Quem vai parar o furacão Haaland?

POR GERSON NOGUEIRA

Lendas do esporte começam a marcar seu espaço quando dificultam a vida de analistas, comentaristas e repórteres na busca por adjetivos que definam o nível do astro. É o que ocorre agora com Erling Haaland, o jovem goleador que brilhou na manhã de domingo no clássico entre Manchester City e Manchester United e mostra apetite para fulminar todas as marcas possíveis.

Ao consignar mais um hat-trick com a camisa do Manchester City, ele se tornou o primeiro jogador a marcar três gols em três jogos consecutivos dentro de casa. Antes, Haaland tinha balançado o barbante três vezes contra Nottingham Forest e Crystal Palace.

Outro recorde alcançado: Haaland passa a ser o terceiro jogador da história do Manchester City ao anotar hat-trick no Manchester United, depois de Francis Lee, em 1970, e Horace Barnes, em 1921.

É importante observar que ele fez três gols em lances inteiramente diferentes entre si – um de cabeça, outro em um salto para desviar a bola e outro no estilo de um centroavante clássico.

Curioso é que o bom Phil Foden também marcou três vezes na goleada de 6 a 3 do City contra o United, mas todos os holofotes se concentram no furacão norueguês de 22 anos, o que dá uma ideia de como o mundo enxerga o fenômeno surgido no Borussia Dortmund e mostra a abissal diferença entre os grandes e os comuns. Alto (1,94m), Haaland não é desengonçado. Pelo contrário, mostra agilidade, muda de direção durante as arrancadas e é muito rápido dentro da área.

Contra o United, além dos gols, Haaland deu assistências para dois dos gols de Foden, o que valoriza um de seus recursos menos visíveis: sabe sair da área e jogar com os companheiros na aproximação, no que lembra muito o polonês Lewandowski. Não há dúvida: Haaland, por ser um atacante que raramente desperdiça chances, se parece muito (em performance) com o Cristiano Ronaldo de 2005 em diante.

Por sinal, Cristiano assistiu ao massacre sofrido pelo United (perdia de 4 a 0 no final do primeiro tempo), poupado pelo técnico Erik ten Hag. Segundo o treinador, CR7 ficou de fora porque estava desgastado demais após os jogos pela Liga das Nações. Casemiro e Fred também estavam no banco, mas foram lançados no segundo tempo.

CR7 é também um ponto a ser analisado nisso tudo, mesmo tendo sido um espectador apenas. Ocorre que a presença fulgurante de Haaland se dá quando o supercraque português vive o ocaso da carreira, já sem a força e a qualidade de antes. Como Messi, Cristiano é cada vez mais uma pálida lembrança do monumental jogador que foi. Afinal, o tempo passa para todos.

O massacre histórico que se desenhava acabou atenuado nos 10 minutos finais. O Manchester City vencia por 6 a 1 quando Martial fez dois gols que permitiram ao United sair de campo com um mínimo de dignidade. O que não diminui o vareio de bola aplicado pela equipe de Guardiola, que parecia correr a 100 km/hora contra um United travado.

Éder Jofre, uma lenda dos tempos dourados do boxe

O pugilismo mundial perdeu uma de suas estrelas na madrugada de ontem. Vitimado por uma insuficiência renal, morreu Éder Jofre, o maior boxeador brasileiro de todos os tempos. Homenageado por jovens e antigos pugilistas do mundo todo, ele também mereceu o carinho do São Paulo, seu clube de coração e o qual foi homenageado por Éder inúmeras vezes.

Achei interessante, pela importância, o relato do jornalista André Barcinski, que citou uma frase do escritor norte-americano James Ellroy, grande fã de boxe, que se comportou como tiete de Éder em visita ao Brasil.

“Gigante Eder Jofre. Nunca esqueço o grande escritor James Ellroy, que viu Jofre em Los Angeles em 1960 pulverizando o mexicano Eloy Sanchez, e a única coisa que pediu para fazer no Brasil foi conhecer Jofre. ‘Ele foi o maior lutador só mundo entre 54 e 59’, disse Ellroy”, lembrou Barcinski.

As glórias de Éder no ringue confirmam inteiramente a adoração que Ellroy tinha por ele. De fato, foi um dos gigantes do pugilismo, numa época em que o boxe era incomparavelmente mais importante que a pancadaria sem juízo do MMA.

Um fenômeno dentro e fora das quatro linhas

Quando o sujeito nasce virado para a lua é preciso respeitar. Ronaldo Fenômeno, campeoníssimo nos gramados, mostra-se vitorioso também fora das quatro linhas. Uma carreira empresarial que começou silenciosa, sem muito alarde, começa a ganhar força.

A compra do controle acionário do Cruzeiro pelo investidor Ronaldo Nazário tem se revelado um mega acerto. O êxito é retratado em forma de reconhecimento pela revista Forbes, que é uma referência em economia e mercado. A edição deste mês da Fortes põe o Fenômeno como um case de sucesso.

Como administrador e CEO do novo Cruzeiro, Ronaldo pode comemorar mais um golaço em sua trajetória no futebol. O primeiro objetivo já foi plenamente atingido com o acesso e o título de campeão da Série B.

Pelas mãos de Ronaldo, o Cruzeiro volta à Primeira Divisão logo no primeiro ano de execução do projeto da SAF. Vale lembrar que o ex-craque participou pessoalmente das mudanças dentro do clube, visitando semanalmente a Toca da Raposa e tratando diretamente com o elenco.

O que mais impressiona, segundo Fortes, foi o sucesso das mudanças implantadas. Virtudes como arrojo, ousadia e liderança são atribuídas a um executivo que não fazia passar a ideia de que teria sucesso no mundo corporativo quando encerrou a carreira de jogador.

Como foi nos tempos de excepcional artilheiro, Ronaldo vai se transformando em referência nesses tempos primaveris de SAF no país.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 04)

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