaro.

O dado mais grave é que as declarações de Damares, diante de uma plateia de evangélicos em Goiânia neste fim de semana, omitem o fato de que ela tinha autoridade para denunciar e adotar medidas contra a suposta ocorrência abusiva. O fato revoltou ainda mais a população marajoara, que já havia se manifestado contra a ausência de políticas públicas do ministério de Damares, apesar das muitas promessas feitas pela então ministra.

REAÇÃO DO MPF

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício nesta segunda-feira (10) à secretária executiva do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Tatiana Barbosa de Alvarenga, com solicitação de informações sobre supostos crimes contra crianças que a ex-titular do ministério, Damares Alves, anunciou ter descoberto em visita ao arquipélago do Marajó (PA).

Membros do MPF no Pará pedem à Secretaria-executiva do MMFDH que apresente os supostos casos descobertos pelo ministério, indicando todos os detalhes que a pasta possua, para que sejam tomadas as providências cabíveis. O MPF também pede que o MMFDH informe quais providências tomou ao descobrir os casos e se houve representação (denúncia) ao Ministério Público ou à Polícia.

O anúncio da ex-ministra foi feito no sábado, em discurso em Goiânia (GO). Segundo ela, crianças do Marajó são traficadas para o exterior e são submetidas a mutilações corporais e a regimes alimentares que facilitam abusos sexuais. Ela afirmou, ainda, que “explodiu o número de estupros de recém-nascidos” e que no MMFDH há imagens de crianças de oito dias de vida sendo estupradas. Segundo Damares, um vídeo de estupro de crianças seria vendido por preços entre R$ 50 e R$ 100 mil.

OPERAÇÃO ABAFA

Nesta segunda-feira, 10, Damares esteve em Belém acompanhando a primeira dama Michelle Bolsonaro em ato da campanha bolsonarista, na aparente tentativa de melhorar a imagem do presidente da República, bastante arranhada após a tentativa de se apropriar eleitoralmente do Círio de Nazaré. As intenções de Damares e Michelle podem ter sido infrutíferas, pois o vídeo da declaração sobre o Marajó vazou no momento em que elas estavam reunidas com grupos evangélicos no distrito de Icoaraci.

Abaixo, o ofício enviado pelo CAOIJ à Promotoria de Justiça Eleitoral, enfatizando que o Ministério Público do Estado desconhece os fatos narrados pela ex-ministra de Bolsonaro.

(Com informações do MPPA e MPF)

Como é duro contratar

POR GERSON NOGUEIRA

Reforçar um elenco não é tarefa fácil para nenhum clube no Brasil e é ainda pior para os que disputam a Terceira Divisão. Como se sabe, a Série C é um campeonato sem expressão nacional – não tem transmissão TV (passa apenas um jogo por semana, na Band) –, os jogadores têm pouco interesse em defender a dupla de representantes do Pará.

No afã de justificar por que a maioria dos boleiros foge dos clubes daqui há quem justifique com a falta de praias em Belém. Ora, caso isso fosse verdade, os jogadores não topariam atuar em Goiás, Minas Gerais e São Paulo, só para ficar nesses exemplos.

Há 20 anos, com o PSC na Libertadores, o problema inexistia: alguns dos jogadores mais qualificados do país aceitaram trocar o Sudeste pelo Norte, sem maiores problemas, o que leva à conclusão óbvia de que é difícil contratar bons jogadores porque nossos clubes não têm visibilidade, estão fora das competições mais atraentes e lucrativas.

Assim como ocorre com os artistas, jogador de futebol não vive sem vitrines e holofotes. Disputar a Série C significa sumir de circulação. Sem jogos exibidos na TV, os jogadores deixam de ser vistos.

É comum ouvir nas emissoras de rádio e ler na internet torcedores cobrando reforços. Para eles, o time deve ser constantemente modificado em busca da perfeição. Quando vê um jogador brilhando com outra camisa, o torcedor logo fica a projetar como ele renderia em seu time.  

E tome pressão sobre os dirigentes. O lado mais desastroso disso é que, de vez em quando, esse cerco resulta em contratações destituídas de bom senso, que terminam por decepcionar, gerando efeito reverso. O torcedor que tanto cobrou reforços é o primeiro a reclamar das contratações.

Pipico é um exemplo típico. Com um nome marcante pelos gols marcados há mais de cinco anos, quando defendia o Santa Cruz, ele foi saudado por boa parte da torcida do PSC como aquisição importante para o ataque. Os 37 anos de idade e o longo período inativo foram esquecidos.

Quando não mostrou os vestígios do antigo artilheiro sobreveio a frustração. Como era previsível, o veterano não tinha mais mobilidade e presença de área para resolver os problemas que acometiam o ataque do PSC. Saiu daqui com o saldo irrisório de apenas um gol marcado.

Não é exclusividade alviceleste. O Remo trouxe Rodrigo Pimpão, um pouco mais jovem que Pipico, mas também fase descendente na carreira. Sem o ímpeto e a velocidade de seis anos atrás, quando foi destaque no Botafogo, Pimpão tornou-se titular exclusivamente pelo nome, mas o rendimento foi muito aquém do esperado.

Contratar ex-jogadores em atividade tornou-se comum por aqui diante da ausência de alternativas para os clubes. Em geral, por preguiça e desinformação, os gestores do futebol aceitam passivamente as indicações de técnicos e executivos e contratam sem o necessário cuidado de verificar histórico e até o condicionamento físico-atlético dos “reforços”.  

Isso leva a um outro ponto, talvez o mais importante: a gestão deve ser obrigatoriamente profissionalizada. Passou o tempo dos abnegados de plantão, baluartes e meros curiosos. Apesar da inegável boa vontade, são esses dirigentes que acentuam o atraso massacrante do futebol paraense.

Técnicos e executivos são pessoas detentoras de conhecimento, gestores precisam saber mais sobre futebol profissional, até mesmo para ajudar na prospecção de reforços (de verdade) para seus clubes.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h30, na RBATV, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, os preparativos para a Copa Verde e os rumos da Segundinha. A edição é de Lourdes Cezar.

Esforço para manter José Aldo unifica correntes no PSC

Na entrevista que concedeu no meio da semana, o presidente do PSC, Maurício Ettinger, fez uma espécie de prestação de contas do mandato e especialmente do que ocorreu na temporada do futebol do clube. Admitiu que o planejamento falhou em função do pífio desempenho no quadrangular da Série C.

Apesar da boa campanha inicial, a segunda etapa foi um desastre. Com isso, o time amarga cinco anos batendo na trave sem obter o sonhado acesso à Série B. Entre explicações variadas, o dirigente concorda com a análise interna de que faltou força mental no momento culminante do campeonato.

Diante da iminência de fechar o ano de mãos vazias – perdeu também o certame estadual –, resta priorizar a competição final, a Copa Verde. O Papão tem um estímulo extra: o sonho de conquistar o tricampeonato.

O elenco é o mesmo da Série C, embora mais reduzido. Não haverá mais contratação, para preencher vagas que ficaram a descoberto. A preocupação é seguir buscando conquistas em campo, mas com responsabilidade financeira. Segundo o próprio presidente, o prejuízo mensal se avoluma, pois não há a receita dos jogos, desde que o time saiu da Série C.  

Contratações agora somente no final da temporada, após a Copa Verde, quando também ocorrerá a eleição para a presidência do clube. Vai depender do resultado do pleito a continuidade do projeto atual, incluindo a permanência do técnico Márcio Fernandes, que tem o aval de Ettinger.

Mas, para renegociar a extensão de contrato do volante José Aldo, principal jogador da equipe, será necessário um acordo de cavalheiros com os demais candidatos (devem ser dois nomes representando a oposição).

Os custos que envolvem a renovação com José Aldo assustam porque o jogador está na mira de outros clubes, Ponte Preta à frente. Como os que cobiçam o volante estão na Série B, a disputa pelo atleta tende a ser desigual. A única chance é apressar um acordo, evitando assim o assédio de outras agremiações.

Em nome do interesse maior, Ettinger teve uma ideia elogiável: convocou os candidatos das outras chapas para participarem da negociação em torno de José Aldo. A ideia é fazer com ele o mesmo acordo que garantiu a aquisição definitiva do atacante Marlon, há dois anos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 09)