A próxima e duríssima Série C

POR GERSON NOGUEIRA

Há quem suponha, ingenuamente, que a Série C tende a ficar menos competitiva a cada nova edição. Lamento dizer, mas os obstáculos e nível de aperreio só irão aumentando com o passar do tempo. Pela lista de times já confirmados, a tendência é que o Brasileiro de 2023 seja o mais difícil das últimas temporadas.

Entre os times que devem descer da Série B neste ano estão equipes de tradição, torcida e sustentação financeira. Até a rodada deste fim de semana, seguiam na zona de rebaixamento os times do Náutico, Brusque, Operário-PR e CSA.

O grupo dos 16 já garantidos na Série C inclui alguns emergentes e outros mais graduados. Dentre os azarões mais notórios, estão Pouso Alegre, São Bernardo, Amazonas e América-RN, que subiram da Série D.  

O pelotão dos que entram na competição sem maiores pretensões, mais preocupados em não cair, tem Altos, Floresta e Confiança. Os demais times merecem toda atenção e respeito porque costumam fazer boas campanhas.

Botafogo-PB, São José, Manaus, Volta Redonda e Ypiranga têm possibilidades de chegar à fase de grupos. Aparecidense e Voltaço disputaram o quadrangular da atual Série C. E os times gaúchos sempre incomodam.

No bloco dos times mais credenciados, pontificam PSC, Remo, Aparecidense e Figueirense. Papão, Aparecidense e Figueira fizeram boas campanhas na fase de classificação da edição atual, mas fracassaram no quadrangular. É justo esperar que entrem fortes em 2023. O Remo, que decepcionou na campanha de 2022, se estrutura para brigar novamente pelo acesso.

O diferencial dessas equipes está no peso da tradição e na força de suas torcidas. Imagina-se que irão ter um enfrentamento mais direto pelo acesso com os que descerem da Série B, embora não se possa descartar o aparecimento de um franco-atirador entre os emergentes.

Na comparação com o campeonato deste ano, o próximo terá pelo menos oito times bem cotados para a disputa nos quadrangulares. Em 2022, além da dupla Re-Pa, os times considerados mais fortes na competição eram Vitória, Figueirense, Botafogo-SP e ABC.  

É claro que são apenas projeções. A movimentação dos clubes em busca de reforços pode alterar bastante a composição de forças, mas é inegável que ficou mais íngreme a caminhada em busca do acesso. E é óbvio que a Re-Pa deixou escapar neste ano uma excelente oportunidade para subir. Ano que vem a parada será bem mais indigesta.   

Bola na Torre

O programa vai ao ar excepcionalmente à meia-noite deste domingo (2), na RBATV, em função da cobertura das eleições gerais. Giuseppe Tommaso comanda a atração, com a participação deste escriba de Baião. Em pauta, os preparativos da dupla Re-Pa para a próxima temporada e os jogos da Segundinha. A edição é de Lourdes Cezar.

Relatório aponta os times que mais trocam de técnicos

Um levantamento publicado na sexta-feira pelo Sambafoot Brasil expõe as entranhas do universo dos técnicos no Brasil, confirmando a impressionante cultura da troca de profissionais sempre que um mau resultado incomoda torcidas e dirigentes. É um hábito tão enraizado que se tornou uma espécie de aleijão na vida dos clubes, independentemente da divisão que ocupem.

O estudo abrange os 10 últimos anos e aponta os clubes que mais trocaram de treinadores na Série A brasileira. Ao contrário do que ocorre com os jogadores, cujas transferências acontecem normalmente nas janelas de meio e fim de ano, as mudanças de comando ocorrem a qualquer momento.

Dentre os 20 times da Série A atual, o campeão em troca de treinador é o Atlético Goianiense, que teve 34 técnicos na década, média superior a três comandantes por ano. Embora não se possa estabelecer uma relação direta com a campanha dos times na competição, o Dragão é hoje o 19º colocado, sob séria ameaça de rebaixamento, com o ex-azulino Eduardo Baptista no comando.

Na segunda posição está o Ceará, que teve 29 técnicos desde 2012. Dirigido por Lucho González, o time ocupa a 15ª colocação neste ano. O terceiro é o Goiás, com 27 técnicos em dez anos. Está na 9ª posição, comandado por Jair Ventura.

Em quarto lugar está o Coritiba, que teve 25 técnicos, está em 16º na classificação. Seu técnico atual é Guto Ferreira. O Flamengo, 4º no campeonato deste ano e clube mais rico do país, vem logo a seguir com 23 técnicos em 10 anos.

No outro extremo, os rivais Palmeiras e Corinthians empatam em primeiro lugar na lista dos times com menor quantidade de técnicos na década. Enquanto o Verdão é o líder do Brasileirão, o Timão vem em 5º. Ambos tiveram 15 técnicos profissionais.

O terceiro da lista positiva é o Fortaleza, que trocou 16 vezes de comandante. O Atlético-MG, 7º colocado na Série A 2022, teve 17 técnicos em dez anos. O São Paulo, 10º, fecha o ranking igualmente com 17 treinadores.

Recadinho cívico do dia

Dia de eleição é como dia santo, ou até mais importante. É quando cada cidadão adquire a noção de sua real importância para os rumos do país. A escolha de hoje pode corrigir erros terríveis do passado recente e descortinar um caminho inteiramente novo.

A coluna, progressista e libertária, marcha ao lado da esperança e da inclusão – e sempre contra a intolerância e ódio. Um grande e luminoso domingo a todos. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 02)

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