Demorou, mas finalmente a Arquidiocese rompe silêncio e nega ter convidado Bolsonaro

Depois de longo e ruidoso silêncio, a Arquidiocese de Belém se manifestou ontem à noite, por força da pressão popular criada em busca de uma explicação para a presença de Jair Bolsonaro no Círio Fluvial deste sábado. Em nota, o arcebispo D. Alberto Taveira garante que não houve convite da Igreja Católica ao presidente/candidato à reeleição.

A nota destaca o direito de qualquer cidadão a participar da romaria, mas assegura que “não desejamos e nem permitimos qualquer utilização de caráter político ou partidário das atividades do Círio”. Nunca na história de 230 anos do Círio um candidato em campanha à Presidência se arvorou a montar palanque na procissão. Nas ruas e nas redes sociais a revolta tomou conta da comunidade católica pela presença de Bolsonaro no Círio fluvial, principalmente pelos boatos de que ele pretende levantar a imagem na chegada ao porto e transformar a romaria em motociata.

Resta conferir, na manhã deste sábado, até onde irá o apetite marqueteiro do terrivelmente evangélico Bolsonaro em meio à manifestação de fé do povo paraense.

HELDER E EDMILSON REPUDIAM

À tarde, em entrevista a Globonews, o governador Helder Barbalho afirmou que “o Círio de Nazaré é intocável e plural”. Acrescentou esperar que não se tente fazer com o Círio “o que tentaram fazer com a Independência do Brasil, a apropriação política. O Círio haverá de resistir a isso”.

O prefeito Edmilson Rodrigues disse estar indignado com a exploração política da procissão: “De forma perversa, tenta-se destruir uma tradição do povo paraense. O Círio não pode ser sequestrado em favor de candidaturas oportunistas. Nenhum político tem direito de usar a fé do nosso povo, jamais”.

FHC recebe Lula e confirma apoio no segundo turno

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na casa do tucano, na capital paulista, nesta sexta-feira (7). FHC havia anunciado, na quarta-feira (5), apoio ao petista no segundo turno da disputa presidencial. O encontro foi fechado. No perfil do petista no Instagram, a legenda que acompanha a foto dos dois é: “Um reencontro democrático com @presidentefhc”.

Lula disputa o segundo turno com o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. Além de ter como candidato a vice o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que esteve por mais de 30 anos no PSDB e atualmente está filiado ao PSB, Lula tem o apoio de tucanos como o ex-governador José Serra e o ex-senador Aloysio Nunes.

Antes deste encontro, o apoio de FHC a Lula havia sido divulgado pelo Twiter: “Neste segundo turno voto por uma história de luta pela democracia e inclusão social. Voto em Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.

Lula agradeceu o apoio em publicação no seu perfil do Twitter. “Obrigado pelo seu voto e confiança. O Brasil precisa de diálogo e de paz.”

Afinal, quanto custa um gol?

POR GERSON NOGUEIRA

Sempre há curiosidade sobre o valor real de um gol. O valor afetivo não tem como ser mensurado, a importância também não. Há gols que mudam a história de um campeonato e impactam a vida de milhares de pessoas. No Brasil atual, considerando a Série A, a Libertadores e a Copa do Brasil, segundo o portal Odds Scanner, o melhor custo-benefício está nos gols de Pedro Raul, centroavante do Goiás.

Com salário anual de R$ 1,5 milhão, Pedro Raul marcou 15 gols no Brasileiro, o que lhe garante a condição de artilheiro com melhor relação custo por gol, com R$ 100 mil.

O levantamento organizado pelo Odds Scanner busca identificar os atletas mais valiosos para seus clubes e apontar aqueles que não estão entregando um bom resultado com base nos salários.

Somando os gols marcados ao longo da temporada, Pedro (Flamengo) lidera como o principal goleador, com 22 gols. Como ganha R$ 7 milhões/ano, o jogador fica na segunda posição em termos de custo por gol.

O segundo maior artilheiro do país, Germán Cano (21), ocupa o 3º lugar quando o assunto é custo por gol. Com base no salário anual de R$ 6 milhões, cada gol do ídolo tricolor custa R$ 612.987,00.

Os piores na relação custo-benefício são Hulk, do Atlético-MG, e Gabriel Barbosa, do Flamengo. Astros de seus times, com salários de nível europeu, ambos exibem um custo-benefício ruim para Galo e Fla. Cada gol dos dois atacantes custa hoje mais de R$ 1 milhão.

Hulk, que fatura anualmente R$ 16 milhões, fez 16 gols no ano. Cada gol custou aos cofres atleticanos a quantia de R$ 1.125.000,00. Gabigol, que ganha R$ 19,2 milhões por temporada, fez 16 gols também, o que representa o valor de R$ 1,2 milhão.

São luxos que só clubes sustentados por receitas portentosas podem bancar. A estatística é fria, centrada em números e não leva em conta o valor agregado que jogadores decisivos garantem a um clube. Mesmo quando não faz gols, Gabigol carrega a condição de ídolo, que rende ao Flamengo inúmeros outros ganhos, inclusive quanto a produtos de marketing.

O mesmo vale para Hulk, que tem mantido a média de gols, mas caiu muito de rendimento em relação a 2021, como de maneira geral toda a equipe atleticana. Os ganhos com salários são medidos aqui pelos gols marcados, mas a conta justa envolve todos os outros benefícios que a presença de Hulk no time garantem ao Galo.

Quando os cálculos se concentram exclusivamente na Copa Libertadores, o centroavante Rafael Navarro lidera em custo-benefício. Marcou sete gols e, como tem salário anual de R$ 3 milhões, cada gol saiu por R$ 450 mil. Pedro, do Flamengo, balançou as redes 12 vezes a um custo de R$ 600 mil. Gabriel Barbosa e Hulk figuram de novo na parte inferior da lista. Com cinco tentos cada, o gol custou a bagatela de R$ 3.5 milhões.

Um exercício aritmético, medindo performance em relação a investimento feito, mas que tem embutido um indisfarçável ar de xeretice em relação aos ganhos dos maiores astros do futebol brasileiro.

Toscano bate em retirada, sem deixar saudades

O PSC segue enxugando o elenco que disputou a Série C. Marcelo Toscano, 37 anos, despediu-se do clube ontem alegando “problemas familiares” para pedir dispensa. O anúncio surpreendeu porque o atacante havia prorrogado contrato para disputar a Copa Verde. Foi o sexto jogador a deixar a Curuzu após o Brasileiro.  

Toscano não deixa muitas lembranças positivas junto à torcida. Contratado no começo da temporada, alternou momentos de maior participação com ausência do time titular, como no quadrangular da Série C, quando só entrou em duas partidas.

Ao todo, disputou 31 partidas (20 como titular) e fracassou na tarefa para a qual foi indicado: fazer gols. Marcou apenas dois, um deles na vitória de 3 a 1 no Re-Pa decisivo do Campeonato Paraense, quando realizou também sua melhor atuação com a camisa do Papão.

Na Série C, quando o ataque funcionava bem, o atacante esteve fora das formações utilizadas por Márcio Fernandes. No quadrangular, diante da ausência de Dalberto (lesionado) e com Danrlei sem condições físicas, Toscano foi esquecido, numa demonstração de que havia perdido espaço.

Com a saída de Toscano, o PSC libera o terceiro jogador na faixa dos 37 anos. Antes, saíram Henan, cedido ao ABC, e Pipico. O único veterano remanescente é Ricardinho, que está em recuperação para se integrar ao elenco que vai em busca do tricampeonato da Copa Verde.

Fogão se tranquiliza, mas segue apanhando da arbitragem

O Botafogo venceu o Avaí de virada, chegou a 40 pontos na tabela do Brasileiro da Série A e praticamente afastou o risco de novo rebaixamento. Não foi tão simples, principalmente pelo gol sofrido logo no início da partida. Um lance impressionante e bizarro.

O atacante do Avaí driblou Junior Santos, que escorregou e estendeu o braço para se apoiar no chão. A bola então tocou na mão do botafoguense e o árbitro marcou a penalidade, confirmada pelo VAR.

A regra, cega e burra, ampara o apitador; o bom senso, não. Típica interpretação grosseira de um lance absolutamente acidental, que não representou nenhuma vantagem para o defensor.

Nas explicações da famigerada Central do Apito, no Sportv, o analista Sandro Meira Ricci ficou entre a cruz e a caldeirinha. Reconheceu o aspecto grotesco da marcação, mas defendeu a aplicação a ferro e fogo das regras.

Melhor no jogo, o Botafogo encontrou forças para virar (Cuesta e Tiquinho), perdendo ainda várias chances com Jefinho. A vitória deve dar ao time a tranquilidade necessária para se ajustar dentro da competição. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 07)

UFPA repudia o bloqueio de verbas do ensino superior autorizado por Bolsonaro

Em nota oficial, divulgada na quinta-feira à noite, o Conselho Universitário da UFPA manifestou repúdio pelo bloqueio de recursos imposto pelo presidente da República:

“O Conselho Universitário (CONSUN) da Universidade Federal do Pará (UFPA) manifesta o seu veemente repúdio à decisão do Governo Federal de, novamente, bloquear recursos das Universidades Públicas Federais, inviabilizando o seu funcionamento pleno e comprometendo ações e projetos fundamentais para a sociedade. Desde 2016, o valor real dos orçamentos de investimento e de manutenção das Universidades Federais vêm decrescendo, alcançando o mais baixo patamar no ano de 2022. No primeiro semestre deste ano, as instituições enfrentaram novo corte de 7,2% nas verbas de custeio, tornando crítica a gestão de contratos e o cumprimento de todas as suas obrigações. Nesse cenário de crise aguda, o Ministério da Educação agora comunica um novo bloqueio no orçamento de manutenção das Universidades Federais, que na UFPA alcançou 6.8%, correspondendo a R$ 11.428.798,18. Para a comunidade da UFPA, este é mais um ataque à educação superior pública, incompatível com o interesse da sociedade brasileira. O Brasil precisa de Educação e de Ciência para impulsionar o desenvolvimento social e econômico, para superar a desigualdade, para garantir a cidadania e para promover a soberania do país. Quem agride as Universidades compromete o futuro da nação. O CONSUN da UFPA conclama a sociedade brasileira a reagir a essa medida e a cobrar do Governo Federal a imediata liberação dos valores orçamentários das Universidades Federais.

Belém, 06 de outubro de 2022.

Emmanuel Zagury Tourinho
Reitor, Presidente do CONSUN”

Rock na madrugada – Rolling Stones, “Route 66”

Faixa produzida por Andrew Loog Oldham e lançada em abril de 1964, “Route 66” (composição de Bobby Troup e sucesso com Nat King Cole, em estilo jazzístico) integra a coleção de grandes clássicos revisitados pelos Rolling Stones, antes que Jagger e Richards criassem coragem para se aventurar em composições próprias.