Com um jogador a menos, ABC vence dentro da Curuzu e complica situação do Papão

Com 10 jogadores em campo desde o início do 2º tempo, o ABC obteve um excelente resultado dentro da Curuzu, na tarde-noite deste sábado, derrotando o PSC por 1 a 0. Com a vitória, o time potiguar foi a 6 pontos e se isolou na liderança do Grupo C do quadrangular da Série C – Figueirense x Vitória jogam neste domingo, às 19h. A segunda derrota complica a situação dos bicolores na competição. Na lanterna do grupo, ainda sem pontuar, o Papão não pode mais perder, pois depende de 10 pontos (3 vitórias e 1 empate nos quatro jogos que restam) para obter o acesso.

O jogo começou morno, sem lances agudos e com predomínio dos sistemas de marcação. O PSC tentava chegar com bolas lançadas para Danrlei e Robinho, mas a defesa potiguar se defendia bem. Como o adversário não saía praticamente de seu campo, o Papão tinha espaço para atacar, mas se atrapalhava nas tentativas de entrar na área.

Os lances mais perigosos da primeira etapa foram um chute cruzado de Patrick Brey, que passou rente ao poste direito do gol defendido por Mateus Nogueira e uma investida de Robinho, que recebeu livre e chutou rasteiro, mas a bola bateu no goleiro e saiu.

A torcida, que lotova a Curuzu, até tentava empurrar o time, mas a ausência de jogadas de ataque foram esfriando o ambiente, o que favoreceu a estratégia do ABC. No segundo tempo, logo no primeiro minuto, Walfrido fez falta violenta e tomou o segundo cartão amarelo.

Com um a menos, o time visitante se fechou ainda mais no campo de defesa. Ficava esticando bolas, mas raramente se arriscava no ataque. Na única tentativa, em cruzamento que partiu do lado esquerdo, Lucas Douglas se antecipou a Patrick Brey e cabeceou para o fundo do barbante.

Diante de um adversário inteiramente recuado, o Papão não teve criatividade para entrar na área ou buscar jogadas de linha de fundo. Ficou apenas cruzando bolas altas na área, sem maior perigo. O técnico Márcio Fernandes fez mudanças no time, reforçando o ataque com Marcelo Toscano, Marcelinho e Pipico, mas a situação não se alterou.

O momento de maior emoção para a torcida alviceleste foi quando Gabriel Davis se atirou na área e o árbitro foi na conversa marcando o pênalti. O VAR, porém, revisou a marcação, anulando corretamente a falta. O próximo compromisso do PSC será contra o próprio Figueirense, em Florianópolis, no sábado (3), às 17h.

A frase do dia

“O Brasil ridiculamente se exalta por ser o país do agro, que alimenta o mundo, mas não alimenta o próprio povo – porque o agro é pra fora, não pra dentro; é pra exportar, não pra nós; e o poder do agro arrasa a agricultura familiar, os pequenos produtores, quem nos alimenta”.

Ricardo Pereira, professor e jornalista

Cabeça fria, coração quente

POR GERSON NOGUEIRA

Sem problemas na escalação, o PSC enfrenta o ABC neste sábado (27) com ânimo renovado, depois da estreia negativa – perdeu para o Vitória, em Salvador – no quadrangular da Série C. As condições que se apresentam para o jogo são inteiramente favoráveis. Com a formação ideal em campo e a torcida lotando as arquibancadas da Curuzu, o time raramente deixou escapar a vitória atuando em casa neste Brasileiro.

Os desafios também são consideráveis, visto que o ABC venceu o Figueirense na primeira rodada e entrou na briga pelo acesso. A partir daí, virá a Belém disposto a brigar arduamente por um resultado satisfatório. O empate seria perfeito para as pretensões do time potiguar.

Cabe lembrar que o ABC não entrou no quadrangular como favorito ao acesso. Dos quatro participantes, era o menos cotado ao final da fase de classificação, correndo por fora em relação a PSC, Figueirense e Vitória. Uma vitória mudou a perspectiva e deu ao time alvinegro o gás necessário para acreditar em suas próprias forças.

Por tudo isso, o jogo de hoje vai exigir muito dos bicolores, não apenas no aspecto meramente técnico. Paciência, foco e frieza são virtudes fundamentais a essa altura do campeonato. Não basta ter uma boa performance com a bola; é preciso estar atento às variáveis do confronto.

Todos os manuais de jogos decisivos ensinam que o mandante deve tentar abrir vantagem nos minutos iniciais ou, no máximo, ainda no primeiro tempo. É uma forma de reduzir a carga de pressão que recai sobre o time, a partir das expectativas da torcida.

Os erros de marcação verificados na derrota em Salvador não podem se repetir. Os laterais Igor Carvalho e Patrick Brey são eficientes no apoio ao ataque, mas não podem desguarnecer o lado defensivo. Quando isso ocorrer, é necessário que os volantes cubram as laterais do campo.

É verdade que, desta vez, o time não terá que se desdobrar para suprir a ausência de um homem, razão maior dos buracos abertos no sistema defensivo. Pelo menos, essa é a expectativa. O que aconteceu na primeira rodada não pode mais se repetir. É hora de cabeça fria e coração quente, como prega o mister luso-palmeirense Abel Ferreira.

Ao Papão, mais do que nunca, cabe repetir o velho mantra: esmorecer jamais, principalmente quando ostenta a condição privilegiada de dono da casa. Impor respeito é, portanto, atitude fundamental.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração na RBATV, excepcionalmente às 20h, em função da transmissão do debate presidencial pela Band. Edição de Lourdes Cezar e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, o segundo jogo do Papão no quadrangular da Série C.

Direto do blog campeão

“Leio no DOL que a diretoria azulina está revoltada com o atual presidente da FPF, que teria manipulado de forma que a CBF somente agora, quando o Remo e outros clubes já haviam desmontado seus respectivos times. Ora, ora! Quanta ingenuidade! Esperavam o quê? Eu, não precisando ser adivinho, fui uma das poucas vozes a protestar nas redes sociais contra a hegemonia bicolor num setor tão estratégico como a FPF, numa dinastia que vem desde Euclides Freitas. Mas, para a diretoria do Remo, cujo time já iniciou prejudicado na montagem da tabela da Série C, estava tudo certo, tudo belo! Cheguei a arranjar uma treta no Twitter com André Cavalcanti, como aqui registrei. Não é só futebol, segundo o Guerra. E assim caminha a humanidade”. Antônio Valentim

“Muito vem pontuado, amigo Gerson, seu artigo sobre o Fernando Diniz. Faço apenas a ressalva de que os times por ele dirigidos até aqui, foram apenas times, como é o Fluminense. Ele não teve a sorte de um Cuca, de um Abel Ferreira, um Jorge de Jesus ou mesmo a de um Dorival Jr, cujos elencos são estelares. E é por isso que o Diniz é fantástico. Ninguém conseguia fazer o Ganso brilhar. Samuel Xavier era execrado pela torcida. Caio Paulista, de atacante pela direita, virou ala esquerda. Porém, as limitações, e até no time, tem jogadores limitados, provocam aquilo que visto na quarta-feira: dois gols em que a bola era tricolor. E isso aconteceu em Porto Alegre, contra o Inter, e no Rio, diante de Fortaleza e Coritiba. Sendo que nos jogos do Maracanã, a classificação contra os cearenses e a goleada em cima do Coxa, ajudaram a maquiar os graves defeitos. Quanto ao que você escreve sobre a Copa Verde, onde é que eu assino? Parabéns, Gerson, você continua dando show!”. Valdo Sousa

“Não é de hoje que a CBF trata a Copa Verde com desdém, como esmola para os clubes participantes. Não custa lembrar que na única oportunidade em que um clube do Pará esteve habilitado à Copa Sul-Americana, através do Paysandú, puxaram-lhe o tapete sem maiores cerimônias, sem que a CBF fizesse o mínimo esforço para bancar nossa participação, prevista no regulamento quando o clube paraense conquistara uma das Copas Verde. A entidade que se diz ‘mater’, preferiu a contumaz omissão, transferindo a culpa da exclusão à ‘decisão superior’ da Conmebol! A rigor, esta Copa Verde padece de legitimidade no seu DNA. Ao presumirmos que as Copas Norte/Verde representariam a Amazônia – no máximo a dita Amazônia legal, por que termos participações de clubes de regiões em nada similares ao habitat e geografia amazônicos? Por que dar acesso a clubes do Cerrado (Goiás, Tocantins e Brasília), Mato Grosso do Sul (fronteira com o Paraná) e Espírito Santo (vizinho ao RJ, já no Sudeste)? Por que estes clubes não reivindicam participar da Copa Nordeste, ou criam a do Centro-Oeste? Certo que os clubes que ora reclamam, choram o leite derramado, se dizem desprestigiados, estarão firmes e fortes, na próxima temporada mendigando antecipação de ‘vales’, ou na próxima eleição da CBF, para sufragar a reeleição do presidente atual, ou apoiar o novo candidato da situação”. George Carvalho

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 27/28.08)