Ipec: Lula mantém vantagem sobre Bolsonaro e chances de ganhar no 1º turno

Os dois têm exatamente o mesmo índice de 15 de agosto, quando foi divulgada a pesquisa anterior do Ipec, o que indica cenário estável na disputa. Em seguida estão Ciro Gomes (7%), Simone Tebet (3%) e Felipe d’Avila (1%). Levantamento foi realizado entre 26 e 28 de agosto e tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Pesquisa Ipec divulgada nesta segunda-feira (29), encomendada pela Globo, mostra o ex-presidente Lula (PT) com 44% das intenções de voto e o presidente Jair Bolsonaro (PL) com 32% na eleição para a Presidência da República em 2022. Os dois têm exatamente o mesmo índice de 15 de agosto, data do último levantamento do Ipec para presidente, o que indica cenário estável na disputa.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 26 e 28 de agosto em 128 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01979/2022.

A pesquisa mostra que Lula vai melhor entre quem tem renda de até um salário mínimo, entre quem recebe algum tipo de benefício do governo federal e no interior do Brasil. 

De cabo a rabo

Por Daniel Quoist

A narrativa dos órfãos eternos da 3ª. Via, aí incluída toda a mídia tradicional, dá conta que Lula se deu mal no debate da Band, que Bolsonaro se deu ainda pior que Lula e que Simone Tebet lacrou Bolsonaro e, por isso, ganhou o debate. Mas não é bem assim. Lula ganhou o debate do primeiro ao último bloco.
Enumero algumas razões para robustecer essa afirmativa:

  1. Lula não tinha como objetivo ganhar o debate, era se manter na dianteira da corrida à Presidência e fazer acenos aos candidatos nanicos (Soraya Thronicke, Simone Tebet e Felipe D´Ávila) e criar pontes com o PDT de Ciro Gomes. Foi bem sucedido nisso. Não desferiu nenhum ataque a esses e foi comedido nos ataques a Bolsonaro, o único que poderia lhe ameaçar no dia 2 de outubro.
  2. Lula empoderou os demais ao decidir não ser o principal algoz do Inominável Bobo da Corte. E agindo assim desde o primeiro bloco viu Simone Tebet crescer logo de cara, observou o desequilíbrio de Ciro Gomes ao desferir mais ataques a Bolsonaro que a ele, contrariando inclusive as muitas expectativas em contrário e também vimos até mesmo a Soraya Thronicke colocar as garras de fora, pronta pra virar onça se sentir atacada bem na tradição pantaneira da matriarca Maria Marruá.
  3. Lula foi estrategista ao esgrimir com Bolsonaro. Não mostrou o arsenal de torpedos, mísseis e bombas nucleares de que dispõe para distribuir em futuros embates com o Inominável Bobo da Corte. Ao ocultar no debate temas mais que espinhosos, letais mesmo, deixou de bandeja o protagonismo no combate ao Bobo da Corte aos demais que, ao perceberem isso, se agigantaram alguns graus acima do esperado. Os temas são muitos e variados: as rachadinhas do Jair, do Eduardo, do Carlos e do Flávio, as rachadinhas de mulheres do Capitão, o envolvimento deste com as milícias cariocas e notadamente com o finado chefe miliciano Adriano da Nóbrega, o cheque de R$ 89.000,00 na conta da primeira dama vindo das arcas do notório Fabrício Queiróz, as barras de ouro dos pastores colocados no Ministério da Educação por iniciativa do Capitão, as fortes suspeitas de envolvimento no caso Marielle/Anderson, os relatórios do COAF, a loja de chocolates e a mansão de R$ 6.000.000,00 do enrolado primogênito Flávio, o gabinete do ódio chefiado pelo filho Carlos, as fortes suspeitas no campo das vacinas (Covaxin, Pfizer), a apologia da Cloroquina, o negacionismo da eficácia das vacinas… e todo o mundaréu de coisas do Centrão, do Orçamento Secreto, das obras superfaturadas e inexistentes, os shows dos sertanejos a preço de ouro pagos por prefeituras esquálidas, paupérrimas que pululam no Brasil profundo desde que as caravelas aqui aportaram em 1500.
  4. Lula deu um elegante “passa moleque” no Ciro Gomes: deixou-o falar e falar, acusá-lo disso e daquilo, ouviu com tédio e enfado as diatribes do cearense e, muito longe de passar recibo, tratou-o como menino birrento, mal educado, destemperado e leviano. Mas disse que num segundo turno espera atrair para sua coligação o PDT e de quebra, o próprio garoto birrento. Foram cenas risíveis. Um se esgoela na velha cantilena verbal e o alvo das diatribes responde com ar blasé do tipo “o que sai de sua boca é bem diferente do que sai do seu coração mole”. Ciro ficou visivelmente desconcertado, até constrangido com um longo sorriso pra lá de amarelo, porque não esperava aquilo. Lula o ignorou e a seus discursos com ataques traiçoeiros. E, vemos agora, inteiramente inúteis. Mas lançou pontes para apoio num segundo estágio das eleições.
  5. Lula mirou o eleitorado indeciso e o eleitorado de todos os concorrentes ao contrariar sua fama de bom debatedor que, nas palavras do Caetano “Lula me arrebatou”, mostrou-se humilde, sem afobação nem pressa, até o tom da voz ficou mais soturno e menos incisiva. Para os que ainda não o tinham como candidato a um terceiro mandato presidencial, mostrou-se calmo, com uma aura de sabedoria conquistada com a idade (sim, era de longe o mais velho dentre os seis candidatos ali debatendo), impôs-se como uma fonte de autoridade moral pairando acima de todos eles.
  6. Lula mostrou como se deve tratar uma mulher, seja ela candidata ou não. Levantou a bola em suas intervenções direcionadas a Simone e a Soraya e ainda fez uma defesa firme à jornalista neoliberal Vera Magalhães, agredida de forma misógina e torpe pelo Bobo da Corte e, como vimos também, pelo Bobo do Debate. Ganhou certamente muitos votos femininos.
  7. Lula ouviu calado as falas desordenadas do Felipe D´Ávila, um autêntico representante do Agro que repetia o discurso de uma nota só: Agro é tech, é pop, é tudo. O candidato, muito provinciano, ainda rendeu loas ao Zema de Minas Gerais, fez escancaradas dobradinhas com Ciro Gomes, direcionou suas lanças ao PT e já disse que num segundo turno sua turma – de menos de 1% das intenções de voto – deve cerrar fileiras com o Bobo da Corte. Coube a Soraya Thronicke colocá-lo em seu lugar de insignificância. Lula assistiu com um sorriso discreto.
  8. Lula não precisou atacar ninguém, nem mesmo o Bolsonaro, que a essas alturas já estava bem desequilibrado, rosto crispado, olhar perdido, sentimento de “o que foi que vim fazer aqui?”. Eficientemente, Lula lançou algumas pontes para os “bolsominions arrependidos”. Isto porque sabiamente não colocou contra a parede, não encurralou na esquina numa noite escura o seu Mito de Pés de Barro. Restará ao Mito se contentar com os de sua bolha-raiz, isto é, os truculentos, órfãos da ditadura de 1964, os meliantes-raiz, os milicianos-raiz, os misóginos-raiz, os milicos de pijamas. Se por um lado não deu a conhecer seu arsenal ao segundo colocado nas intenções de voto, pode ver quão pobre e indigente é o arsenal argumentativo-eleitoral amealhado contra ele pelas hostes do reacionarismo, da retórica do ódio e do atraso.
  9. Lula ofereceu uma última chance a uma 3ª via natimorta, deixando crescer Simone Tebet e alimentando a narrativa da mídia corporativa de que “agora vai”. Lula sabe muito bem que a essa altura da corrida presidencial uma 3ª via irá subtrair votos apenas do segundo colocado, daqueles que apoiam o famigerado Bobo da Corte apenas por conveniência e por um irracional antipetismo herdado das eleições de 2018.

Daniel Quoist é mestre em Jornalismo

Comitê anuncia novo local do comício de Lula em Belém

Depois de reunião com os órgãos de segurança e o Comitê do Lula no Pará, ficou definida nova troca de local do grande comício do candidato do PT à presidência da República. Foi feita opção por um espaço maior para receber Lula em Belém. O novo endereço é: Espaço Marine Clube, na avenida Bernardo Sayão, n° 5232, no bairro do Guamá, em Belém.

O lugar já foi palco de grandes shows e convenções e vai garantir conforto e segurança para as caravanas que vem a capital ver Lula. A maior festa da campanha de Lula está marcada para 18h. Os portões vão abrir às 15h.

Derrapada no momento errado

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol tem regras imutáveis, uma em particular fica muito visível nos jogos da fase decisiva da Série C. A posse de bola não pode ser desperdiçada, sob pena de castigo irreversível. O PSC teve mais de 70% de retenção da bola contra o ABC, sábado, na Curuzu. Era óbvio que o visitante veio exclusivamente para se defender e, se possível, explorar um contra-ataque mais simpático.

No fim das contas, o resultado sorriu para o ABC, que se deu ao luxo de fazer apenas uma finalização, justamente a que resultou no único gol da partida, aos 15 minutos do 2º tempo. O time que menos buscou vencer foi premiado com a vitória.

Injustiça? Nem tanto. Na prática, o que jogos como o de sábado revelam é que a objetividade dos times acaba prejudicada pelo excesso de toques improdutivos, lentidão na saída e nenhuma contundência ofensiva. Exatamente o que aconteceu com o Papão.

A rigor, em todo o 1º tempo, foram apenas dois bons momentos no ataque. O primeiro com Robinho, que recebeu livre dentro da área e finalizou rasteiro, mas o goleiro Mateus Nogueira conseguiu desviar para escanteio. Depois, Patrick Brey caiu pela direita e chutou cruzado, levando muito perigo.

Para quem precisava vencer, o PSC foi pouco agressivo, tímido até. Os primeiros movimentos contribuíram para esfriar o ânimo da torcida, pois o time não mostrava vibração em campo. A reação do torcedor é diretamente proporcional à performance do time.

Veio a etapa final e começou com uma excelente notícia para os bicolores. Logo no primeiro lance, o jogador Walfrido recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, o que deixou o ABC ainda mais retraído.

A partir daí, a expectativa era pela pressão do PSC, agredindo ainda mais o adversário. Não foi isso que ocorreu. O visitante seguiu rebatendo bolas e marcando em seu próprio campo, sem correr maior perigo.

Aos 15 minutos, na primeira subida do ABC ao ataque, pela esquerda, a bola foi cruzada na área e encontrou Lucas Douglas livre entre os zagueiros. Ele subiu, com estilo, e tocou de cabeça para o fundo das redes. Quem o marcava era Patrick Brey, que só percebeu a presença do adversário quando a bola já estava chegando.

O gol àquela altura tornou a partida dramática para o PSC. Mesmo em vantagem numérica, o time levou alguns minutos para se recompor emocionalmente. Na frente, os atacantes Marlon, Danrlei e Robinho não conseguiram avançar sobre as linhas inimigas.

José Aldo e João Vieira, os homens da articulação, atuavam com surpreendente lentidão, sem conseguir criar as jogadas necessárias para superar uma marcação exercida por até oito jogadores atrás da linha da bola. Quase no final, já com quatro atacantes (Pipico, Marcelinho e Toscano entraram nos minutos finais), o PSC criou duas situações agudas.

Um chute de Gabriel Davis, que desviou na zaga e quase enganou o goleiro, e um cabeceio de Naylor, que obrigou Mateus Nogueira a uma grande defesa. E ficou nisso. O jogo ficou marcado pela disciplina tática do ABC e pela lerdeza coletiva do PSC. Levou a melhor quem foi objetivo e pragmático, como mandam as leis da Série C.

Queda técnica é evidente, mas ainda há esperança

Foi a terceira derrota consecutiva do PSC na competição. Perdeu antes para o Floresta (em casa) e para o Vitória (fora). Em casa, o time está sem vencer e fazer gols há quase um mês. Uma sequência preocupante e que confirma a queda de rendimento após um início muito forte. Desde a derrota para a Aparecidense, o Papão não foi mais o mesmo.

Os erros ficaram mais evidentes e até a competência ofensiva – responsável por bons resultados em jogos de baixa performance – desapareceu. Nas últimas partidas, Marlon e José Aldo, tiveram atuações muito abaixo do esperado, o que comprometeu toda a produção coletiva.

Ambos são os melhores do time, os que garantem a dinâmica entre meio e ataque. O jogo de sábado deixou isso claro. Marlon deu um chute, fraco, a gol. José Aldo pouco arriscou e foi discretíssimo nas tentativas de furar a marcação, mesmo depois que o ABC perdeu um jogador.

O mais preocupante é que a baixa produção do time coincide com a etapa mais importante do campeonato. Ao contrário do Vitória, que evoluiu nas últimas nove rodadas, o PSC só fez cair. Os triunfos sobre Altos e Campinense deram a falsa impressão de recuperação.

Quando Márcio Fernandes lançou atacantes a rodo no 2º tempo, sem atentar para a construção de jogadas, demonstrou falta de ideias para reverter a situação. É como se já não tivesse coelhos para tirar da cartola.

Apesar disso, o PSC segue com chances de alcançar o acesso. Precisa vencer três jogos (dois em casa) e empatar um, para somar os 10 pontos necessários. Ainda é possível, mas, sem dúvida, o cenário ficou muito mais difícil. O próximo jogo (contra o Figueirense, que goleou o Vitória ontem) é de vida ou morte.

Copa Verde: bom senso respalda a renúncia remista

Em outros tempos, o torcedor reagiria de maneira figadal, protestando furiosamente contra a decisão de renunciar à participação na Copa Verde, mas os tempos são outros e prevalece a noção de que o Remo fez bem em não comprometer o planejamento para 2023.

Mais importante que a busca por um prêmio de R$ 3 milhões na Copa Verde é a preocupação em manter as finanças controladas. Sem elenco para disputar o torneio, pois a confirmação só veio depois do desmonte, o Remo teria que contratar às pressas pelo menos 15 atletas, gastando o que não pode e apostando no improviso.

O bom senso prevaleceu e as explicações do presidente Fábio Bentes foram assimiladas pela torcida. Há, é claro, o lamento por não participar pela primeira vez da Copa Verde, mas prevalece a convicção de que a diretoria fez o certo, optando pela responsabilidade ao invés de agir com açodamento. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 29)