Entre abalos e polêmicas

POR GERSON NOGUEIRA

Tem sido assim, aos trancos e barrancos, o desenrolar de uma semana importantíssima para o PSC na Série C. O que deveria ser um período de calmaria, em busca das condições ideais para a preparação da equipe antes do jogo decisivo com o Figueirense, foi transformado num rosário de polêmicas desnecessárias e mudança importante na gestão do futebol.

A primeira batata quente foi o incidente envolvendo o atacante Marcelo Toscano, excluído da delegação que foi a Santa Catarina, por deficiência técnica. Na verdade, um problema pessoal extracampo teria sido o motivo da barração. Surpreendentemente ele deve ser titular no domingo.

O erro aqui por parte da gestão foi permitir que uma situação de natureza interna tenha extrapolado, a ponto de virar tema de especulações nas redes sociais, envolvendo a possível extinção do grupo Bicolindas.

Ao mesmo tempo, o executivo Fred Gomes foi demitido depois da derrota em Florianópolis, sem maiores explicações. Se não realizava um grande trabalho é legítimo questionar por que não foi dispensado antes. Por outro lado, se o trabalho era bem avaliado, porque sair justamente agora?

De atitudes polêmicas e explosivas, como o envolvimento em confrontos com dirigentes do Remo em jogos da Copa Verde e do Parazão, o executivo teve um desempenho mais discreto – talvez excessivamente discreto – nas ações relacionadas à formação do elenco do PSC.

Muitas das escolhas de reforços passaram pelo crivo de sua área, embora no clube prevaleça um sistema colegiado de tomada de decisões. Boa parte do elenco ficou devendo durante o Brasileiro. Responsabilidade de todos os gestores e da comissão técnica.

Como a situação afunilou e o time não tem correspondido na fase mais importante do campeonato, fica a impressão de que começam as punições pela má jornada. Referindo-se à boa campanha na etapa de classificação, Fred Gomes disse em entrevista à Rádio Clube que o trabalho foi positivo. Esqueceu de dizer que a meta do clube sempre foi a conquista do acesso.

Tais episódios sempre afetam o ambiente, provocando abalos e fissuras no elenco. Não é, seguramente, o cenário ideal para uma semana decisiva. (Foto: Vítor Castelo/Ascom PSC)

MPPA garante espaço para torcida visitante na Curuzu 

A selvageria que caracteriza as torcidas organizadas do Pará tem causado efeitos extremamente negativos para o futebol local ao longo dos últimos anos. O problema é tão sério que tornou impraticável a realização de jogos com divisão de público. Agora, põe em risco uma norma que é seguida em todos os jogos do Brasileiro da Série C.

Por determinação do Ministério Público, o Figueirense terá direito a espaço para seus torcedores no estádio da Curuzu, domingo, na partida contra o PSC. Jogos recentes da Série C no estádio não tiveram a presença de torcedores dos times visitantes, por questões de segurança.

A dificuldade para receber torcidas rivais começa pela estrutura do estádio e pela ferocidade de parte da torcida, simbolizada pelas ditas “organizadas”, cuja interdição já foi determinada pela Justiça nos últimos anos. Na prática, porém, com a simples troca de denominações, todas atuam normalmente, sempre criando tumultos e conflitos.

Aliás, em Florianópolis, no último sábado, membros de organizadas do PSC deram muito trabalho ao policiamento, como já havia ocorrido também em Campina Grande há algumas rodadas. O tumulto no estádio Orlando Scarpelli foi relatado pelo árbitro na súmula da partida.

É com esse histórico que o PSC terá que lidar, domingo, na recepção aos visitantes – e fazer o possível, com ajuda do policiamento, para que tudo transcorra normalmente. Afinal, o mandante é responsável pela segurança de todos os envolvidos no jogo. Cabe lembrar também que ainda há um jogo a realizar como mandante, contra o Vitória, e é fundamental não correr riscos de interdição do estádio.

Os feitos de Felipão, um sobrevivente de 2014

Luís Felipe Scolari é um dos mais vitoriosos técnicos brasileiros, ninguém discute isso. Essa condição foi reforçada ainda mais com a classificação para a sua quarta final de Libertadores. Não foi um feito qualquer. O Atlético-PR, treinado por ele, superou o Palmeiras, bicampeão da competição continental.

Com organização e forte disciplina tática, o Furacão venceu o primeiro jogo em Curitiba e empatou o segundo, em São Paulo, em jogo que parecia se encaminhar favoravelmente ao Palmeiras. O time de Abel Ferreira fez 2 a 0, controlava o jogo até o começo do segundo tempo.

Uma expulsão fez desandar o processo vitorioso palmeirense. O Atlético fez o primeiro gol e chegou ao empate quase ao final da partida. Poucos acreditavam no que viam. O Palmeiras é cantado em prosa e verso como um dos dois melhores times do país – o outro é o Flamengo –, pelo time que tem e pela capacidade de seu técnico.

Nos jogos diante do Atlético-MG, em 2021 e neste ano, o Palmeiras passou no limite, com requintes de valentia e superação. A façanha até hoje é destacada, sendo que o time mineiro é dono de um elenco bem mais qualificado e caro que o do Furacão.

O diferencial entre os Atléticos está justamente na experiência e competência de Felipão em mata-mata. Não é defensor de um estilo bonito de jogar, longe disso. Seus times destacam-se mais pela transpiração do que pela criatividade. No fim das contas, porém, a objetividade é item fundamental em torneios como a Libertadores.

Está definitivamente provado que Felipão é um especialista em jogar competições de tiro curto. Provou isso na Eurocopa (foi vice-campeão, com Portugal) e na Copa do Mundo, com o título mundial de 2002.

Os êxitos que acumula permitem até superar um fracasso – a goleada de 7 a 1 para a Alemanha, em 2014 – que tinha potencial para destruir a carreira de muitos outros treinadores. Terá um novo desafio na final do próximo dia 29 de outubro diante de um adversário mais qualificado. O Fla entra como favorito, justamente uma situação que Felipão adora explorar. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 08)