Pesquisa Ipec 2º turno: Lula tem 51%, Bolsonaro 43%

Pesquisa do Ipec divulgada nesta quarta-feira (5), encomendada pela Globo, aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 51% de intenção de votos no segundo turno e que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 43%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

  • Lula (PT): 51%
  • Bolsonaro (PL): 43%
  • Branco e nulo: 4%
  • Não sabe: 2%

Foram entrevistadas 2.000 pessoas, entre os 3 e 5 de outubro, em 129 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-02736/2022.

Na simulação anterior de cenário de 2º turno, divulgada na véspera da votação do 1º turno, no domingo (dia 1º), Lula tinha 52% das intenções de voto, e Bolsonaro, 37%.

No primeiro turno da eleição 2022, Lula recebeu 57,2 milhões de votos (48,4%), e Bolsonaro, 51,07 milhões (43,2%). O segundo turno está marcado para 30 de outubro.

Lula recebe bênçãos de frades franciscanos e fala sobre o Círio de Nazaré

Em encontro com frades franciscanos na tarde desta terça-feira (04/10), em São Paulo (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu compromisso de tratar a educação com total prioridade num novo governo, com políticas de inclusão e permanência de jovens pobres no ensino superior, como foi feito nas gestões anteriores. Na conversa com os frades, Lula mencionou o Círio de Nazaré, em Belém, dizendo que foi convidado pelo governador Helder Barbalho, mas que preferiu não acompanhar a procissão para evitar que o acusem de exploração política. Disse, porém, que sua esposa Janja estará presente à grande procissão da padroeira dos paraenses, no próximo domingo, 9.

“Frei Davi, a questão que você coloca da educação, para nós, é uma questão de honra. A gente vai ganhar essas eleições e a educação vai voltar a ser prioridade zero. Nós vamos cuidar da educação porque é, a partir da educação, que a gente vai transformar o povo brasileiro. Não existe possibilidade de o mundo ter desenvolvimento senão houver educação, a formação, a qualificação das pessoas. A educação é a base”, disse, em diálogo direto com frei Davi, fundador do Educafro, instituição voltada para inclusão jovens negros e pobres na universidade.

Frei Davi, frade franciscano que se encontrou com Lula por causa da celebração do Dia de São Francisco de Assis, pediu ao ex-presidente atenção à educação e à criação de instrumentos, como bolsa moradia e bolsa alimentação, que garantam que jovens pobres não abandonem seus cursos universitários por falta de condições de estudar.

O ex-presidente lembrou que seus governos mudaram o perfil das universidades brasileiras, que antes eram majoritariamente brancas e hoje têm 51% de negros e pardos. Com as políticas dos governos Lula, tocadas diretamente pelo então ministro Fernando Haddad, o número de jovens na universidade saltou de 3,5 milhões para 8 milhões.

Uma das marcas da gestão petista, o avanço na educação deu-se por programas como Prouni, Fies, Sisu e Reuni, além da criação de 18 novas universidades federais e centenas de escolas técnicas em diferentes regiões do Brasil.

SINTONIA FRANCISCANA

Ao iniciar sua fala, frei Davi lembrou que os ideais de Lula são afinados com os princípios franciscanos de amor ao próximo e justiça social, além dos cuidados com o meio ambiente e os animais. “Queremos muito que o Brasil volte a ser governado por alguém que tenha a sintonia franciscana, na sintonia com a ecologia. Não podemos fazer esse mal ao planeta Terra. O planeta Terra precisa do amor da Amazônia e a Amazônia não pode abandonar o planeta Terra”.

No encontro, frei Davi contou que começou o dia abençoando uma senhora, fiel da igreja, que pediu que a benção fosse estendida ao ex-presidente Lula pelo trabalho voltado aos mais pobres. Davi contou que abençoou a idosa novamente e procurou a campanha de Lula para dar a benção pessoalmente. (Fotos: Ricardo Stuckert)

A simplicidade nunca sai de moda

POR GERSON NOGUEIRA

Acompanhei no sábado à tarde a final da Copa Sul-Americana entre São Paulo e Independiente Del Valle (do Equador), disputada na cidade de Córdoba, na Argentina. Jogo acima do nível médio da competição, que é uma espécie de rebotalho do futebol do continente e consolação para os que são barrados no banquete da Libertadores.

Para minha surpresa, foi bem mais interessante do que a imensa maioria dos jogos do Brasileiro da Primeira Divisão, que submetem o torcedor a um tédio abusivo. E foi um jogo bom exclusivamente por uma razão: o time equatoriano pratica um futebol organizado, com clara estruturação tática, amparada no esforço coletivo.

Ao contrário do futebol praticado hoje no Brasil, salvo exceções, o Del Valle toca e valoriza a posse de bola. Lembra até aquele sistema em moda no futebol argentino tempos atrás, todo trabalhado na exploração inteligente dos passes curtos. Não há a prevalência da correria desenfreada, embora o time não tenha grandes destaques individuais.

Quem esperava brilho maior nas jogadas, obviamente perdeu tempo. Não há espetáculo, mas é importante reconhecer que o time equatoriano pratica um modelo mais próximo ao da escola espanhola, por influência dos técnicos que dirigiram a equipe nos últimos anos.

Em evidência desde 2016, quando foi vice da Libertadores, o Independiente chegou ao segundo título da Sul-Americana assentado num projeto que valoriza as divisões de base. Ramirez, o jovem e firme goleiro do confronto com o São Paulo, é um dos formados no próprio clube.

Predomina uma simplicidade na distribuição, sem espaço para truques esquemáticos e com uso inteligente do 3-5-2. Até o craque do time, o argentino Faravelli, 29 anos, não exagera em firulas. Com Marco Angulo (20), constitui a base criativa. A velha manha de transformar em vantagem os erros do adversário foi usada sabiamente pelo Del Valle, sem que o São Paulo de Rogério Ceni tivesse percepção de que era dominado

Quando o time paulista se deu conta já perdia por 1 a 0. Tentou acordar, pressionou na base do individualismo de Patrick e algumas estocadas com Calleri, mas não passou disso. Veio o 2º tempo e o Independiente manteve a pegada, sem se abalar. Logo fez 2 a 0 e ficou claro para todos – menos talvez para Ceni – que a fatura estava liquidada.

A simplicidade posta em prática pelos equatorianos é algo meio menosprezado pelos técnicos brasileiros. Alguns agem como se fosse feio simplificar os caminhos e economizar nos arabescos inúteis, como o excesso de passes improdutivos no meio-campo e defesa.

Ao mesmo tempo, quando parecem buscar a objetividade, os times brasileiros abusam do chutão e dos lançamentos longos, quase sempre direcionados aos adversários. Não há direção e nem consciência de que o jogo só evolui com o passe certo, nem curto e nem exageradamente esticado. Por isso, prevalece aquele festival de bumba-meu-boi.

É possível observar isso com clareza na Série B brasileira, rica em times que copiam uns aos outros na tarefa de mediocrizar o jogo. O modesto Del Valle deixou lições na vitória categórica sobre o São Paulo, um time hoje superestimado pela empolgada mídia esportiva do Sudeste.

Com simplicidade e método, o representante do Equador deu um tapa na cara do futebol às vezes excessivamente pedante jogado no Brasil.

Dona Fifa é implacável na hora do faturamento

Uma das maiores máquinas de fazer dinheiro do planeta, a Fifa cresce cada vez mais como sólida corporação financeira. Houve um breve momento de recuo quando o propinoduto chefiado por João Havelange e Joseph Blatter veio à tona, mas, desde 2018, voltou a fazer bom tempo e a chover na horta da entidade, já sob o comando de Gianni Infantino.

As ações de marketing e publicidade que cercam o maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo, dão bem a medida do poderio da Fifa. É o momento de maior faturamento e, por isso, o uso das marcas oficiais da entidade é controlado a ferro e fogo, a fim de evitar que nenhum não parceiro avance nos limites estabelecidos.  

O uso irregular das marcas Fifa pode representar o chamado marketing de emboscada – quando uma marca não patrocinadora de evento se associa direta ou indiretamente a este, beneficiando-se financeiramente ao induzir o consumidor a acreditar que há legitimação da detentora de direitos.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, do Conar, proíbe que empresas explorem o marketing de emboscada e costuma ser rigoroso na punição aos infratores. O problema, para a Fifa, é que as rentáveis fatias de negócios aguçam a criatividade dos criadores e profissionais de publicidade, capazes de inventar truques para driblar os limites legais.

A utilização de termos como Copa do Mundo, Mundial de Futebol ou Jogos Mundiais, dentre outros, são terminantemente vedadas a quem não tem o licenciamento da Fifa e, em caso de exploração, trazem riscos imensos de serem apontados como burla ou fraude.

Já expressões como “Vai Brasil”, “Rumo ao Hexa”, “Explode Brasil”, “Juntos com a Seleção”, dependendo da forma como forem empregadas em peças de propaganda e das imagens ilustrativas, podem permitir o drible aos rigores da legislação e ao controle feroz da Fifa.

Até a fonte dos textos e peças de campanha pode ser barrada, caso seja semelhante ao da Fifa ou da Copa do Catar, configurando desrespeito à “propriedade intelectual dos Jogos”.  

Uma rápida espiada no alentado Manual de Diretrizes de Propriedade Intelectual da Fifa permite ver as imensas limitações impostas no terreno dos direitos de propriedade, com ênfase nas recomendações contra associações comerciais não autorizadas.

Os meios de comunicação, por exemplo, precisam ter extremo cuidado com o uso de vídeos, matérias, artigos ou reportagens que tenham proximidade com as marcas licenciadas, a não ser quando o conteúdo tiver fins estritamente jornalísticos e editoriais.  

A boa notícia é que torcedores podem eventualmente usar as marcas Fifa nas pinturas e grafites de rua, bandeiras e faixas, desde que sem objetivo comercial, e com moderação. Pelo menos isso. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 05)