Amazônia e meio ambiente ficam fora da pauta dos candidatos à presidência

Por Eliane Brum

E no primeiro debate das candidatas e candidatos à presidência do Brasil, a palavra “Amazônia” mal foi pronunciada, não se ouviu a palavra “indígena” nem a palavra “racismo”. Não havia nenhuma pessoa negra no centro dos acontecimentos, quando os negros são a maioria da população brasileira. Há um recorde de candidaturas indígenas nessa eleição, a maioria de mulheres, mas isso não apareceu. Meio ambiente foi mencionado de forma superficial, mas cobriram o “agronegócio” de elogios e uma jornalista chegou a fazer propaganda para a Ferrogrão, uma tragédia para uma floresta amazônica já perto do ponto de não retorno. Parecia um teatro de uma outra época, sobre um Brasil de outro tempo.

A desconexão dos candidatos e das candidatas com o que realmente é importante, com o que define nosso presente e o que definirá nosso futuro próximo, é aterradora. Sim, é imperativo derrotar Bolsonaro, porque essa é uma eleição não apenas entre o fascismo, representado por ele, e a democracia, mas bem mais do que isso: é uma eleição entre a política de morte, representada por Bolsonaro, e a vida. Mas temos que ter muito presente que, mesmo derrotando Bolsonaro, a luta continua. E continuará forte, porque esses candidatos já não compreendem o país em que vivem nem a complexidade do colapso climático.

Muitos acharam que o debate foi chato. E foi. Mas que bom que temos debate. Que bom, mesmo. Nasci e cresci na ditadura e nunca vou esquecer do que é não ter debate, que é o que o atual ocupante do poder gostaria. Mas muito mais do que chato, esse debate foi pobre. Na real pobreza, que é a pobreza de compreensão e de concepção de mundo, a pobreza de ideias e de ideais, a pobreza de interpretação sobre o país que querem governar. Para mim, o debate foi triste. E apontou o tamanho do desafio que teremos e que só conseguiremos enfrentar se formos capazes de criar comunidade.