A mente também ganha jogo

POR GERSON NOGUEIRA

Sob intenso açoite após ter sido expulso na partida decisiva com o Palmeiras, pela Libertadores, o atacante atleticano Vargas decidiu contratar especialistas em alta performance mental a fim de que possa controlar as emoções em momentos cruciais do jogo.

Uma equipe de acompanhamento ajuda o especialista no trabalho com o jogador, buscando garantir evoluções no comportamento em campo. A ideia é evitar que o episódio do jogo Palmeiras x Atlético-MG, que custou a eliminação dos mineiros da Libertadores, venha a se repetir.

O staff chamado para ajudar Vargas inclui um expert (pós PhD) em Neurociência, tamanha é a preocupação com os rumos da carreira do jogador após a explosão de fúria que causou sua expulsão.

Essa providência, cada vez mais comum no universo do futebol profissional, remete ao problema envolvendo o volante Mikael, do PSC, que teve atitude ainda mais destemperada e grave, pois ocorreu nos primeiros minutos do jogo com o Vitória, em Salvador.

Mikael foi excluído após dar um bico no jogador Rafinha, do Vitória, que estava caído em consequência de uma falta. O pisão foi flagrado pelo árbitro de vídeo e o volante terminou expulso, prejudicando o seu time, obrigado a jogar por mais de 90 minutos (incluindo acréscimos) com um jogador a menos.

Como Vargas, Mikael se mostrou arrependido pelo ocorrido e se dirigiu aos companheiros de time em reuniões internas. Por parte da diretoria, o jogador recebeu uma punição branda. Ao invés de ser simplesmente afastado ou suspenso, ele recebeu a determinação de distribuir cestas básicas de alimentos a entidades assistencialistas.  

A grande preocupação do chileno é reabrir pontes com a torcida, exatamente a mesma coisa que Mikael deveria se preocupar em buscar. De titular absoluto, ele corre o risco de se tornar uma alternativa entre os reservas da equipe.

Maior que a desconfiança do torcedor em relação ao seu comportamento, a essa altura, é o grau de desconfiança que o técnico Márcio Fernandes mantém em relação ao jogador. Depois da partida com o Vitória, Mikael passou a ser um fator de risco ambulante.

Caberá somente ao jogador a difícil tarefa de reconquistar a torcida e o comandante. Para isso, talvez seja necessária a intervenção da comissão técnica, com um trabalho específico de psicologia do esporte para dar a Mikael orientação e preparo para enfrentar desafios no campo emocional.

O acompanhamento mental e comportamental de atletas é comum em esportes individuais, como tênis e ginástica artística, mas só nos últimos anos passou a ser parte das comissões técnicas no futebol.

Os neurocientistas costumam avaliar o grau do impacto emocional que afeta um jogador sob forte pressão. Elaboram exames sofisticados, que passam por estudos genéticos e de neuroimagem, para entender o funcionamento do cérebro.

A partir dos resultados, é elaborado um programa específico destinado a cercar o jogador de todas as condições para entender o problema e corrigir seu comportamento. Parece complicado, mas é apenas um retrato da evolução da ciência aplicada à vida normal, o que permite entender que diversos fatores podem influir na condição mental de um atleta.

Jogar bola parece muito simples, mas os clubes devem entender que os interesses que permeiam o negócio futebol afetam os atletas de maneiras bem diferentes. 

Feira do Porto da Palha conquista o FutFeira 2022

Em plena semana de comemoração do ofício de feirante, o torneio FutFeira 2022 foi encerrado sob aplausos no aspecto esportivo e da inclusão social. Através da disputa de um campeonato de futebol de sete, também conhecido como futebol Society, os jogos foram formatados para levar qualidade de vida e lazer aos feirantes de Belém. 

As principais feiras livres da cidade foram representadas no FutFeira 2022: feiras do Jurunas, 25 de Setembro, Guamá, Porto da Palha, Entroncamento, Ver-o-Peso, Pedreira, Providência, Barreiro, São Brás, Cremação.  

Com início em junho passado, no formato de mata-mata, o torneio teve dois turnos. No primeiro, a feira do Entroncamento foi a vencedora. O segundo teve o triunfo da equipe do Porto da Palha.

Depois de quase dois meses de disputa, a grande final foi realizada no dia 24 de agosto, colocando frente a frente os times vencedores de turnos. Com equilíbrio durante a partida, o placar ficou em 3 a 3, forçando a decisão em penalidades. O Porto da Palha levou a melhor e se tornou o grande campeão do primeiro FutFeira.

Remo confirma goleiro e decide hoje sobre a Copa Verde

Em meio às incertezas geradas pela Copa Verde, o Remo anunciou ontem o acerto com o goleiro Victor Tube, ex-Tuna, que havia sido contratado em meio à campanha da Série C. A informação gerou surpresa e a suspeita de que é o primeiro passo para a confirmação de participação na Copa Verde 2022.

A diretoria, porém, não emitiu qualquer sinal nesse sentido. Em entrevista à Rádio Clube, ontem, o presidente Fábio Bentes manteve um tom contido, embora ainda claramente irritado com o que considera uma decisão de afogadilho por parte da CBF.

Fábio defende que o torneio seja adiado para o início do próximo ano, como foi feito neste ano com a edição de 2021. Entende que, desta forma, será possível equacionar os custos de novas contratações, sem prejudicar o planejamento orçamentário dos clubes que tiveram que desmontar o elenco após a Série C e a Série D.

De toda sorte, a decisão do clube será oficializada hoje, último dia do prazo estabelecido pela CBF para confirmar ou abrir mão de participação na CV. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 26)

Justiça Federal condena PMs por tortura contra adolescente indígena em Itaituba

A Justiça Federal condenou três policiais militares e uma mulher de Itaituba, no sudoeste do Pará, pelo crime de tortura contra um adolescente indígena da etnia Munduruku. Os fatos ocorreram em 2005 e os quatro réus foram condenados no último dia 18. A ré Dolores do Socorro da Silva Gama foi sentenciada a 10 anos e 11 meses de prisão em regime fechado. Os PMs Clésio Ricardo de Carvalho, Clebio Coelho Ferreira e Walber Wagner Chagas da Silva foram condenados a 12 anos e 10 meses de prisão cada um e à perda dos cargos públicos.

Todos os réus terão o direito de recorrer da sentença em liberdade e, só ao fim do processo serão inscritos no rol dos culpados e presos. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o adolescente indígena – que tem a identidade protegida por lei – foi capturado por Dolores e mais um homem, Leandro Roso Domingues, que está sendo julgado em processo separado. Eles acusavam o menino de ter cometido um roubo.

O casal levou a criança para sua casa, onde passaram a cometer uma série de torturas, pisando em sua cabeça, o espancando e sufocando com uma almofada. Diante do silêncio da criança, o levaram para um matagal atrás da casa e continuaram com as surras. O menino permaneceu calado e então ambos o colocaram em um carro e o levaram a uma delegacia de polícia, onde não foram atendidos. Em seguida, o levaram para o 15º Batalhão da PM em Itaituba, onde os outros três réus, Clésio, Clebio e Walber o algemaram, puseram em uma viatura e voltaram para a casa de Dolores e Leandro.

Orelha foi queimada – “Permanecendo calada quanto ao fato, a vítima foi novamente conduzida à viatura da Polícia Militar, na qual adentraram também os policiais militares e o réu Leandro, os quais conduziram a vítima para a localidade ‘bueira do Bom Jardim’, tendo sido a vítima novamente espancada, além de ter tido a orelha direita queimada. Após os fatos acima, a vítima teria sido abandonada às proximidades de um campo do mesmo bairro, conforme os relatos da denúncia”, relata a sentença judicial.

Os réus foram condenados pelo crime de tortura com agravantes. “O menor indígena foi ouvido e relatou com riqueza de detalhes ter sido espancado pelos réus para confessar um crime de furto, sendo algemado pela polícia militar, sofrendo diversas agressões e tendo inclusive sua orelha queimada pelo denunciado Leandro, sofrendo sucessivas violências para confessar um fato, porém, permanecendo em silêncio”, relata a sentença.

Para a Justiça Federal, os réus que são policiais militares tinham o dever legal de proteger os cidadãos e não de agredi-los. Os agentes, diz a sentença, deveriam “ter evitado o crime cometido e não auxiliado, reforçado e agredido ainda mais a vítima”, como fizeram. Os réus podem apelar da sentença ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília. Eles terão direito de recorrer em liberdade. (Da Assessoria de Comunicação/MPF)