Falha bizarra derruba o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

Esperava-se um jogo difícil, de forte marcação e pressão dos donos da casa, que estavam motivados pelo importante triunfo sobre o Vitória na 2ª rodada, mas o desenho inicial do confronto favoreceu o PSC. O Figueirense tentou impor um abafa no começo, mas, aos poucos, foi cedendo espaços para o contra-ataque. Depois de duas chances desperdiçadas, o gol paraense saiu aos 23 minutos, através de José Aldo. O problema é que, apenas cinco minutos depois, uma falha do goleiro permitiu o empate e o início da reação catarinense.

A jogada que deu origem ao empate começou despretensiosa, meio sem querer. Um balãozinho na área do PSC, a bola quicou na linha da pequena área, encobriu o goleiro Tiago Coelho e se ofereceu para Léo Artur empurrar para as redes. Fácil, extremamente fácil. Tiago perdeu o tempo da bola e não conseguiu nem pular para interceptar.

Um lance capital no jogo e tão inesperado que o técnico Márcio Fernandes admitiu que, ao longo de toda a carreira no futebol, jamais tinha visto um gol tão esquisito. Tiago admitiu a falha, explicou que foi traído pela direção da bola e pediu desculpas ao torcedor alviceleste nas redes sociais.

No segundo tempo, o Papão mostrou que estava pronto para seguir buscando a vitória. Começou melhor, trocando passes e explorando os lados do campo, com avanços de Robinho e Marlon. Aos 22 minutos, surgiu uma chance preciosa: Mikael lançou Pipico na área do Figueirense e o atacante desperdiçou o que seria o gol do desempate. Ao invés de bater de esquerda, chapando a bola, ele tocou de direita e o chute saiu torto.

Cabe ressaltar que, no 1º tempo, Pipico quase marcou chutando de fora da área. A bola foi no ângulo, forçando o goleiro Wilson a uma grande defesa.

Para infortúnio do Papão, um minuto depois do gol perdido, o Figueirense foi ao ataque e abriu vantagem. A jogada rápida começou pela direita, o centroavante Gustavo Henrique foi lançado na área e bateu por cobertura, aproveitando que o goleiro Tiago Coelho ficou no meio do caminho. A bola ainda tocou no travessão antes de entrar.

Depois de estabelecer a virada, o Figueirense se preocupou em controlar o meio-campo e explorar os contra-ataques. Quase chegou ao terceiro gol com Gustavo Ramos, ex-azulino, que disparou um chute cruzado acertando a rede pelo lado de fora.

No desespero, o técnico Márcio Fernandes fez várias mudanças, desfigurando o meio-campo e o ataque. Entraram Serginho, Marcelinho, Alessandro Vinícius e Wesley. Nem assim o time esboçou reação. Pelo contrário, o que já não estava bem acabou ficando pior.

O desgaste físico e mental tornou José Aldo improdutivo, reduzindo seu campo de atuação e tornando a meia-cancha completamente improdutiva. Apesar de insistir em cruzar bolas na área, o PSC não levou mais perigo e ficou exposto à velocidade do ataque do Figueirense.

A vitória deixa o Figueirense bem posicionado na luta pelo acesso, enquanto o PSC se complica ainda mais, precisando agora encontrar forças para vencer os três jogos que restam e ainda torcer por outros resultados.

Na lanterna, sem pontuar, o time de Márcio Fernandes tem hoje como maior adversário seus próprios fantasmas. Fica claro que os erros individuais – contra o Vitória, ABC e Figueirense – explicam os resultados ruins, mas não dizem tudo sobre a vertiginosa queda de rendimento da equipe.

Nem mesmo quando conseguem encaixar bem o jogo, como no início da partida em Florianópolis, os jogadores conseguem manter a estabilidade. Como as cobranças são constantes, o time reage da pior forma possível quando sofre um gol.

É neste cenário que a semana começa, com preparativos para o jogo com o Figueirense no domingo e a obrigação de vencer a qualquer custo. A entrevista de Márcio Fernandes após o jogo é reveladora do clima de abatimento que tomou conta do grupo. Sem ter como explicar mais um tropeço, ele buscou argumentos no imponderável. Abatido, disse que o futuro a Deus pertence.

Leãozinho sofre, mas garante bicampeonato sub-20

Parecia que tudo estava preparado para um novo triunfo remista e a festa pela conquista do título estadual da categoria sub-20. O Pinheirense, porém, mudou o script e endureceu a parada. Venceu o jogo por 3 a 1, forçando a decisão na cobrança de penalidades.

Aí brilhou o goleiro Juan, responsável por três defesas que garantiram a taça para o Leão. Tirando a reviravolta emocionante no desfecho do campeonato, a final serviu para colocar em ação jogadores promissores nos dois times.

O Remo teve Solano e Henrique como destaques, além do goleiro Juan, enquanto o Pinheirense mostrou o atacante Mateuzinho, habilidoso e bom finalizador. São nomes, como outros que estiveram em ação, que podem vir a reforçar equipes profissionais em 2023.

Desde que os clubes levem a sério a valorização da prata da casa, coisa que nos últimos anos se tornou uma novela de final sempre ruim. Os jogadores até surgem nos times de base, mas não encontram espaço para jogar.

O crônico problema mereceu um comentário do jornalista Nildo Lima, repórter do Bola, a propósito da coluna de ontem, chamando atenção para a responsabilidade que a imprensa esportiva tem em relação a isso.

“Que os dirigentes de nossos principais clubes não dão a mínima para a base, isso é fato. Mas é necessário que a imprensa, da qual fazemos parte, também assuma sua fatia desse bolo sem cor e sem sabor do desprezo à garotada. A imprensa só abre espaço a garotada na entre safra do futebol local. Traduzindo: o futebol de base do Pará é, para a imprensa local, uma espécie de estepe”, diz.

“Agora mesmo os times de Clube Remo e Pinheirense entraram em cena pelo fato de o primeiro estar sem atividade profissional, e só por isso. Para não me alongar mais, o que acontece é que cobramos muito dos dirigentes, e isso é correto, mas esquecemos de olhar para os nossos próprios erros”, observa Nildo, com boa dose de razão. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 05)

4 comentários em “Falha bizarra derruba o Papão

  1. Parte da imprensa, parte da torcida e dirigentes em geral só lembram dos “meninos da base” quando desastres consumados ou em vias de ocorrer assolam os titãs do nosso futebol. Todo início de temporada, especula-se com avidez quais jogadores de outras praças serão contratados. Antes disso, contrata-se o mercador que vai às compras em nome do clube, o tal executivo de futebol, também importado, que nada conhece do material humano regional. Pelo exíguo tempo que dispõe para essa missão, sempre à beira do início das competições, o executivo deve ocupar seu tempo vendo filmes editados com os melhores (ou menos piores) momentos dos candidatos e em telefonemas para acertar as bases contratuais. Não é de surpreender que nessas aquisições venham boleiros fazendo hora extra na carreira ou simplesmente bichados, que passarão mais tempo no DM do que em campo. Sem contar os tecnicamente sofríveis, que nada acrescentarão. E quanto aos garotos, quando muito um ou dois sentarão no banco e sequer serão alvos do olhar do professor, pelo canto do olho, indicando uma possibilidade remota de entrar em campo. Isso já vem de longe.

    1. Concordo com o amigo.
      Quantos ronis, quantos ronaldis nossos clubes já perderam por conta disso. Aí, em cima da hora, contratam gente de fora (os mercadores, como o amigo nominou; os treineiros…) e, também de forma açodada, trazem forasteiros que, além de possuírem os problemas citados, não têm o comprometimento que os locais têm. Estes últimos sabem o que representa para o torcedor Remo e Paysandu.
      No Remo, quando tardiamente, dispensaram Bonamigo (gente boa e tudo o mais, porém já ultrapassado), meu pensamento direcionou-se para o Josué Teixeira. Bem, eu sei que muitos vão dizer que não era o profissional ideal. Compreendo. O profissional ideal está há muito dinheiro de distância do orçamento azulino No entanto, era alguém que já passou pelo clube e que está atuando aqui, ou seja, para a emergência em que o Remo foi por si mesmo se colocando, era um nome melhor que o de Gerson Gusmão, que precisou ainda de uns três jogos para se adaptar. Todos eles, quando chegam aqui, desconhecem a força que é Remo e Paysandu e o que eles representam para o futebol paraense, e que estão, em termos potenciais, bem acima de muitos por aí. Jogadores locais, como bem disse Gerson Nogueira, em geral são jogados no fogo, quando todas as opções forasteiras fracassaram.

      Paciência.

  2. O comentário de Nildo Lima é pertinente, e merece aplausos pela rara autocrítica quanto ao papel da imprensa esportiva paraense.
    O titulo de Bi-Campeão da categoria Sub-20, pelo Remo, deveria estimular a Diretoria do clube a repensar atitudes covardes, como a de desistir da participação na Copa Verde/2022.
    Seria a oportunidade, também rara, da equipe sub-20 merecer representar o clube nesta competição, como anunciam que farão os clubes goianos, Goiás e Vila Nova.
    Mais que um prêmio à garotada, serviria para amadurecer a equipe para as Copas São Paulo de Júniores-2023/24, onde, por falta de maior intercâmbio e rodagem, as equipes paraenses se limitam a fazer turismo e pagar micos. ,

  3. Embora existam pequenas possibilidades o pulso ainda pulsa!
    O maior adversário do Paysandu é ele mesmo.
    As três derrotas, não merecidas, seguiram a retórica de que a bola pune.
    A bola puniu o Paysandu pela incompetência nas finalizações, puniu por ser uma equipe de improdutivos toques laterais, puniu por jogar muitas vezes no sentido da própria área beneficiando os adversários facilitando seus sistemas defensivos e em outras oferecendo o gol a equipe oponente.
    Também tem o dedo do treinador, deixar o Toscano e levar um “lesionado” para motivar psicologicamente o time?. Olha sem palavras….
    São pouquíssimas as chances mas o pulso ainda pulsa!

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