Tudo pelo tri da Copa Verde

POR GERSON NOGUEIRA

Os torcedores do PSC não precisaram esperar uma semana, como estava previsto, pela definição da situação do comando técnico. A diretoria agiu rápido e negociou a permanência do técnico Márcio Fernandes, que saiu da Série C desgastado pela má jornada no quadrangular que definiu o acesso à Série B. Apesar das críticas, prevaleceu a ideia de que dispensar o treinador agora acarretaria mais problemas, levando em conta a participação na Copa Verde, que pode dar ao clube o sonhado tricampeonato regional.

Depois do empate com o Vitória, quando o PSC encerrou participação na Série C, o técnico deu uma entrevista ainda sem saber se continuaria no cargo. Disse que gostaria de dar andamento ao trabalho, mencionando uma base que teria ficado da campanha insatisfatória no Brasileiro.

Dias antes, em entrevista de avaliação sobre a eliminação do PSC, o coordenador Ricardo Lecheva expôs insatisfações com a condução do time e chegou até a admitir que estranhou a não utilização do atacante Dioguinho em praticamente toda a competição.

Não foi uma crítica direta, mas deixou claro que havia um descontentamento com a trajetória do time na Série C. Como essas arestas serão aparadas, a partir de agora, é um mistério. De qualquer forma, a diretoria terminou fazendo a opção mais sensata.

Seria uma temeridade sair à procura de um novo técnico para comandar o time na Copa Verde, a competição que restou como oportunidade de conquista de um título na temporada. Não é segredo para ninguém a importância dada à CV pelos bicolores, a partir do empenho da diretoria nos bastidores para que houvesse a confirmação do torneio.

Como a briga pelo título da Copa Verde deve ser particularmente encardida, envolvendo clubes da Série A (Goiás e Cuiabá) e Série B (Vila Nova), o PSC preferiu não correr riscos desnecessários.

Por esse motivo, além da renovação do acordo com Márcio Fernandes, boa parte do elenco que disputou a Série C deve ser preservada até o final da Copa Verde. Será do próprio Márcio a palavra final sobre os poucos jogadores que serão dispensados de imediato.

Direto do blog campeão

“Essa jogada ensaiada, do técnico (Márcio Fernandes) assumir toda culpa, é pra deixar todos os responsáveis pelo fracasso numa boa e vida que segue. Ele, o técnico, não é daqui. Vai pegar sua trouxa e cantar em outra freguesia. Não vai ter que encarar os revoltados, os desgostosos, os decepcionados. Além dele, certamente, entre os culpados estão parte dos torcedores, da imprensa, a diretoria toda e os jogadores. Estes têm a favor o fato de não terem se oferecido para jogar aqui, pois foram procurados e depois contratados. Daqui a pouco começa tudo de novo, do mesmo jeito de sempre. Imprensa e torcedores pedindo reforços de outros mercados, contratação de um novo mercador que fará esses serviços e, por último, a contratação de um técnico que terá que montar um time competitivo com as barangas, os sub-40 e os bichados que colocarão à disposição dele. Com o técnico assumindo a responsabilidade total pelo fracasso, ninguém terá de fazer mea culpa e repensar sobre seus erros. E o futebol paraense com gestões desse tipo afunda na mediocridade e na irrelevância”. Miguel Silva

Seleção goleia de novo e a pachecada se empolga

A Copa do Mundo nunca foi uma competição previsível e fácil. Mesmo em ocasiões de grande domínio de determinado país ou continente, a disputa sempre foi duríssima. Apesar desse fato histórico indesmentível, a torcida brasileira ficou mal acostumada aos cinco títulos mundiais e sempre acha que o Brasil será campeão. É um sentimento tão arraigado que desafia os princípios mais lógicos.

A partir de 1958, o país do futebol aprendeu que ganhar o torneio – tão curto que Garrincha considerava um torneio mixuruca – não era nenhum bicho de sete cabeças. Ficamos soberbos, parecia que a Copa era um mero desfile da suprema arte e molecagem dos meninos do Brasil.

Nem mesmo fiascos terríveis nas Copas de 1966, 1998, 2010 e 2014 fizeram arrefecer esse clima de já-ganhou que impele o país nos meses que antecedem o Mundial. Desta vez, a menos de dois meses de a bola rolar no Catar, os “pachecos” já se assanham.

As ruas ainda não estão embandeiradas porque a eleição mais importante do século ocupa as cores e humores da população, mas os fãs de futebol já estão em pé de guerra. As duas goleadas da Seleção Brasileira sobre times africanos, sexta-feira e ontem, insuflaram ainda mais esse entusiasmo.

O problema não é o sapato alto em si, mas a falta de parâmetro para avaliar a quantas anda de fato o futebol da Seleção. Contra defesas até ingênuas, como as de Gana e da Tunísia, fica mais fácil tabelar, infiltrar, arriscar e até improvisar jogadas. Sim, o Brasil sempre foi brilhante no improviso, mas nos últimos anos exagerava na mesmice.

Talvez daí decorra o entusiasmo que começa a brotar, começando pelas ufanistas transmissões da TV. Neymar, Vinícius Jr., Raphinha, Richarlison e Pedro já preenchem no imaginário do torcedor a quase certeza de que os bons anos de ouro podem estar de volta.

Desta vez, porém, é preciso entender que o Brasil voltou a não ser testado diante dos melhores times do mundo. Por conta do calendário europeu, não houve possibilidade de fazer amistosos com alguns dos favoritos ao título. Em 2018 já havia sido assim e a Seleção sentiu o baque.

Nos gramados catarianos, o Brasil corre o risco de enfrentar quatro campeões mundiais em jogos eliminatórios. Essa sequência é inédita e possível. Será também um torneio com o maior número de seleções bem cotadas – são 10, pelo menos. Por isso, a fartura de gols e dribles contra tunisianos e ganeses não pode ser vista como prova de excelência. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 28)

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