Ícone do site Blog do Gerson Nogueira

Recomposição difícil na zaga

POR GERSON NOGUEIRA

Um entrevero entre o volante Mikael e o zagueiro Genilson, ocorrido na partida entre PSC e Figueirense, causou um prejuízo tremendo à formatação defensiva bicolor para o próximo compromisso – contra o ABC, sábado à noite, em Natal. Genilson, esteio e referência do setor, recebeu o terceiro cartão amarelo e desfalca o time.

Quis o destino que essa baixa venha logo no jogo mais importante da temporada, obrigando o Papão a modificar a composição do miolo da zaga. Naylor, vindo da Tuna, consolidou presença ao lado de Genilson desde as últimas rodadas da fase de classificação.

Ambos vinham se entendendo cada vez melhor, aliando a capacidade de antecipação de Naylor com a regularidade de Genilson na cobertura, o que só aumenta o tamanho do problema a ser contornado por Márcio Fernandes.

Pelo andar da carruagem, o técnico vai decidir entre Lucão e Salazar, com maiores chances de aproveitamento do primeiro, que chegou a ser titular por breve período durante a primeira etapa da Série C, mas perdeu espaço com a chegada de Naylor.

De estilo mais lento, Lucão é eficiente no jogo aéreo, especialidade do gigante Salazar, que ainda não estreou. Douglas também pode ser aproveitado. O fato é que nenhum desses zagueiros sabe sair jogando, como Genilson. O capitão é também um ativo participante de lances ofensivos, tendo marcado cinco gols na temporada.

Além de todos esses aspectos, há o fato de Genilson ser um jogador mais experiente, capaz de exercer uma liderança em campo que pode ser fundamental em partidas decisivas, como será o confronto de sábado.

Apesar da boa campanha no Brasileiro, o PSC viveu períodos de instabilidade no setor defensivo com a utilização de jogadores que não conseguiam se firmar, como Bruno Leonardo e Marcão, ambos dispensados por deficiência técnica.

As coisas só se estabilizaram quando Genilson e Naylor passaram a dividir responsabilidades no setor, garantindo segurança e tranquilidade. Treinar o substituto para que o time não sofra com a recomposição forçada é o grande desafio de Márcio Fernandes nesta semana.  

Fase de Daniel Alves coloca Tite em saia justa

A passagem pouco empolgante de Daniel Alves no pouco badalado futebol do México tem irritado a torcida do Pumas e deixado o técnico Tite em situação no mínimo incômoda para confirmar o veterano lateral entre os convocados para a Copa do Catar, como parece ser sua intenção.

Desde que chegou ao México, Daniel cumpre uma trajetória irregular. Recebido como astro, passou a sofrer questionamentos a partir das atuações pouco inspiradas, em boa parte prejudicada pela baixa qualidade do time.

Na verdade, o Pumas vive uma fase tenebrosa, ocupando a 14ª posição no campeonato mexicano. Desde que Daniel Alves o time acumula resultados ruins, sendo que os piores foram a goleada de 6 a 0 para o Barcelona e a queda diante do rival América por 3 a 0, dentro de casa.

Vale lembrar que Daniel teve que buscar no México espaço para jogar e se manter em atividade nos meses que antecedem a Copa do Mundo.

E justamente pela provável presença de jogadores em clara decadência, como Dani Alves, adversários da Seleção Brasileira na primeira fase da Copa não demonstram mais o mesmo temor de antes. Favorito do grupo G do mundial (que tem Sérvia, Suíça e Camarões), o Brasil vem sofrendo críticas pontuais nas últimas semanas.

A mais recente vem de Vincent Aboubakar, atacante camaronês, que não vê o Brasil com a força de outros mundiais. “esse time não é como os que conhecemos no passado”, comentou o goleador da última edição da Copa Africana de Nações, com oito gols.

Tênis de mesa paraense brilha no Challenger Plus

Atletas da Associação Paraense de Tênis de Mesa (APTM) conquistaram quatro medalhas (duas de ouro, uma de prata e uma de bronze) no torneio Challenger Plus, realizado em Fortaleza (CE), na semana passada.

O torneio confere pontuação para o ranking nacional e insere os mesatenistas paraenses como os melhores do Brasil.

O homem que apresentou o Calcio aos brasileiros

Para muitos, como eu, o futebol italiano foi descoberto a partir dos inspirados comentários de Silvio Lancellotti, que encantava nas transmissões do Calcio na Band com intervenções sempre temperadas por referências gastronômicas. Sua morte, ontem, aos 78 anos, fez com que a memória afetiva daquelas manhãs de domingo fosse revisitada.

Silvio tinha sempre na ponta da língua as histórias mais deliciosas do campeonato italiano, que era de longe o mais interessante do mundo, com uma legião estrangeira formada por Diego Maradona, Van Basten, Gullit e Careca, e nativos espetaculares, como Donadoni, Maldini e Baresi

Dono de um texto primoroso nos artigos publicados na Folha de S. Paulo e em grandes revistas nacionais, Silvio também foi um escritor de grande talento. O seu “Honra ou Vendetta”, livro no qual rastreia os passos da máfia italiana no Brasil, é puro deleite estilístico.

Muito além de suas inúmeras habilidades, Silvio será sempre lembrado por apresentar o futebol da Velha Bota a uma geração inteira de brasileiros.

Quis o destino que sua partida coincidisse com a de Jean-Luc Godard, um gênio do cinema de autor e grande nome da geração francesa surgida nos anos 1960. Silvio era também um grande cinéfilo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 14)

Sair da versão mobile