Nova ameaça bolsonarista: TSE suspeita de “inscrição combinada” de mesários

Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral temem que tenha havido inscrição combinada de mesários bolsonaristas para trabalhar nas eleições do próximo domingo (2/10). A suspeita é que esta pode ser uma das razões de recorde de inscrições neste ano. Do total de 2 milhões que trabalharão nas eleições, 830 mil (ou 48%) se voluntariaram para trabalhar na votação.

O número de mesários que se ofereceram espontaneamente é 93% maior que na última eleição geral, quando havia 430 mil voluntários. Embora todos os mesários passem por treinamento e sejam repassadas a eles todas as regras sobre o dia do voto, há um temor dos técnicos de que algumas delas não sejam respeitadas por mesários bolsonaristas, a exemplo da obrigação de o eleitor entregar o celular no momento em que estiver votando.

(Por Guilherme Amado, no Metrópoles)

A grana, sempre ela, trava a Liga

POR GERSON NOGUEIRA

O maior obstáculo para viabilizar a liga nacional de futebol é, sabe-se bem, a partilha do dinheiro. Até hoje não apareceu ninguém com a solução mágica para unificar os diferentes interesses dos 25 clubes que integram a chamada Liga Forte. Dividir de maneira mais equânime o bolo das receitas dos contratos de transmissão da Série A é o grande desafio posto à mesa.

Que a liga terá que ser criada algum dia, não há dúvida. Nos moldes do que ocorre nos principais centros, a organização entregue aos clubes é o caminho racional para a regulação do negócio futebol no Brasil. Ocorre que, sempre que a partilha de dinheiro entra no debate, o consenso acaba.

A discussão voltou à tona na quarta-feira, 21, quando foram conhecidos os números do dinheiro distribuído pela bilionária Premier League inglesa a cada clube na última temporada.

“Na Premier League, o clube de maior receita recebeu 153 milhões de libras (R$ 880 milhões) e o de menor 101 milhões (R$ 581 milhões). Diferença de 1,5x. Os fatos mostram que uma divisão mais equilibrada gera mais competitividade e mais receitas”, diz o texto da Liga Forte Futebol, divulgado nas redes sociais.

A Premier League lida com valores superlativos: os direitos de transmissão de 2021/2022 alcançaram 2,5 bilhões de libras (R$ 14,6 bilhões, na cotação atual). Campeão da temporada, com 28 partidas exibidas ao vivo, o Manchester City encabeça a lista de arrecadação. 

O rebaixado Norwich, com apenas 12 transmissões, ficou no rabo da fila com o menor valor, embora com o consolo de embolsar mais de 100 milhões de libras.

Com 13 membros, a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) tem uma visão bem específica sobre o assunto. Primeiro grupo formado para discutir a criação de uma liga, propõe que a divisão contemple 40% dos direitos separados igualitariamente, 30% proporcionais à performance esportiva e 30% por engajamento/audiência de TV e internet.

Anunciada em junho passado com o objetivo de unir os clubes das principais divisões, a Liga Forte prefere porcentagens diferentes: 50% (direitos), 25% (performance) e 25% (audiência). É justamente em torno dessa ideia que se alinha boa parte dos clubes emergentes, como Remo e PSC, entendendo que os maiores clubes terão que necessariamente fazer concessões em prol da unidade.

Historicamente, Flamengo e Corinthians acumulam os maiores ganhos no Brasil, em função da grandeza de suas torcidas. Algo que tem algum paralelo na partilha existente na La Liga espanhola, embora lá Real Madrid e Barcelona já tenham feito concessões que diminuíram o abismo financeiro em relação aos demais clubes.

Yuri Salomão, presidente do Sport, afirmou que não é possível admitir uma diferença tão acentuada na partilha do que é arrecadado pelas transmissões de TV dentro de uma mesma competição. A posição dos dirigentes de Remo e PSC ainda não é conhecida.

De todo modo, a discussão está apenas começando. Para que a Liga Nacional seja instituída num prazo de cinco anos, as diferenças terão que ser superadas e outros temas importantes (acesso e rebaixamento, por exemplo) equacionados.

Datas da Copa Verde 2023 serão definidas até outubro

A coluna lamenta e corrige um erro crasso na observação do adendo que a CBF fez ao calendário do futebol brasileiro, divulgado nesta semana. Na sexta-feira, critiquei o menosprezo da entidade em relação à Copa Verde, fato óbvio e indesmentível, mas cometi o deslize em relação ao prazo estabelecido para definir o torneio de 2023.

O adendo diz que a CBF irá divulgar o calendário específico para as copas regionais (Copa Verde e Copa do Nordeste) até o dia 17 de outubro de 2022, e não de 2023, como afoitamente considerei. Se a CV vai ser mesmo confirmada para o primeiro semestre, como a CBF se comprometeu a fazer, já é outra história. O jeito é esperar e torcer.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 21h30, na RBATV, com apresentação de Mariana Malato e participações de Saulo Zaire e deste escriba baionense. Em discussão, o encerramento do quadrangular da Série C. A edição é de Lourdes Cezar.

Brasil voa em amistoso e reanima “pachecos”

A Seleção Brasileira teve momentos empolgantes contra Gana, na sexta-feira, em Le Havre (França). Fazia tempo que o time não mostrava tamanho apetite ofensivo. A dois meses do Mundial, Neymar, Richarlison, Paquetá, Raphinha e Vinícius se lançaram ao ataque desde os primeiros minutos e o placar foi sendo construído rapidamente.

O jogo valeu pelo 1º tempo, quando o placar foi definido em 3 a 0 para o Brasil. Cabia mais. Raphinha e Neymar perderam boas chances. Richarlison, que fez dois gols, aproveitou para fazer lobby e pedir apoio do torcedor. Tipo de apelo nem sempre funciona, até porque a torcida anda cética em relação à Copa depois do papelão de 2018.

Tite, que deixará o cargo depois da Copa, parece ter abraçado de vez a causa do ofensivismo. A Seleção propôs jogadas, sufocou o adversário e mostrou variação de repertório. Neymar foi bem, mas poderia render mais. A velha mania do drible a mais acaba atrapalhando muitos lances promissores.

A Copa do Catar promete surpresas e uma Seleção Brasileira fiel aos tempos gloriosos é tudo o que o torcedor mais “pachequista” espera ver. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 25)