O torneio das incertezas

POR GERSON NOGUEIRA

Fora do calendário oficial da CBF para 2022, a Copa Verde virou um enigma desde o começo da temporada. Aliás, a edição 2021 só foi realizada no início deste ano, em datas improvisadas. Não é mistério para ninguém que a competição é tratada com má vontade e desinteresse pela entidade que comanda o futebol no Brasil. Ontem, finalmente, depois de longa espera, o presidente Ednaldo Rodrigues confirmou que o torneio vai acontecer em datas previstas para outubro e novembro.

Será nos mesmos moldes dos outros anos, com um ou outro convidado diferente, mas com a já conhecida ausência de apelo, com transmissões fora da TV aberta e premiação chinfrim. O próprio nome da competição é uma licença poética, bem ao estilo da CBF. O verde só tem vinculação com o campo de jogo – embora, em alguns Estados, nem isso.

Todo o discurso de cunho ambientalista que os dirigentes adoram citar por ocasião da abertura e do encerramento da CV não passa de perfumaria marqueteira. Não há, de fato, nenhuma ação de natureza sustentável associada ao torneio.  

Quanto ao aspecto que mais interessa ao torcedor, que é a oportunidade de complementar calendário para os clubes regionais, a CV é válida. Por isso mesmo, a Federação Paraense de Futebol exerceu uma pressão sobre a CBF nas últimas semanas em busca de uma definição. Até o anúncio de ontem reinava silêncio absoluto, com indícios de que o torneio seria cancelado.

Mesmo com todos os seus problemas, é importante para o futebol do Pará lutar pela manutenção do torneio, o único de caráter interestadual bancado pela CBF com participação de clubes das regiões Norte e Centro-Oeste. O único atrativo é a classificação direta para a terceira fase da Copa do Brasil, com direito a uma gratificação em torno de R$ 3 milhões.

Criada em 2014 para atender reivindicação dos clubes paraenses, a Copa Verde já foi disputada oito vezes, com duas conquistas do PSC e uma do Remo, justamente na edição de 2021. Os azulinos derrotaram o Vila Nova-GO na decisão, com grande performance do goleiro Vinícius nas cobranças de penalidades.

A tabela de jogos e as datas só serão anunciadas nos próximos dias, segundo informou a assessoria da CBF. É provável que o formato seja mais enxuto e com menos participantes que em edições anteriores. Caso resolva programar para outubro, o torneio pode ocupar sete datas – uma para pré-Copa Verde, uma para as oitavas, duas para as quartas, duas para as semifinais e uma para a final, desta vez disputada em jogo único. Há, ainda, a remota possibilidade de adiamento para janeiro, como foi neste ano.

Em se tratando de CBF, tudo pode acontecer – inclusive nada.

Confirmação da Copa Verde altera planos do Remo

Depois de fazer um desmanche completo no elenco que disputou a Série C, o Remo se vê na iminência de modificar seu planejamento para o final da temporada. Até antes de ter a confirmação da Copa Verde, o clube trabalhava com a previsão de formar um novo elenco somente em dezembro, após a contratação da comissão técnica.

Com o anúncio feito ontem à noite pela CBF, o Remo terá que providenciar um novo plantel a fim de participar e defender o título da competição. No momento, restaram do elenco da Série C os jogadores com contrato até o final do ano – Vinícius, Paulinho Curuá, Zé Carlos, Pingo, Ronald e garotos da base.

Até mesmo a liberação de alguns jogadores remanescentes da campanha pode vir a ser suspensa, a fim de garantir um time minimamente competitivo para encarar o torneio interestadual. De qualquer maneira, a procura pelo novo técnico terá que ser antecipada.

Prepare o coração porque Gabriel Jesus vem aí

Para desespero de boa parte da torcida brasileira, Gabriel Jesus anda fazendo muitos gols e participando ativamente das ações ofensivas do Arsenal na Premier League. O jogador travado, tímido e pouco efetivo dos tempos de Manchester City parece transformado em seu novo clube.

Com isso, o atacante pavimenta o caminho rumo à Copa do Catar. Tite já deixou claro, inúmeras vezes, que é apreciador das qualidades de Jesus, não apenas como homem de área, mas como jogador de lado de campo.

Na Copa de 2018, ele chegou a ser escalado como um ala direito, para espanto geral. Deixou Tite satisfeito, mas irritou a torcida, que até hoje vira o nariz quando seu nome é lembrado. Ocorre que não há margem para dúvidas. A três meses do Mundial, o técnico já tem seus nomes bem definidos e Jesus seguramente é um deles.

Enquanto a torcida do Arsenal vibra com o desempenho de Jesus no começo do Campeonato Inglês, o torcedor brazuca terá que reservar dose extra de paciência em relação ao atacante, marcado pelo eterno ar choroso.

É também a oportunidade de redenção do artilheiro, a exemplo de tantas outras histórias lendárias na Seleção Brasileira. Vários dos ídolos imortais do Tri de 70 vinham de atuações opacas na Copa de 1966. Tostão, Gerson e até Pelé frustraram a torcida, mas deram a volta por cima quatro anos depois. 

O futebol, como se sabe, está longe de ser ciência exata. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 24)

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