Reação indignada da comunidade católica impediu uso eleitoreiro do Círio por Bolsonaro

POR GERSON NOGUEIRA

Nem motociata, nem micareta ciriana. A indignada reação através das redes sociais surtiu efeito. O candidato à reeleição presidencial Jair Bolsonaro participou discretamente da romaria fluvial do Círio de Nazaré, na manhã deste sábado, mas não ousou nenhum gesto de exploração marqueteira da devoção à santa padroeira dos paraenses. Ao mesmo tempo, a transmissão por uma emissora católica (TV Nazaré) não destacou em nenhum momento a presença do presidente da República na corveta da Marinha que transportava a Imagem Peregrina.

Sinais mais do que evidentes de que a tentativa de apropriação eleitoreira da festa foi parcialmente sustada, inclusive quanto ao posicionamento da Arquidiocese de Belém, forçada a se explicar através de nota assinada pelo arcebispo D. Alberto Taveira Corrêa, na noite de sexta-feira.

No comunicado, Taveira rechaçou qualquer tentativa “uso político e partidário” do Círio de Nazaré, evento que deve reunir algo em torno de 1,5 milhão de fiéis católicos. Reforçou, ainda, que a condução da imagem no embarque e desembarque é exclusiva do próprio arcebispo. O recado, se não havia sido dado antes a Bolsonaro, parece ter funcionado. O presidente mostrou-se contido e não deu sinais de tentar fazer sua tradicional motociata no trecho terrestre da romaria.

Cercado por aliados, incluindo a notória Carla Zambelli, Bolsonaro teve que ver e ouvir protestos de simpatizantes do ex-presidente Lula, que levaram faixas ao cais do porto de Belém repudiando a presença do presidente na romaria e vaiando intensamente quando ele ficou à vista do público.

Durante a romaria, ele ficou por uma hora na corveta principal da Marinha, mas depois passou para uma embarcação menor, acompanhado pela pequena entourage de assessores e apoiadores. Na chegada, não desceu com a imagem, como estava previsto.

No fim do círio fluvial, Bolsonaro deixou o porto na mesma embarcação, seguido por motos aquáticas, quase ao mesmo tempo em que o arcebispo D. Alberto Taveira descia da corveta com a imagem para ser entregue ao prefeito Edmilson Rodrigues e depois levada até o colégio Gentil Bittencourt.

Que o constrangedor episódio sirva de lição a todos os que tentarem usurpar o protagonismo de um evento que tem como alvo de devoção Nossa Senhora de Nazaré. “Nenhum político tem o direito de explorar a fé dos paraenses”, afirmou o prefeito Edmilson Rodrigues. “O Círio é intocável e plural”, reforçou o governador reeleito Helder Barbalho.

Quanto a dividendos eleitorais, o objetivo de Bolsonaro fracassou redondamente. Não teve como fazer marketing de católico ocasional e nem mesmo conseguiu produzir imagens ao lado da Imagem Peregrina para uso no programa do horário eleitoral gratuito. Em resumo, o tiro saiu pela culatra. Mesmo que tenha desmentido que estivesse em evento de campanha, a insistência em quebrar uma tradição gerou uma indisfarçável saia-justa, que respingou na Arquidiocese e na Diretoria da Festa.

GAFE DO “SÍRIO”

O candidato do PL ainda teve que conviver com o desgaste público de uma postagem sobre o Círio nas redes sociais. A gafe apareceu na grafia utilizada: no Instagram, Bolsonaro (ou algum assessor) escreveu “Sírio de Nazaré” ao invés de Círio de Nazaré. A internet não perdoou o vacilo e deboches sobre a mensagem logo viralizou na forma de memes debochados e depreciativos.

A foto permaneceu no perfil de Bolsonaro por cerca de 30 minutos, foi apagada e em seguida a mesma foto foi republicada com a grafia correta, mas o print foi feito e eternizado. Edmilson Rodrigues, prefeito de Belém, considerou triste o erro no perfil presidencial. “Não merecemos isso, mas é a realidade”, disse.

2 comentários em “Reação indignada da comunidade católica impediu uso eleitoreiro do Círio por Bolsonaro

  1. Gerson, gostaria de agradecer ao escriba quando pedi sua ajuda e criei a #hastag @ForaBolsonarodoCíriodeNazaré, no Twitter, Facebook e Instagram e logo no meu desabafo, contra o oportunista presidente, querendo se aproveitar da Nossa Festa maior dos Paraenses, não poderia deixar isso ser levado a cabo, mesmo distante da terrinha aqui nos EUA, a campanha deu resultado, foram milhares de devotos que logo se manifestaram nas redes sociais, e ajudaram nossa luta contra o pseudo evangélico/maçônico. Muito obrigado pela ajuda e por esse espaço democrático, A luta continua companheiro. Lula 13.

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