Helder vai apoiar Lula e promete fazer campanha em todo o Pará

Por Miriam Leitão – O Globo

O governador do Pará, Helder Barbalho, vai a São Paulo para declarar seu apoio ao ex-presidente Lula, assim que o MDB formalizar a liberação do partido. Barbalho foi reeleito com a maior votação do país, 70% dos votos. Ele prometer ir a campo trabalhar no Estado, que é o maior eleitorado da região Norte. Isso poderia assegurar a vitória regional. Dos 144 municípios, Barbalho perdeu apenas em 16 cidades.

“Não adianta dar apoio e ir para casa. Tem que ir a campo fazer campanha. E é o que eu vou fazer”.

Lula teve 12% de votos à frente de Bolsonaro no Pará. Simone Tebet teve 5% dos votos e Ciro 3% no estado. Na conta de Barbalho, Lula poderá aumentar sua margem.

Está havendo também uma articulação do senador Eduardo Braga, que sempre esteve com Lula, com Amazonino Mendes, do Cidadania, para o apoio a Lula no Amazonas. Braga está no segundo turno. Amazonino ficou fora da disputa, mas ficou o terceiro mais votado no Estado.

Dessa forma, o MDB dos dois maiores Estados da Região trabalhará para a candidatura Lula. Os dois juntos são mais da metade do eleitorado da região Norte.

Boas notícias? Calma, o bicho é menor do que parece

Por Leandro Demori

Eu sei, eu sei: você está arrasado. Mas calma, eu vou nadar contra a maré do catastrofismo. Um pouco, claro, pra exercitar “todo o músculo que sente”, como já disse o poeta. E também porque a noite de ontem, com o fim da apuração, não foi uma catástrofe como pode parecer. Serei breve, lanço alguns tópicos pra gente pensar juntos. Amanhã falamos sobre tudo isso no programa ao vivo, ok?

Primeiro, as más notícias

A extrema direita não está em decadência no mundo e não vai, por consequência, desaparecer. Mas isso você já sabe porque acompanha A Grande Guerra lá no You Tube. Giorgia Meloni acaba de ser eleita na Itália (Dio, Patria, Famiglia e Libertà, as exatas mesmas palavras usadas por Bolsonaro, eu traduzi um curto trecho de seu discurso aqui); Viktor Orbán está cada vez mais forte na Hungria; o partido de extrema direita Democratas Suecos ficou em segundo lugar nas eleições nacionais no mês passado; e o mundo está sempre sob a sombra do retorno eleitoral de Donald Trump. Há outros exemplos.

Sendo claro: ou você engrossa as filas de uma revolução, ou vai assistir a um filme longo e previsível pelas próximas décadas, cena por cena.

Agora, as boas notícias

Você acha que os bolsonaristas estão felizes com o resultado de ontem? Engano seu. O que se chama de “núcleo duro” do bolsonarismo foi dormir com a boca amarga. É sério.

Trago notícias da minionland: eles estão desolados. Absolutamente chocados que Lula tenha chegado em primeiro lugar e que Bolsonaro não tenha matado a eleição ontem.

O número que circulava nos grupos de zap, há meses, era esse: 70 milhões de votos pro Jair. A “previsão” foi espalhada nas redes. Caso Bolsonaro não fizesse essa votação, mesmo que vencesse, seria “fraude”. Em 2018 Bolsonaro teve 57,7 milhões de votos no segundo turno contra Haddad. Ontem, fez 51 milhões.

Eles não estão apenas indignados com o resultado, mas se perguntando onde foram parar os milhões de votos que Bolsonaro “perdeu”. (Eu sei, a comparação não tem lá muita lógica, mas a lógica não é forte nesse grupo da população. É preciso entender como pensam e por que estão abatidos.)

Você viu a cara do Bolsonaro no pronunciamento de ontem? Então veja.

E o PT, hein?

A principal manchete da manhã de segunda-feira foi esta.

E, bem, na minha opinião ela está errada.

❌ Não existe “o PL de Bolsonaro”. Esse aliança só existirá se Bolsonaro vencer a eleição. Claro que Bolsonaro terá a vida muito mais fácil nesse segundo mandato, mas antes precisa ganhar a eleição, e pra isso precisa de mais de 6 milhões de votos até o dia da votação, ou talvez até mais do que isso. Vamos deixar claro: Bolsonaro está em desvantagem.

O que existe, de fato, é o “PL do Centrão”, que vai atuar conforme seus próprios interesses a partir do ano que vem. Se Lula vencer, a chance de compor com a maioria é alta. Valdemar da Costa Neto, o mandachuva do partido, já foi aliado do PT. Há mais cargos e dinheiro no Governo do que na oposição.

❌ O PL saiu da eleição com 99 deputados federais. Voltando ao passado, o partido tinha 33 deputados federais em 2018. Ficou com 76 com o troca-troca antes da eleição, herdando a parte “bolsonarista” do PSL.

Uma conta básica: 99 – 33 = 66. Esse é o número de deputados “bolsonaristas” do PL, dando o benefício de admitir que absolutamente todos que se elegeram e migraram para o PL são fiéis a Bolsonaro, o que só será verdade se ele vencer a eleição. É um cenário ruim? Sim. É um cenário catastrófico? Não.

O bolsonarismo cresceu, como era de se esperar de um presidente com a máquina na mão que gastou bilhões de reais em compra institucionalizada de votos.

Vale lembrar – O PRN do Collor elegeu 40 deputados federais e cinco senadores, partindo do nada. E o PSL de 2018, esse sim um tsunami bolsonarista, saltou de 8 para 52 deputados na cola de Bolsonaro. Minha opinião: 2018 foi muito mais devastador do que agora.

E se por um lado tivemos eleitos repugnantes como Damares Alves, Mourão e Ricardo Salles, por outro lado olha quanta gente ruim ficou de fora (67 nomes).

No mapa, aliás, a comparação de 2018 com 2022 mostra que o PT avançou pelo país e recuperou terreno.

Teve muita gente boa eleita ontem. Vou deixar só um print. São Paulo vai levar isso aqui pra Brasília:

Tá bom, mas, afinal, o que pensam os bolsonaristas?

Eles estão decepcionados por que, para eles:

Quem matou 686 mil brasileiros foi o vírus da Covid, Bolsonaro não tem culpa. Lembre: muitos sequer acreditam que a Covid mata.

Vacinas: Bolsonaro mentiu, sem contraste, sobre ter trazido as vacinas ao Brasil e disse ter feito isso ao mesmo tempo em que o resto do mundo. Disse isso no debate da Globo, inclusive, e ninguém contestou. Então isso é “a verdade” nos grupos de eleitores mais extremistas: Bolsonaro trouxe a vacina na hora certa, e se vacinou quem quis, mesmo que a vacina “não funcione”.

Economia: culpa da guerra na Ucrânia e da pandemia. E Bolsonaro tem o mérito de ter ido à Rússia negociar fertilizantes.

Fome: culpa da economia, que por sua vez… (ver guerra/pandemia).

O PIB está se recuperando, “é um dos melhores do mundo”.

Nossa gasolina “é uma das mais baratas do mundo”, e isso só foi possível porque Bolsonaro negociou com o Congresso e baixou o ICMS, “sem canetada”.

Nossa inflação é “uma das mais baixas do mundo”.

Isso, e outras coisas, explicam o por que da decepção de ontem. Afinal, esse mito deveria ter feito 70 milhões de votos. Mentiras sinceras, é disso que vive o bolsonarismo.

Quem vai parar o furacão Haaland?

POR GERSON NOGUEIRA

Lendas do esporte começam a marcar seu espaço quando dificultam a vida de analistas, comentaristas e repórteres na busca por adjetivos que definam o nível do astro. É o que ocorre agora com Erling Haaland, o jovem goleador que brilhou na manhã de domingo no clássico entre Manchester City e Manchester United e mostra apetite para fulminar todas as marcas possíveis.

Ao consignar mais um hat-trick com a camisa do Manchester City, ele se tornou o primeiro jogador a marcar três gols em três jogos consecutivos dentro de casa. Antes, Haaland tinha balançado o barbante três vezes contra Nottingham Forest e Crystal Palace.

Outro recorde alcançado: Haaland passa a ser o terceiro jogador da história do Manchester City ao anotar hat-trick no Manchester United, depois de Francis Lee, em 1970, e Horace Barnes, em 1921.

É importante observar que ele fez três gols em lances inteiramente diferentes entre si – um de cabeça, outro em um salto para desviar a bola e outro no estilo de um centroavante clássico.

Curioso é que o bom Phil Foden também marcou três vezes na goleada de 6 a 3 do City contra o United, mas todos os holofotes se concentram no furacão norueguês de 22 anos, o que dá uma ideia de como o mundo enxerga o fenômeno surgido no Borussia Dortmund e mostra a abissal diferença entre os grandes e os comuns. Alto (1,94m), Haaland não é desengonçado. Pelo contrário, mostra agilidade, muda de direção durante as arrancadas e é muito rápido dentro da área.

Contra o United, além dos gols, Haaland deu assistências para dois dos gols de Foden, o que valoriza um de seus recursos menos visíveis: sabe sair da área e jogar com os companheiros na aproximação, no que lembra muito o polonês Lewandowski. Não há dúvida: Haaland, por ser um atacante que raramente desperdiça chances, se parece muito (em performance) com o Cristiano Ronaldo de 2005 em diante.

Por sinal, Cristiano assistiu ao massacre sofrido pelo United (perdia de 4 a 0 no final do primeiro tempo), poupado pelo técnico Erik ten Hag. Segundo o treinador, CR7 ficou de fora porque estava desgastado demais após os jogos pela Liga das Nações. Casemiro e Fred também estavam no banco, mas foram lançados no segundo tempo.

CR7 é também um ponto a ser analisado nisso tudo, mesmo tendo sido um espectador apenas. Ocorre que a presença fulgurante de Haaland se dá quando o supercraque português vive o ocaso da carreira, já sem a força e a qualidade de antes. Como Messi, Cristiano é cada vez mais uma pálida lembrança do monumental jogador que foi. Afinal, o tempo passa para todos.

O massacre histórico que se desenhava acabou atenuado nos 10 minutos finais. O Manchester City vencia por 6 a 1 quando Martial fez dois gols que permitiram ao United sair de campo com um mínimo de dignidade. O que não diminui o vareio de bola aplicado pela equipe de Guardiola, que parecia correr a 100 km/hora contra um United travado.

Éder Jofre, uma lenda dos tempos dourados do boxe

O pugilismo mundial perdeu uma de suas estrelas na madrugada de ontem. Vitimado por uma insuficiência renal, morreu Éder Jofre, o maior boxeador brasileiro de todos os tempos. Homenageado por jovens e antigos pugilistas do mundo todo, ele também mereceu o carinho do São Paulo, seu clube de coração e o qual foi homenageado por Éder inúmeras vezes.

Achei interessante, pela importância, o relato do jornalista André Barcinski, que citou uma frase do escritor norte-americano James Ellroy, grande fã de boxe, que se comportou como tiete de Éder em visita ao Brasil.

“Gigante Eder Jofre. Nunca esqueço o grande escritor James Ellroy, que viu Jofre em Los Angeles em 1960 pulverizando o mexicano Eloy Sanchez, e a única coisa que pediu para fazer no Brasil foi conhecer Jofre. ‘Ele foi o maior lutador só mundo entre 54 e 59’, disse Ellroy”, lembrou Barcinski.

As glórias de Éder no ringue confirmam inteiramente a adoração que Ellroy tinha por ele. De fato, foi um dos gigantes do pugilismo, numa época em que o boxe era incomparavelmente mais importante que a pancadaria sem juízo do MMA.

Um fenômeno dentro e fora das quatro linhas

Quando o sujeito nasce virado para a lua é preciso respeitar. Ronaldo Fenômeno, campeoníssimo nos gramados, mostra-se vitorioso também fora das quatro linhas. Uma carreira empresarial que começou silenciosa, sem muito alarde, começa a ganhar força.

A compra do controle acionário do Cruzeiro pelo investidor Ronaldo Nazário tem se revelado um mega acerto. O êxito é retratado em forma de reconhecimento pela revista Forbes, que é uma referência em economia e mercado. A edição deste mês da Fortes põe o Fenômeno como um case de sucesso.

Como administrador e CEO do novo Cruzeiro, Ronaldo pode comemorar mais um golaço em sua trajetória no futebol. O primeiro objetivo já foi plenamente atingido com o acesso e o título de campeão da Série B.

Pelas mãos de Ronaldo, o Cruzeiro volta à Primeira Divisão logo no primeiro ano de execução do projeto da SAF. Vale lembrar que o ex-craque participou pessoalmente das mudanças dentro do clube, visitando semanalmente a Toca da Raposa e tratando diretamente com o elenco.

O que mais impressiona, segundo Fortes, foi o sucesso das mudanças implantadas. Virtudes como arrojo, ousadia e liderança são atribuídas a um executivo que não fazia passar a ideia de que teria sucesso no mundo corporativo quando encerrou a carreira de jogador.

Como foi nos tempos de excepcional artilheiro, Ronaldo vai se transformando em referência nesses tempos primaveris de SAF no país.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 04)

Baião deu 88% de votos para Helder e 72% para Lula

Baião (PA) definiu os votos para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual no primeiro turno das eleições 2022, realizado neste domingo (2). Os candidatos mais votados na cidade não foram necessariamente eleitos, já que esta é uma eleição de âmbito estadual e nacional. Os números abaixo se referem apenas aos votos em Baião (PA).

Lula, do PT, foi o candidato mais votado para a Presidência da República na cidade. Para o cargo de governador do PA, Helder, do MDB, recebeu mais votos. Ao fim da apuração na cidade, Lula, do PT, teve 72,53% dos votos para a Presidência (15.094 votos), enquanto Jair Bolsonaro foi a escolha de 22,36% dos eleitores (4.653 votos) do município.

Para o cargo de governador, Helder recebeu 88,36% dos votos (17.371 votos) entre os eleitores de Baião (PA). O segundo colocado nesse cenário foi Zequinha Marinho, com 11,03% (2.169 votos). Para o Senado, Beto Faro liderou as escolhas do município, com 12222 votos, vence quem obtiver a maior soma de votos no estado.

Andreia Siqueira foi a mais votada pela cidade para ocupar um cargo na Câmara dos Deputados, com 3468 votos – para se eleger, é preciso que o candidato e seu partido estejam entre os mais votados no estado para atingir o quociente eleitoral e partidário.

BAIXO TOCANTINS

Em Mocajuba, município vizinho a Baião, a proporção foi mais ou menos a mesma: Helder venceu com 89,65% dos votos contra 9,59% de Zequinha Marinho. Lula teve 71,78% contra 22,75% de Bolsonaro.

Em Cametá, Helder teve votação de 90,74% contra ínfimos 8,44% de Marinho. Lula foi vitorioso com 73,81% sobre 20,88% de Bolsonaro.

Igarapé Miri teve votação também favorável a Helder, que obteve 85,28% contra 14,00% de Marinho. Lula venceu com 61,30% contra 32,05% de Bolsonaro.

Abaetetuba registrou o seguinte quadro: Helder recebeu 88,78% dos votos contra 9,81% de Marinho. Lula teve 71,99%; Bolsonaro ficou com 22,65%.

Em Tucuruí, Helder obteve 66,25% dos votos; Zequinha Marinho, 31,82%. Lula teve 55,10% contra 38,61% para Bolsonaro.