Lançado o manto oficial da Nazica para o Círio 2022

“Maria, Mãe e Mestra”. Com este tema, foi lançado nesta quinta-feira à noite o manto oficial de Nossa Senhora de Nazaré para o Círio 2022, marcando a retomada plena das procissões que marcam a maior festa religiosa do povo paraense. Foi apresentada a Imagem Peregrina revestida com seu novo manto de Rosa Mística, que procura retratar a singeleza de Nossa Senhora Mãe e Mestra. Busca mostrar com cores suaves “a ternura de Nossa Senhora, representada pela Rosa Mística e pelo Lírio Mimoso”.

Na parte posterior do manto, “o símbolo central é a Rosa Mística contornada por 12 estrelas, que lembram os 12 Apóstolos do Cordeiro expressando a figura feminina mostrada pelo autor do Apocalipse. A mesma Rosa se desdobra em pétalas de amor e presença, como Maria, chamada Rosa Mística na Ladainha a ela dedicada”, diz o informe oficial da Diretoria da Festa.

Filho de Bolsonaro levanta tema da corrupção e é enquadrado por Glauber Braga e Sâmia Bonfim

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentou levantar o tema da corrupção à sessão da Câmara dos Deputados, ontem, proferindo acusações a Lula, mas levou um contra-ataque categórico dos deputados Glauber Braga e Sâmia Bomfim, ambos do Psol.

A frase do dia

“Não há novidade nesse apoio de líderes da Lava Jato a Bolsonaro. Eles já apoiaram em 2018, só que usando cargos de juiz e procurador como disfarce. Assim, se confirma o acerto do STF ao anular todos os processos ilegais contra Lula, conduzidos com vergonhosa parcialidade”.

Flávio Dino, senador eleito pelo Maranhão

Uma bizarrice eleitoreira ameaça avacalhar o Círio de Nazaré

POR GERSON NOGUEIRA

O comboio denominado motociata virou cena corriqueira ao longo do governo de Jair Bolsonaro, que toda semana sai pilotando uma motocicleta sem usar capacetes e passeando por cidades brasileiras com a finalidade de fazer marketing eleitoral. Em geral, os motoqueiros que o seguem são contratados pelas prefeituras das cidades visitadas. Portanto, nada ali é espontâneo e os acompanhantes estão ali ganhando um cachê.

A cena, por mais bizarra que pareça, pode se repetir neste sábado em Belém com tintas religiosas. Na véspera do Círio, a programação da festa religiosa inclui um cortejo de motociclistas entre a escadinha do cais do porto e o colégio Gentil Bittencourt fechando a romaria fluvial – que transporta a imagem de Nazaré de Icoaraci até Belém.

Nada indicaria qualquer mudança nas intenções e práticas da escolta de motoqueiros à Santa Padroeira não fosse a entrada em cena de um candidato à presidência da República, ávido por demonstrar um ardor religioso que não sente e preocupado em capturar votos de incautos católicos que se deixem impressionar pela presepada. Derrotado no primeiro turno da eleição e atrás nas pesquisas para o segundo, Jair Bolsonaro é hoje um político em desespero.

Por isso, caiu como bomba na noite de quarta-feira a notícia de que Bolsonaro virá a Belém acompanhar o Círio Fluvial, no sábado (7). Claro que, autodenominado fiel evangélico (maçom nas horas vagas), ele não deve se sentir muito à vontade diante da imagem venerada pela população católica. Um dos preceitos mais caros aos protestantes é a ojeriza ao “culto a imagens” que atribuem ao catolicismo.

Indiferente a limites de ordem religiosa e muito menos de natureza ética, Bolsonaro vem para construir imagens para o horário eleitoral na TV, como fez recentemente ao performar no velório da Rainha Elizabeth em Londres. Aqui não há devoção, há somente pragmatismo eleitoral dos mais rasteiros.

De maneira geral, políticos evitam se vincular à programação do Círio por temer acusações de oportunismo. Lula revelou na terça-feira que havia recebido do governador Helder Barbalho um convite para acompanhar a procissão, mas preferiu ficar em São Paulo justamente para não ser acusado de explorar a fé para amealhar votos. Para não fazer desfeita, vai mandar a esposa Janja.

Bolsonaro, como se sabe, não tem limites, nem freio. Estimulado por adeptos paraenses do mesmo naipe, enxerga na romaria fluvial a oportunidade de montar um palanque eleitoral para as câmeras. Dane-se a ritualística do evento. Não teme reações críticas porque simplesmente ignora opiniões contrárias. Não usa de bom senso porque simplesmente desconhece a sensatez.

Fazia muito tempo que um candidato em campanha não ousava arrombar as porteiras da religiosidade. Antes da redemocratização era comum a participação de políticos no Círio, desfilando em torno da berlinda, mas essa prática pegava mal e foi caindo em desuso até se extinguir por completo.

Há dois meses, quando veio a Belém em programação de campanha, Lula recebeu a imagem da padroeira das mãos do prefeito Edmilson Rodrigues, gesto que gerou uma treta artificial puxada pelo arcebispo D. Alberto Taveira. Espoletado com uma frase de Edmilson que enaltecia o aspecto ecumênico do culto à Virgem de Nazaré, ele distribuiu uma nota em tons cartoriais, afirmando que o Círio pertence à Igreja Católica e ninguém tasca, como se alguém estivesse a subtrair essa condição.

Ante a enérgica reação nas redes sociais católicas desde ontem, a expectativa agora é pela reação da guarda pretoriana (que inclui a Diretoria da Festa) nazarena às patacoadas de Bolsonaro, que vem pronto para tomar a santinha nas mãos ainda ensanguentadas pelas milhares de vítimas da covid-19. Se não for contido, vai carnavalizar e emporcalhar a romaria, com gesto de arminha e tudo.

Será que o circunspecto Clero irá emitir também condenando o abuso eleitoreiro ou a carraspana em Edmilson só teve mesmo a ver com a presença de Lula? A conferir.

Simone Tebet, 3ª colocada no primeiro turno, declara apoio a Lula

A candidata derrotada do MDB à Presidência, Simone Tebet, anunciou nesta quarta-feira (5) apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

Em pronunciamento, Simone afirmou que:

  • tem críticas a Lula, mas reconhece no petista ‘compromisso com a democracia’
  • amigos pediram a ela ‘neutralidade’, mas que decidiu não se omitir
  • espera que a campanha do petista incorpore ao menos cinco propostas que ela apresentou, entre as quais a de composição de um ministério “plural” e a poupança para jovens que concluírem o ensino médio
  • estará nas ruas até dia 30 de outubro e que faz preces por uma ‘campanha de paz’

O anúncio de apoio a Lula foi feito em um hotel em São Paulo. Simone Tebet ficou em terceiro lugar na votação realizada no último domingo (2). A emedebista recebeu 4,9 milhões de votos (4,16%).

“Ainda que mantenha as críticas que fiz ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em especial nos seus últimos dias de campanha quando cometeu o erro de chamar para si o voto útil, que é legítimo, mas sem apresentar as suas propostas completas, depositarei nele o meu voto porque reconheço nele o seu compromisso com a democracia e com a Constituição, o que desconheço no atual presidente. Meu apoio não será por adesão. Meu apoio é por um Brasil que sonho ser de todos”, afirmou Simone Tebet.

Lula, que tenta voltar ao poder, vai enfrentar o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) na votação marcada para o próximo dia 30. No primeiro turno, Lula ficou à frente de Bolsonaro. O candidato do PT recebeu 57,2 milhões (48,43%) enquanto o presidenciável do PL ficou com 51 milhões de votos (43,20%).

Mais cedo, nesta quarta, o MDB – partido pelo qual Simone é senadora – anunciou a decisão de liberar seus filiados a se manifestarem “conforme suas consciências”, ou seja, permitindo apoio a Lula, Bolsonaro ou neutralidade.

No pronunciamento, Tebet disse esperar que cinco propostas do plano de governo emedebista sejam encampadas pela campanha petista. Segundo ela, as ideias foram apresentadas a Lula durante almoço nesta quarta. “Cabe, agora, a eles a palavra em relação a esses pedidos feitos”, disse.

“Peço desculpas aos amigos e companheiros que imploraram pela neutralidade neste segundo turno, preocupados que estão com a eventual perda de algum capital político, para dizer que o que está em jogo é muito maior que cada um de nós. Votarei com minha razão de democrata e com minha consciência de brasileira. E a minha consciência me diz que, neste momento tão grave da nossa história, omitir-me seria trair minha trajetória de vida pública”, afirmou.

“Não anularei meu voto, não votarei em branco. Não cabe a omissão da neutralidade”, acrescentou.

A emedebista disse também que, nos últimos quatro anos de governo Bolsonaro, o país foi “foi abandonado na fogueira do ódio e das desavenças”. E lembrou o atraso na compra de vacinas contra a Covid-19.

“A negação atrasou a vacina. A arma ocupou o lugar do livro. A iniquidade fez curvar a esperança. A mentira feriu a verdade. O ouvido conciliador deu lugar à voz esbravejada. O conceito de humanidade foi substituído pelo de desamor. O Brasil voltou ao mapa da fome. O orçamento, antes público, necessário para servir ao povo, tornou-se secreto e privado”, declarou.

Simone Tebet também disse que o apoio que dá ao candidato do PT não é “por adesão”, mas “por um Brasil inclusivo, generoso, sem fome e sem miséria, com educação e saúde de qualidade, com desenvolvimento sustentável. Um Brasil com reformas estruturantes, que respeite a livre inciativa, o agronegócio e o meio ambiente, com comida mais barata, emprego e renda”.